O vírus é para todos, mas a cautela nem por isso

O vírus é para todos, mas a cautela nem por isso

Uns com máscara, mas sem luvas. Outros com luvas e com máscara. Longas filas nas caixas. Uns com distância entre si, outros nem por isso. Este parece ser o dia a dia de muitos clientes nos hipermercados de S. João da Madeira. Se alguns estão preocupados com o risco de contaminação do coronavírus, há quem revele estar tranquilo e confiante.

Os tempos são de mudança e de regras apertadas. Ainda há quem não entenda ou se aperceba do perigo que todos corremos, o papel que cabe a cada um na defesa de todos, começando com uma simples ida a um supermercado.
Numa ronda por vários hipermercados da cidade, rapidamente nos apercebemos de uma longa fila de acesso às caixas de pagamento que, no caso do maior Continente em S. João da Madeira, chegava à zona da garrafeira. Mas também verificámos que nem sempre é assim.
Pelos corredores, as pessoas cruzam-se e, por vezes, até conversam. E até brincam com a situação de não se poderem cumprimentar. À distância, sem toques, por vezes, com sorrisos, mas quase sempre com olhares. Aquilo que ali verificámos é que nem todas as pessoas estão a cumprir zelosamente a chamada “distância de segurança”. Verificam-se uns aparentemente cautelosos e outros mais despreocupados. Todos usam máscara, porque passou a ser obrigatório no interior destes espaços, mas nem todos querem luvas. Estes são os novos tempos nos supermercados em S. João da Madeira, em tempos de Covid-19.
“Na última semana verifiquei uma grande fila, no Continente, de acesso às caixas de pagamento”. Durante o estado de emergência, “era muito comum apanhar grandes filas de espera nos supermercados da cidade”. Mas, com o levantamento do Estado de Emergência, Ricardo Santos afirma que sentiu que isso melhorou bastante. Quanto aos cuidados nas grandes superfícies, depende dos supermercados. “No Mercadona, por exemplo, dão-nos luvas à entrada, há álcool-gel e um grande cuidado. E o facto de ter corredores mais amplos permite mais distanciamento social”.
Mas há outros, como o Continente, no 8ª Avenida, onde, garante a ‘O Regional’, não vê esses cuidados. “As pessoas usam, de facto, máscara, mas há poucas a usar luvas, e é uma loja que costuma estar mais lotada e onde não sinto tanto respeito por cumprir o distanciamento”. Este sanjoanense garante que não costuma levar luvas, leva antes uma embalagem pequena de álcool-gel para usar nas mãos, quando sai do supermercado. 
Jorge Santos vai mais longe. “Parece que nada mudou, as pessoas esquecem-se das suas obrigações e das barreiras de distanciamento e estão coladas na fila das caixas do Continente, na peixaria e no talho”, cenário que assistiu na passada quinta-feira, dia 7. Diz ter reparado que “99 por cento das pessoas não usa luvas no interior da superfície” ,o que, na sua opinião, “é muito importante para nos protegermos”
Diz que a multidão não se verifica só neste espaço. Também na loja do Pingo Doce, na Rua Visconde, as filas e o acumular de pessoas parece também ser uma realidade. “Também verifiquei que ali os clientes circulam na loja muito descontraídos, sem distanciamento e não evitam cruzamentos”. Jorge Santos diz acreditar que a maioria dos sanjoanenses segue as regras à risca, “mas ainda há quem não perceba o perigo que todos corremos”.

“Mercadona com higienização permanente”
Se uns optam por ir sozinhos às compras, há também quem queira ir acompanhado. “O risco que corremos aqui é o que temos numa farmácia, num hospital ou na rua”, refere Simão Resende, que, apesar de não ser sanjoanense, faz as suas compras em S. João da Madeira. “Não uso luvas. É necessária uma atenção redobrada. Uso gel com frequência nestas alturas, pois acho que é mais seguro”. De todos, elege o Mercadona como aquele onde se sente melhor e mais seguro. “Vemos os funcionários a desinfetar sempre os carros, os puxadores. Tudo ali cheira a limpo”. Não tem dúvidas de que de todas as grandes superfícies, que visita com regularidade, “o Mercadona é o único com higienização permanente”.
O surto do novo coronavírus impôs várias limitações ao dia a dia dos portugueses. Simão Resende diz que, na Rua Visconde, tem observado, com frequência, “muitas pessoas na rua, em grupo e a conversarem”. Se por um lado diz compreender, pois “foram muitos dias em casa e as pessoas estão com muita necessidade de voltar a uma vida, que não será a mesma”, por outro, teme o que “por aí virá, se não tivermos mais precauções”.

“Verificação da temperatura dos funcionários”
Em resposta a ‘O Regional’, a Sonae esclareceu que foram mantidos os horários para que os seus clientes possam realizar as suas compras em diferentes horários, “evitando filas e concentrações de pessoas. Estamos a limitar as entradas de clientes nas lojas (cinco clientes por cada 100 m2)”.
Referem também que é dada formação aos colaboradores do grupo, e “recebem diariamente” informação sobre regras básicas de proteção. “Reforçámos a segurança, higiene e limpeza dos locais de trabalho e de toda a loja, bem como a desinfeção de todos os carrinhos de compras, cestos, veículos de transporte de mercadorias e, ainda, de todos os equipamentos que fomentem interações, instalámos barreiras acrílicas de proteção nas caixas e balcões de atendimento”.
A juntar a tudo isto, “é feita a verificação da tem­peratura dos fun­cionários” antes da entrada em loja. “Temos disponíveis doseadores com gel higienizante e estamos também a disponibilizar luvas e máscaras aos colaboradores, assegurando, de forma efetiva, as regras de utilização, conforme recomendação da DGS”, refere a Sonae.

“Iremos continuar a sensibilizar os nossos clientes”
Fonte oficial do Pingo Doce explicou a ‘O Regional’, na sequência das medidas decretadas, que “o Pingo Doce está a proceder ao controlo das entradas nesta loja, assim como em todas as suas lojas, a um máximo de cinco clientes por cada 100m2, por forma a garantir o distanciamento social”. Estas restrições impostas quanto ao número de clientes por loja, “implicaram um alargamento nos horários iniciais das lojas, para que conseguíssemos atender todos os que nos procuravam”.
A mesma fonte refere também que, no interior das lojas, como medidas preventivas que visam garantir o distanciamento social, “foram colocadas fitas no chão ao longo de todos os balcões de atendimento das secções” de modo a marcar a distância entre o balcão e o cliente e colocadas placas de acrílico em todos os check-outs.
Relativamente aos colaboradores, têm ao dispor materiais de proteção, como luvas e máscaras, e fazem uma higienização “reforçada das mãos a cada 30 minutos”. A higienização regular das lojas foi também reforçada, asseguram.
Como nota final, referem que “iremos continuar a sensibilizar os nossos clientes para o cumprimento dos distanciamentos obrigatórios e tudo faremos para continuar a garantir a proteção dos nossos colaboradores e clientes”.

António Gomes Costa

One Response to O vírus é para todos, mas a cautela nem por isso

  • Na minha opinião em São João da Madeira, o supermercado Mercadona, é o único que está a fazer tudo que é possível para nos proteger. Eu mesmo se o Mercadona,não tem cartão com bonus para a gasolina e para a EDP, prefiro abdicar dessas vantagens e utilizar o Mercadona onde me sinto mais protegido.

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