Mais de uma centena de carros abandonados na cidade

Mais de uma centena de carros abandonados na cidade

Apesar dos esforços, continuam a existir pelas ruas de S. João da Madeira cerca de uma centena de viaturas abandonadas, algumas delas verdadeiras carcaças já vandalizadas. A PSP confirma a participação de muitos moradores, mas garante que o processo nem sempre é fácil de resolver e que até pode arrastar-se durante vários anos.

Em S. João da Madeira existem mais de cem viaturas abandonadas nas ruas. Os números são avançados pela PSP, que luta todos os dias com um problema que se arrasta há vários anos e, ao que parece, nem sempre é fácil de resolver, principalmente, quando as mesmas estão estacionadas em terrenos privados ou já não possuem documentos.
Hélder Andrade, Comissário da PSP de S. João da Madeira, mostra-se preocupado com este “impacto visual, ambiental e de saúde pública” e confirma “muitas reclamações” nesta esquadra por parte de moradores, que alertam para a existência de viaturas paradas no mesmo local há vários dias e que, inicialmente, até se confundem com um estacionamento normal.
“Este é um problema típico na sociedade portuguesa. As viaturas apodrecem na rua, ninguém sabe de quem são e que juntas vão contribuindo para aumentar possíveis focos de vandalismo”, refere Ana Maria, residente na Rua Elísio de Moura, que tem o exemplo de várias viaturas em frente da sua casa, num terreno que “não se sabe a quem pertence e que serve de parque de estacionamento e de entrada para as garagens de um prédio”.

“Cancro ambiental”

Esta moradora assegura tratar-se de “um cancro ambiental e urbano de insegurança, da responsabilidade da Câmara de S. João da Madeira, que parece nada fazer para resolver o assunto”.
Numa ronda pela cidade, rapidamente nos apercebemos de muitas outras viaturas, algumas delas em total estado de degradação, uma com o seguro atualizado e com uma mensagem no seu interior a informar que a mesma “não tem travões” e muitas outras com os pneus vazios.
Em Fundo de Vila, Luís Pinho assegurou-nos que “o problema é antigo. As viaturas são velhas, vão mudando pontualmente de lugar, para não serem multados”. Entende que a autarquia deveria ser mais rigorosa e até dispor “de um terreno para a entrega de carros em fim de vida”, remata.
Ao que ‘O Regional’ apurou, a recolha destas viaturas que permaneçam há mais de 60 dias no mesmo lugar e apresentem sinais de abandono, “é da responsabilidade” da Câmara Municipal, e os processos têm que cumprir com a legislação em vigor. Assim sendo, até um veículo ser rebocado pode passar de meio ano. Tudo isto se o proprietário, entretanto, não mudar o veículo de lugar. Se isso acontecer, o processo de notificação volta novamente ao início.
Segundo soubemos, grande parte destas viaturas “não têm documentos”, o que “impede a remoção de um local privado ou mesmo o abatimento da mesma”, por parte da PSP. Um outro problema são as penhoras que a maioria destas viaturas tem, o que “dificulta em 200 por cento” todo o processo, e as “respostas aos pedidos demoram muito tempo a chegar”, refere fonte policial.
A mesma fonte revela ainda que estas viaturas, ao serem removidas pela PSP, não podem ir para um local qualquer. “Tem que ir para um espaço fechado, tem que ter proteção ambiental, o espaço tem que ser vigiado” e isso, para já, ainda não existe em S. João da Madeira, assume fonte da PSP.
Segundo apurámos, a PSP tem vindo a resolver situações recentemente de viaturas que se encontravam no parque desta Esquadra há cerca de 10 anos.
“Trata-se de viaturas sem grande valor venal, muitas delas, muitas vezes, não têm documentos, e em alguns casos os proprietários até já faleceram”.
A nossa reportagem tentou uma reação sobre este assunto mas as respostas às nossas perguntas não chegaram em tempo útil.

António Gomes Costa

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