Opinião

A Implantação do Ensino Secundário no Nordeste de Oliveira de Azeméis e Sul do Concelho de Arouca

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A dura e persistente luta pela Escola preparatória de Fajões

Após a revolução do 25 de Abril e a subsequente saída do Professor Veiga Simão do Ministério da Educação Nacional, assistia-se aí a um desnorte e convulsão político-partidária com uma notória hostilidade de indivíduos da Administração Escolar que, mal disfarçando o seu feroz esquerdismo, combatiam ou emperravam iniciativas e despachos do Ministro que fez a primeira reforma democrática da Educação e que os colocara no Ministério, sem nunca os ter submetido a clivagens político-partidárias, como as que injustamente aplicavam à sua acção governativa!
A criação da Secção do Ciclo Preparatório de Fajões, por despacho do Professor Veiga Simão, de 10 de Abril de 1974, foi apanhada, contrariada e emperrada pelo desforço e sanha política dessas figuras que se assenhorearam das funções de decisão e com a sua bandeira de anti-fascistas cometiam injustiças e ofensas iguais ou piores que as do fascismo que apregoavam combater!
Tendo a Junta de Freguesia de Fajões garantido ao Ministério da Educação instalações provisórias para albergar a criada Escola Preparatória para Fajões, aguardava, desesperada e inconformada, a necessária aprovação dessas obras pelos respectivos responsáveis (muito pouco responsáveis!) do Ministério da Educação. Aos muitos ofícios a pedir informações e a necessária aprovação das instalações oferecidas pela Autarquia Local, apenas chegavam o silêncio, a indiferença, a má vontade dos Serviços do Ministério e a falta de apoio da Câmara Municipal dos tempos da Velha Senhora, que na sombra “jogava” por outros amores e a falta de sentido de Estado do Governador Civil que, numa reunião em Junho de 1974, em vez do apoio que a Junta de Fajões lhe pedia declarou que “prometera o Ciclo Preparatório para uma Freguesia vizinha”!
Era grande a conjura contra a escola de Fajões, como narra em pormenor o livro “A Escola do Ensino Básico 2/3 de Fajões” publicado no ano de 2000.
Estava tudo “armadilhado” para derrubar a justiça, que assistia a Fajões, e servir antigos amigos fascistas, despeitados e feridos no seu orgulho.
Para saber de viva voz a solução final do processo, a Junta de Fajões teve uma reunião em Agosto de 1974, com o Director Geral António Luís Landeira, cuja a inclinação adversa a Fajões já conhecíamos. A Autarquia refutou com sólidos argumentos toda a sua má vontade pela concretização da Escola do Ciclo de Fajões. Porém António Landeira, sem argumentos válidos, mas disposto a servir “pressões conhecidas”, teve o atrevimento e o despautério de combater a efectivação da Escola despachada pelo Ministro para Fajões com o irrisório argumento de “ser fruto do fascismo” e defender a implantação do Ciclo em Cesar, exibindo, sem pudor o projecto e fotografias desta Freguesia, que aceitara muito depois do despacho de Veiga Simão.
Acenar com o fantasma do fascismo à Junta de Freguesia de Fajões que, várias vezes, esteve em conflito com as esferas do poder, que nunca tivera as boas graças do Governador Civil e da Câmara Municipal de má memória e até o Presidente da Junta de Freguesia fora chamado a tribunal por aludido desrespeito e ofensa à Administração Civil, foi injúria e provocação graves a que a que um membro da Autarquia de Fajões deu enérgica e dura resposta, com impropérios e acusações a António Landeira em termos impróprios de reproduzir aqui. O Governante deu ordem para expulsar os Autarcas do Ministério, mas o presidente da Junta atalhou ao conflito e lembrando que o Coronel Ferreira da Cunha defendia a causa de Fajões, o Governante ficou desarmado, indefeso, varado!
Nessa noite, António Landeira, alegando doença, faltou à reunião do Ministério da Educação e o grande Amigo de Fajões, Sr. Coronel Ferreira da Cunha falou com o seu Grande Amigo e Presidente da República General Costa Gomes e com o Ministro da Educação que fez a justiça que faltava: A Escola Preparatória é para Fajões.

A Escola fixa em Fajões e pronta a funcionar em Outubro

A 10 de Setembro de 1974 é a Dr.ª Maria José Morgado dos Serviços de programação e Instalações da Direcção Geral da Administração que comunica que “por despacho superior de 31 de Agosto de 1974, foi autorizado o início do funcionamento da Secção da Escola Preparatória de Fajões, utilizando as instalações provisórias propostas por parte da Autarquia Local, a partir de 15 de Outubro.
Imediatamente a Junta de Freguesia de Fajões ultima o contrato de arrendamento, com Manuel Teixeira dos Santos, do salão do rés-do-chão da sua habitação e do terreno anexo onde começa a construir as instalações da Escola Preparatória, que orçou em 270 000 escudos.
As obras decorreram num ritmo acelerado e grande empenho do empreiteiro e com a adesão extraordinária dos fajonenses de todas as profissões que, nas horas livres dos seus empregos e aos sábados, colaboraram gratuitamente e com entusiasmo na concretização da maior conquista cultural e progresso social de Fajões e da Região.

Da Solidariedade dum Povo à Inauguração Solene da Escola Preparatória de Fajões

Na data prevista, 15 de Outubro, as obras estavam concluídas e assiste-se a uma louvável e nunca vista onda de solidariedade e bairrismo do Povo de Fajões que, entre Setembro e Outubro, fez uma subscrição que somou 140.290 Escudos para as obras empreendidas pela Junta de Freguesia.
Na tarde de Domingo, 20 de Outubro de 1974, foram inauguradas as instalações da Escola Preparatória de Fajões num ambiente muito festivo e com a presença do presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, Dr. Flávio Laranjeira, além do Director da Escola Bento Carqueja, Dr. Abel Gandra, das crianças e professores das escolas primárias e dos dirigentes do Grupo Desportivo, da Banda Musical, do Rancho Folclórico e da Sociedade Columbófila de Fajões.
No acto inaugural, que foi abrilhantado pela Banda Musical e pelo Grupo Folclórico As Ceifeiras de Fajões, discursaram o presidente da Junta, Samuel de Bastos Oliveira, o pároco Padre António Milhinha, o Dr. Abel Gandra e finalmente o Dr. Flávio Laranjeira, que se congratularam com a inauguração deste melhoramento que consideraram da maior projecção no desenvolvimento futuro das freguesias do Nordeste do Concelho de Oliveira de Azeméis, Carregosa, Cesar e Fajões e das limítrofes do Sul do concelho de Arouca, a saber: Escariz, Mansores, Fermedo, S. Miguel do Mato.

O autor escreve segundo o antigo Acordo Ortográfico
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