Natação ADS/Fepsa

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Estes dias: até podia parecer sossego, caso não fosse haver um estranho desassossego
Algo, sem ossos nem pensamentos, se estendeu silencioso sobre o nosso planeta;
Sabemos ao olhar as ruas sem caminhos que aguentamos sem caminhar;
Pela janela sabemos do sol brilhante e das nuvens divertindo-se no céu;
Mas, sem Natação, inquietas, acordam todas as nossas madrugadas.
De manhã:
Enquanto pequenas tristezas olham o silencioso orvalho da erva,
Desejamos, rápido, que à água, voltemos pra Nadar.
Neste pontual vazio, em que ponto está a nossa Natação? E no significado desse vazio em que ponto nas nossas vidas? Enquanto atletas, pais, treinadores e dirigentes, caso se passem 100 dias, quem seremos?
Acreditamos que um só dia seja o quanto basta para repor tudo: para repor o ponto da nossa entrega; repor a alegria dos momentos que fazíamos juntos; repor o gosto pela água e pelo exercício; repor a oportunidade de realizar um todo cheio de manhãs lindas e de realizações absolutas; repor o calor que sentíamos quando tivemos que parar; repor aquele momento difícil em que questionámos, em que algo doeu, mas que foi superado, nada foi em vão.
Sem querermos outras associações que não sejam a de voltarmos a estar juntos, e de construir a nossa equipa de Natação, voltaremos ao nosso universo de oportunidade, tipo ir mais além! Isto significa a nossa vida, o nosso tempo, o que nos completa como pessoas e como grupo; o que é agora; o que queremos alcançar, o isto é isto.
Quantos já não foram os que criaram Natação? Os que ergueram escolas? Os que sonharam jardins, paisagens e um ar rarefeito; os por isto fizeram meditação e respiraram profundamente? E entre filhos, amigos e filósofos, como assim somos poucos, poucos os que se deixam absorver pela experiência maior. Até, talvez, tenhamos todos vindo da água, numa de evolução e sobrevivência. Mas, quantas civilizações perdidas depois disso? Quase tudo o que fizemos originalmente perdeu o agora, o Homem superou-se e ficou moderno, a Natação não! A Natação cresce e abraça-nos; e faz de nós o animal terreno que aprende a ser feliz nadando.
Não nos enganamos quando sentimos e pensamos, quando é só isso sem palavras nem ideias, quando algo nos liga a um insondável mistério e não precisamos nem de factos, nem de significados, só precisamos de nos entregar; onde não precisamos adquirir nada e nada é preciso guardar; apenas dar atenção ao que fazemos, ao que experimentamos, ao que sentimos, ao que realizamos. Dia a dia a vida que somos, água, respiração, e corpo, e um abundante mais nada.
Todos podemos ter diferentes maneiras de ver a Natação, diferentes maneiras de a recebermos e diferentes maneiras de lhe retribuir os préstimos. Somos nadadores, pais, treinadores ou dirigentes. Todos amamos de formas diferentes. Nadar, deixar nadar, ensinar a nadar e criar propícios; sentidos, ondas, profundidades. Todos: âmago e luz, liberdade e permanência.
O que somos depois de termos sido macacos balanceando nas árvores à procura de frutos? Associando ramos com ramos, sem grandes ideias nem ilusões? E hoje, onde entre passado e futuro tudo é imediato, ou consciência e subtis apegos – e onde, um inevitável invisível que obriga a desertos e distâncias, fez este agora (sem abraços), sabemos o que fomos, mas seremos o quê?
Gostamos da visão de voltarmos; tome-se a vontade. Retomem-se a água e os fatos de banho; recriem-se os leitos dos rios, os sóis, as luas, os amigos. Retomem-se o esforço interrompido e a vitalidade. Depois a essência dos dias, a prática, a respiração, as braçadas; logo-logo, o corpo e a mente desdobrando vezes e vezes o nosso espaço interior, onde não se acumulem mais desnecessários. E seremos o incessante gérmen cumprido do milagre de sermos nós a Natação: afinal tão simples.

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