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Marca de calçado vegan surge em plena pandemia

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Em plena pandemia, no primeiro semestre do ano passado, nasceu um novo negócio da área do calçado — Treec — partindo de um conceito inovador. Calçado feito a partir de cortiça, pele de catos, algodão orgânico e até borra de café.

Fundada por dois irmãos, naturais de Nogueira Cravo, mas com grande ligação a S. João da Madeira, a Treec surgiu da proximidade ao setor, bem como da identificação da necessidade de haver calçado mais sustentável. O timing não teve influência da pandemia e as circunstâncias também não os desmotivaram.
“Crescemos já dentro da indústria do calçado e, portanto, achamos que havia necessidade de criar um conceito de moda que tivesse a preocupação ambiental”, refere Rui Silva a ‘O Regional’.
Nem Rui, nem Filipe Silva, tinham experiência direta no setor do calçado, apenas conhecimento adquirido com “contactos familiares”, como explica, acrescentando que esse conhecimento permitiu identificar uma “escassez no que diz respeito a alternativas sustentáveis”. Além disso, houve a vontade de “aproveitar o bom saber do que se faz em Portugal”.
“Estamos também num momento em que é preciso tomar opções de consumo mais sustentáveis”, salienta Rui Silva. “Decidimos aproveitar a vantagem competitiva por sermos da zona”, acrescenta, esclarecendo que o calçado é feito em S. João da Madeira.
A primeira coleção partiu da cortiça, que tem “excelentes propriedades, impermeabilidade, resistência e flexibilidade”. Entretanto, surgiram outros materiais para trabalhar, como a pele de catos e o algodão orgânico. “Outro aspeto onde procuramos inovar foi nas solas”, afirma Rui Silva, acrescentando que, “em grande parte dos modelos”, são reaproveitados “materiais da indústria que, de outra forma, não seriam usados”. “Damos um look distinto às solas e, ao mesmo tempo, estamos a apostar na economia circular”, indica Rui Silva, salientando que também usam borra de café. Assim, os cafés que têm esse “desperdício”, que deixa de ter uso, veem a possibilidade de ver a borra usada “para a indústria da moda”.
Segundo Rui Silva, “nota-se que existe — principalmente no mercado nórdico ou Canadá — interesse dos lojistas em terem estes produtos mais amigos do ambiente”.

Todos os ar­tigos dis­po­níveis, em versão in­te­gral, na edição nº 3849 de O Re­gi­onal, pu­bli­cada em 24 de junho de 2021.

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