Opinião

A desconfiança

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Ao fim de dois anos de mandato, do atual executivo municipal, sobressai a vontade de aplicação de políticas do XXIII Governo Constitucional e dos seus antecessores.
Os sucessivos programas de descentralização, terminados recentemente com a transferência de competências na saúde e anteriormente na área administrativa e da educação, completados com os mais recentes programas de habitação e com a parceria com privados para a revitalização de património imobiliário de interesse público, têm sido a cartilha orientadora do município, prejudicando a identidade da cidade, que sempre se manifestou pela sua capacidade dinâmica, inovadora e proactiva.
Existem projetos que não passam de intenções, por falta de financiamento governamental ou mesmo comunitário.
Esta constatação, que pode ser compreensível, atendendo à escassez de recursos, ficou posta em causa com o anúncio de uma contração de empréstimo para melhoramento de um arruamento. Escusado será recordar as reclamações sobre o estado do piso de várias artérias da cidade, para contestar a prioridade manifestada. Muitas vezes, a requalificação de artérias não significa uma consequente revitalização – veja-se o caso da Rua Alão de Morais e a transferência de localização da antiga farmácia.
Em simultâneo, a maioria da população contínua sem perceber porque ficou sem parque de estacionamento, a nascente, o projeto de requalificação da Praça Luís Ribeiro, ou porque a Casa da Memória, mesmo derivando para fins industriais, não teve qualquer impulso nestes últimos três anos, ou, recuando mais no tempo, qual a solução para a nova piscina municipal, reforçando a capacidade de oferta do município, atualmente insuficiente face à procura.
Estes sinais contraditórios deixam o munícipe confuso.
É com desconfiança que são recebidos os anúncios de novos parques verdes, pois após vários meses de reportagens, na imprensa, demonstrando desleixo e falta de cuidado dos existentes, alguns com intervenção recente, ficam mais dúvidas do que certezas sobre a capacidade de gestão da edilidade, nesta matéria.
Assim como é incompreensível a construção de uma “duvidosa” ciclovia, tendo como objetivo a utilização de bicicletas no dia-a-dia da população, ou seja, para acesso à zona industrial das Travessas e em simultâneo, projetar-se uma nova rotunda no lugar da Ponte, para facilitar a circulação automóvel, para quem sai dessa zona, quando o importante é retirar carros daquela área, evitando-se concentração de C02, em zona habitacional, construindo-se outros acessos a sul e a norte do referido polígono industrial. A não construção desses importantes acessos, só se explica pela recente priorização dos investimentos municipais.
A pertinência da melhoria ambiental, como influência direta de dinâmicas urbanas positivas, é um fator importante para a continuação do incremento populacional. Além da imigração, é sempre importante fixar jovens, melhorar a qualificação, promover o arrendamento acessível, captar empresas de serviços, de comércio e transformadoras, aumentando a oferta de emprego.
No fundo, é valorizar o território, visando a revitalização demográfica.
Procurando uma empreendedora política de captação de investimento, encontrando soluções dentro do município para esses investidores. Conhecer o desejo desses investidores e rapidamente satisfazer essa vontade, com o conhecimento das áreas livres e do valor do investimento a efetuar.
Não querendo especificamente fazer o balanço do atual mandato, até porque é a continuação de quatro anos anteriores com a mesma equipa de vereação, o que permite analisar ações a seis anos, o que transparece é que muitos dos assuntos pendentes, dos muitos projetos anunciados, apenas alguns serão concretizáveis e desses a sua resolução será após as próximas eleições autárquicas.
Esse será o saldo que irá a sufrágio.

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