Hat Weekend arranca com mural de arte urbana

Hat Weekend arranca com mural de arte urbana

A terceira edição do Hat Weekend já mexe com a cidade. Esta semana, o artista Andrés Lozano deu início à intervenção do muro próximo do campo de lazer da Cooperativa 11 de Outubro, onde criará um mural inspirado na história de S. João da Madeira e da sua indústria, projectando também o futuro. Este mural irá integrar o circuito de arte urbana iniciado no ano passado.

Em Julho, o Hat Weekend – Festival do Chapéu regressa a S. João da Madeira, para celebrar novamente o Chapéu e a tradição da indústria chapeleira da região, numa organização da Câmara Municipal, com apoio de fundos comunitários do programa Norte2020. Sob o tema «S. João da Madeira, cidade dos chapéus», um Circuito de Arte Urbana, comissariado pelo Canal 180, ligará diferentes zonas da cidade, onde vários artistas vão trabalhar com a comunidade para criar obras de arte que espelhem as marcas de identidade desta cidade.
O primeiro mural começou a ser intervencionado esta semana, no muro próximo do campo de lazer da Cooperativa 11 Outubro, pelo artista espanhol Andrés Lozano.
“Sendo o Hat Weekend um festival que se dedica a homenagear o chapéu e os chapeleiros, e esta indústria, que ajudou a desenvolver S. João da Madeira, nada melhor do que chamar a própria comunidade para ser elemento participativo das obras que vamos desenvolver”, sublinhou Joana Galhano, directora do Museu da Chapelaria.
Neste sentido, Andrés Lozano, que chegou a S. João da Madeira na passada terça-feira, dinamizou, logo na mesma manhã, um workshop com as crianças e jovens do Centro de Acolhimento da Santa Casa da Misericórdia, do qual “já saíram resultados interessantes”, tendo estado à tarde em contacto com os moradores da Cooperativa 11 de Outubro.

Andrés Lozano e Tatiana Boyko (ao centro) com moradores da Cooperativa 11 de Outubro

“Com os vossos contributos, esta obra será ainda mais enriquecida”, disse Joana Galhano aos sanjoanenses que responderam ao desafio e partilharam com o artista algumas das suas memórias e ideias sobre a história da cidade, na tarde da passada terça-feira.
Andrés Lozano explicou que no mural que está a criar, com o apoio da ilustradora Tatiana Boyko, e que será inaugurado no próximo sábado (13 de Abril, às 15h00), irá procurar “transmitir” o que aprendeu no Museu da Chapelaria e dos contributos dos sanjoanenses, procurando associar “a história de S. João da Madeira e dar uma imagem de um futuro possível”. No workshop com as crianças e jovens, o artista pediu que desenhassem imagens de “S. João da Madeira há 100 anos atrás e 100 anos no futuro”, pelo que pretende que o mural “transmita um pouco a história da cidade e um possível futuro”, centrando-se ainda no “património de S. João da Madeira”.
Um dos elementos centrais do mural será a “chaminé”, elemento que marca o horizonte da cidade e remete para a forte industrialização, assim como os edifícios industriais que foram entretanto reconvertidos, como o do Museu da Chapelaria e o próprio complexo da Oliva, mas que “vão ficar sempre como monumentos à indústria”.
Aos moradores da Cooperativa 11 de Outubro, Andrés Lozano deixou a esperança de que “o mural conviva bem com esta comunidade”.
“Trazer um olhar de fora para a cidade é muito importante e acresce valor”, sublinhou Joana Galhano. A directora dos museus da Chapelaria e do Calçado adiantou que, até ao primeiro dia da edição deste ano do festival Hat Weekend – que vai decorrer de 19 a 21 de Julho – serão criados mais três murais de arte urbana, todos em diferentes pontos da cidade, numa aposta de envolvimento das comunidades e “descentralização” da iniciativa, que arrancou no ano passado com o mural criado por Mariana, a Miserável, junto ao Museu da Chapelaria.

Programa começa a ser conhecido
O festival chapeleiro e a magia de Mário Daniel
A terceira edição do festival Hat Weekend vai trazer às ruas da cidade dezenas de propostas artísticas que, da música à performance, ou das artes visuais ao ilusionismo, actualizam a história daquele que é o símbolo máximo da cidade.
Na lista de primeiras confirmações, o ilusionista Mário Daniel, o coletivo Kumpania Algazarra e o espetáculo de comunidade Lúmen.
Consagrado mágico, conhecido do grande público através da televisão, Mário Daniel apresentar-se-á, pela primeira vez, em S. João da Madeira para estrear um espectáculo único. «Stand-Up Magic» é uma encomenda especial do festival e juntará o ilusionismo ao já característico sentido de humor do artista. Pensado para todas as idades e especialmente vocacionado para o público familiar, a apresentação será ainda pautada por efeitos visuais e intervenções multimédia.
É da mistura entre marionetas de grande escala e as ideias e participação da comunidade que nasce Lúmen – Uma História de Amor, uma produção de teatro da S.A.Marionetas – Teatro & Bonecos de Alcobaça. Envolvendo, a cada apresentação, cerca de 80 participantes, o espetáculo ilumina a noite através de uma narrativa musical e de movimento, onde todos os que assistem participam. Personagens com cinco metros de altura deambulam perto do património edificado contando histórias que se confundem com as locais.
E porque não há festival de rua que viva sem a música, o Hat Weekend contará com os Kumpania Algazarra, brigada maior da música em formato fanfarra do panorama nacional. Saltimbancos, filhos da estrada e do vento, músicos em folia permanente submergidos num cocktail de música animada, as suas combinações de notas musicais formam um rendilhado de culturas, onde estão presentes, de forma conjugada ou separada, os sons balcânicos, árabes, latinos, africanos, o ska e o funk.
A programação total do Hat Weekend será revelada ao longo dos próximos meses.

Joana Gomes Costa

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