Entrevista com o presidente da Acais: “O edifício II não responde à totalidade das necessidades dos clientes”

Entrevista com o presidente da Acais: “O edifício II não responde à totalidade das necessidades dos clientes”

Trata-se de uma associação com um papel importante na cidade. A ACAIS – Associação do Centro de Apoio aos Idosos Sanjoanenses nasceu há 26 anos para dar resposta a uma forte necessidade na prestação destes serviços. Simplício Gomes de Pinho é o atual presidente da instituição e um dos fundadores desta IPSS, “aberta aos sanjoanenses”, e que tem como objetivo “contribuir como retaguarda das famílias”. Com 36 funcionários e com lista de espera no Serviço de Apoio Domiciliário, o “sonho” é expandir o edifício II, para proporcionar aos utentes mais qualidade de vida num espaço físico que proporcione mais e diversificadas atividades lúdicas, físicas e de lazer aos seus utentes, sempre em “articulação com a família”.

Jornal ‘O Regional’ – O seu nome está ligado a esta instituição desde a sua fundação, em 1993. 26 anos depois, tem hoje a instituição com que sempre sonhou?
Simplício Gomes de Pinho – Sim, com muitos sacrifícios, desde a sua fundação, mas é uma instituição que está aberta aos sanjoanenses que precisam deste tipo de serviço, e isso é uma grande satisfação para mim.

Qual é, afinal, o grande papel da ACAIS na comunidade em que se insere?
Prestar cuidados que satisfaçam as necessidades dos nossos utentes, ajudando a prevenir situações de dependência e promover a autonomia. Ajudar a pessoa idosa, mantendo-a no seu meio habitual de vida. Contribuir como retaguarda das famílias.

Tomou posse como presidente da instituição em Janeiro de 2016. Está no último ano do seu mandato de quatro anos, o que significa que este ano vão realizar-se eleições. Está disponível e pretende continuar a assumir os destinos da ACAIS?
Estou ligado à instituição, como afirmou, desde 1993. Inicialmente, como Presidente da Comissão Instaladora, exerci vários mandatos, quer no executivo, quer nos órgãos deliberativos, isto para dizer que o futuro a Deus pertence!

Em que altura se vão realizar as eleições?
Na data prevista nos Estatutos, que termina no final do ano.

“A reestruturação orgânica da ACAIS foi um imperativo”

Simplício Gomes de Pinho é presidente e um dos fundadores da Acais

Que balanço faz deste mandato e o que considera serem os principais marcos destes últimos quatro anos?
Positivo. Destaco a reestruturação orgânica da ACAIS, foi um imperativo otimizar, racionalizar e reestruturar a orgânica da instituição, o que fizemos a todos os níveis e continuamos a fazer.

Que projetos tem, neste momento, para a instituição?
Pretendemos expandir o edifício II, proporcionando aos clientes mais qualidade de vida, criando espaço físico que permita mais e diversificadas atividades lúdicas, físicas e de lazer.

Uma das possibilidades seria o terreno que pertence à Câmara Municipal e que está ao lado do edifício II?
O edifício referido seria, como é óbvio, edificado no terreno anexo às instalações na Rua Fundo de Vila.

Mas quer com isso dizer que o edifício II já não dá resposta às necessidades da instituição?
O edifício II não responde à totalidade das necessidades dos clientes, preocupa-nos a qualidade e bem-estar dos utentes, não podemos restringirmo-nos à alimentação nem funcionar como um depósito de pessoas.
Desde a sua criação, este edifício apresenta ter poucas salas/espaços para os nossos utentes. Deveriam existir espaços maiores para certas atividades como, por exemplo, ginástica. O nosso professor ou dinamiza a atividade numa sala de atividades, que é manifestamente pequena, ou na sala de estar dos nossos utentes. Outra situação que nos deparamos é a falta de espaço exterior controlado para que possamos realizar atividades ao ar livre ou, simplesmente, passear.

Sabemos que a proposta já foi feita ao Município recentemente e noutras alturas. A autarquia deu alguma resposta ao vosso pedido?
Estamos a aguardar resposta da Câmara Municipal.

“A nossa área de intervenção é o concelho e zonas limítrofes”

Mas a Acais tem ainda o edifício I…
Sim, e continua a funcionar, quer para os utentes do CD e SAD, quer para os beneficiários do Protocolo de Rendimento Social de Inserção.

Dentro da instituição há utentes distintos, que precisam de cuidados diferentes. Como gere a instituição actualmente esta situação?
A cada utente é feito uma avaliação de diagnóstico, que permite avaliar as necessidades e potências de desenvolvimento, sendo recolhidas várias informações sobre o estado de saúde, aspetos relacionados com as capacidades físicas, funcionais e cognitivas.
Depois deste diagnóstico, é feito um plano de acordo com as necessidades e capacidades específicas de cada um, onde são definidos os serviços e atividades a desenvolver. Estas atividades e serviços são reavaliados periodicamente e reajustados sempre que necessário.

Na tomada de posse, referiu que pretendia criar neste seu mandato um Centro de Noite. O que dificultou a realização desse “sonho”?
Neste momento, face ao diagnóstico das necessidades dos nossos utentes, priorizou-se oferecer melhores condições diárias na frequência das nossas respostas sociais.

A vossa área de intervenção sai também fora da cidade…
Sim. A nossa área de intervenção é o concelho de S. João da Madeira e zonas limítrofes. Neste momento, prestamos serviços também a clientes residentes em Cucujães, Arrifana, S. Roque, Milheirós de Poiares e Nogueira do Cravo.

Tem-se verificado cada vez mais novas entidades em S. João da Madeira a investir ao nível da prestação de serviços de Apoio Domiciliário. A Santa Casa da Misericórdia sanjoanense presta estes serviços na cidade, através da nova unidade de Fajões. A capacidade do Apoio Domiciliário da ACAIS tem sido afetada?
Não. Não houve alteração na procura dos nossos serviços.

Serviço de Apoio Domiciliário com lista de espera

Mas a capacidade da Instituição está lotada? Existe lista de espera?
Sim, em ambas as respostas, SAD (Serviço de Apoio Domiciliário) e C.D. (Centro de Dia) estão lotadas. Ao nível do SAD temos lista de espera.

Em Novembro de 2016, durante a apresentação do Plano de Atividades e Orçamento para 2017, anunciava a criação de um centro de acolhimento temporário de emergência para idosos. Esse projeto foi realizado?
O Centro de Acolhimento de Emergência Temporário para Idosos é um projeto a realizar, carece de vários apoios, estamos a diligenciar.

Relativamente ao Projeto Integris, que nasceu na ACAIS, em Dezembro de 2014, baseado num modelo de intervenção social sistémico e direcionado para pessoas com demência, cuidadores, familiares e comunidade. Que procura tem tido esta valência por parte da comunidade?
Este Projeto tem tido a adesão por parte de outras instituições do concelho e zona limítrofes, que solicitam a utilização da nossa sala para intervir com a sua população alvo. Por exemplo, já tivemos instituições cuja população alvo foram os deficientes.

“A ACAIS responde à totalidade dos pedidos feitos”

Em fevereiro de 2013, entrou em funcionamento a Cantina Social na ACAIS. O Governo substituiu, em 2017, o modelo de cantinas sociais pela distribuição de cabazes alimentares aos mais carenciados, recorrendo a fundos comunitários. A vossa instituição chegou a servir mais de meia centena de refeições. Neste momento, são servidas apenas 14. Como justifica esta redução, numa cidade onde existem famílias com fortes carências económicas e pessoas a dormirem na rua?
A ACAIS responde à totalidade dos pedidos feitos à nossa instituição. Sabemos que existem sempre pessoas com carência económica, mas que não reúnem os critérios definidos pela Segurança Social, para serem beneficiários da Cantina Social, usufruindo de outros apoios existentes. Estes beneficiários chegam até nós, ou por iniciativa, e inscrevem-se, e depois da análise técnica, usufruem, ou não, ou são encaminhados por outras entidades.

Os lares e centros de dia nunca servirão de substituição às famílias biológicas. A ACAIS continua a ter utentes a viverem sozinhos, pois muitas famílias não conseguem dar resposta. As famílias visitam os vossos utentes e de que forma acompanham estas situações?
Sim, visitam. Todas as diligências que fazemos é feito em articulação com a família do respetivo utente. Isto, desde alterações do seu estado de saúde, alteração de serviços ou outros. Nada é realizado sem conhecimento/autorização das famílias ou do utente. Faz parte do trabalho da ACAIS, para além de prestar os serviços solicitados, acompanhar a situação sociofamiliar do utente.

Atualmente, quantos funcionários tem a Instituição?
Neste momento temos 36 funcionários.

Qual é a melhor forma de descrevermos o dia-a-dia da instituição?
Com qualidade, procurando obter os melhores resultados e níveis de serviço, tendo como base a satisfação das necessidades dos utentes, assumindo o princípio da melhoria contínua e promovendo a cooperação entre os diferentes serviços. Baseado sempre na ética, orientando as ações tomadas, segundo os princípios de conduta, nas relações com os utentes e colaboradores.
Assumindo o compromisso de assegurar o bem-estar de cada um. Com muito amor e dedicação de todos os colaboradores. O nosso objetivo é que a Felicidade vire rotina. Todos os dias espalhamos Amor, Alegria e boas energias!

Para finalizarmos, qual é, afinal, o grande lema da ACAIS?
É lema desta Direção tudo fazer para procurar assegurar sempre uma gestão criteriosa, de modo a tornar possível que esta instituição cumpra o seu papel, quer com os utentes, quer para a comunidade em que se insere e ao serviço dos que existem.

António Gomes Costa

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