Nobel da Medicina garante que o problema da perda de memória é “fenómeno recente”

Nobel da Medicina garante que o problema da perda de memória é “fenómeno recente”

Eric Kandel, Prémio Nobel da Medicina em 2000, foi o convidado central da conferência sobre o futuro dos cuidados de saúde realizado pelo Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga. Manter uma vida activa, cuidados com a alimentação, caminhar é o que o “mestre” sugere.

Alguns oradores com Eric Kandel, Prémio Nobel da Medicina em 2000

“O problema da perda de memória é fenómeno recente, decorrente do aumento da longevidade”. A frase é de Eric Kandel, Prémio Nobel da Medicina, em 2000, durante a conferência sobre o futuro dos cuidados de saúde «The Future of Healthcare», que celebra o 10º Aniversario da criação do Centro Hospitalar entre Douro e Vouga (CHEDV) e o 20ª Aniversário da abertura do Hospital de S. Sebastião, em Santa Maria da Feira, que, além deste agrega ainda o Hospital de S. João da Madeira e de Oliveira de Azeméis.
Considerado “o neurocientista mais influente do século XX”, o especialista americano assumiu, na tarde da passada quinta-feira, dia 31, no Centro de Congressos do Europarque, em Santa Maria da Feira, para uma plateia com mais de 1200 pessoas, na sua maioria profissionais de saúde, que “não há como a interacção humana, por exemplo, com a mãe e o pai”, tudo isto num um contexto de manter o cérebro saudável.
A conferência promoveu o debate sobre a humanização na prestação de cuidados de saúde sobre o crescente papel das novas tecnologias no sector e abordou também temáticas ligadas às neurociências. O nobel abordou ainda os mecanismo da memória e sobre a investigação que tem conduzido a respeito da “perda da memória”, em particular com o avançar da idade. “Uma das melhores coisas que se pode fazer é caminhar duas horas por dia”, garantiu o cientista.
Além da importância do exercício físico, referiu-se à importância de uma alimentação equilibrada e saudável, o controlo de factores de risco, como a hipertensão e a diabetes, juntando a tudo isto o treino da mente, através do estímulo representado por “desafios intelectuais”, e ao “envolvimento social”.
O Prémio Nobel destacou ainda a lentidão no combate à doença de Alzhiemer: “o cérebro é o mais complexo dos órgãos”, afirmou, para justificar progressos que na sua opinião se desenvolvem de forma lenta.

“Sonhar com o futuro que seja ainda melhor”

Depois da sessão de abertura, foi dedicado um breve momento aos representantes dos municípios, que estão na áreas de influência do CHEDV, tendo Irene Guimarães, vereadora do Município de S. João da Madeira, participado da conferência, destacando os 40 anos de existência ao Serviço Nacional de Saúde, dos 20 anos do Hospital de S. Sebastião e, ainda, os 10 anos do Centro Hospitalar. ”Motivos suficientemente fortes que nos impelem a honrar o passado e a sonhar com o futuro que, todos queremos, seja ainda melhor”. A vereadora realçou, ainda, o “grandioso trabalho realizado por todas as mulheres e por todos os homens”, profissionais de saúde, “o qual se repercute, de forma indelével, na nossa qualidade de vida. Sabemos que qualidade de vida e saúde são termos indissociáveis. A qualidade de vida surge de tal forma associada à saúde que é difícil saber onde termina uma e inicia outra”, assumiu
E, porque ali se falava do futuro, a representante do município disse acreditar que o processo de humanização implica a evolução do Homem. “Poderemos associar a mesma humanização à rapidez no acesso aos cuidados de saúde; à garantia de cuidados de qualidade; à participação nas decisões e respeito pelas suas preferências; ao acesso a informação clara e compreensível; ao apoio à autonomia; à existência de amenidades; à ajuda emocional, empatia e respeito; ao envolvimento de familiares e cuidadores; à disponibilização da continuidade de cuidados”, rematou.

40 anos de SNS

Raquel Duarte, secretária de Estado da Saúde, enalteceu os 20 anos de “provas dadas” do Hospital feirense, e destacou a capacidade de um Centro Hospitalar que “soube criar” um Centro de Responsabilidade Integrada para combater a Obesidade e ser dos que abraçaram o programa de hospitalização domiciliária. A representante do Governo recordou que o SNS celebra 40 anos este ano e assumiu que “pode fazer melhor”, até porque – entende – vai dando provas de capacidade de inventar novas soluções, como os cuidados continuados, os paliativos, o programa de saúde oral e o internamento em casa.

“Coragem, visão e capacidade de tão arrojado projeto”

Por sua vez, Miguel Paiva, Presidente do Concelho de Administração do CHEDV, salientou que 20 anos do Hospital S. Sebastião e 10 anos de Centro Hospitalar são datas que merecem ser celebradas. “Demonstram que, no passado, houve quem tivesse a coragem, a visão e a capacidade de concretizar tão arrojado projecto: o de construir um hospital com a dimensão do S. Sebastião, numa das regiões mais dinâmicas do país, sob o ponto de vista económico”.
O presidente do CHEDV realçou também que “somos pioneiros” no modelo de gestão, que serviu de inspiração para “muitos processos de melhoria e de mudança, tanto no sistema de saúde como em várias instituições congéneres”, mas, principalmente, “desempenhamos um papel nesta comunidade que permitiu salvar muitas vidas, melhorar ou mitigar a dor de tantas outras e trazer uma sensação de segurança a todos, pois passaram a saber que dispunham de uma instituição do SNS com elevada capacidade resolutiva e que estaria sempre pronta e disponível quando fosse necessário”. Miguel Paiva lembrou a criação do Centro de Responsabilidade Integrado na área da Obesidade, e assegurou que os resultados da Unidade de Cirurgia de Ambulatório de S. João da Madeira “só são possíveis porque temos uma dimensão que permite que haja 7 serviços cirúrgicos a recorrer naquela unidade, algo que um pequeno hospital, isoladamente gerido, nunca conseguiria atingir”, rematou.

António Gomes Costa

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