«Grândola Vila Morena» foi cantada à janela

«Grândola Vila Morena» foi cantada à janela

Um pouco por todo o país, comemorou-se o 46.º aniversário do 25 de abril, com restrições e distanciamento social. O Estado de Emergência nacional obrigou a recorrer a formas originais para registar a data. E nisso os portugueses são originais!
A nível nacional foi lançado o repto para que às 15h00 todos viessem à janela de sua casa e cantassem o «Grândola Vila Morena». Em S. João da Madeira houve quem aceitasse o repto, como, por exemplo, a Tuna d’Os Voluntários de S. João da Madeira, que da janela da sede da instituição fez ecoar os acordes da música de Zeca Afonso.
No passado sábado, comemoraram-se os 46 anos da revolução de abril. No dia em que se celebrou a democracia, e pela primeira vez na história, os portugueses estiveram privados de o fazer em liberdade. O Estado de Emergência nacional, imposto na sequência da pandemia da Covid-19, obrigou a que fossem canceladas as tradicionais comemorações. No entanto, a data não foi esquecida e foram diversas as iniciativas por todo o país, onde S. João da Madeira não fugiu à regra.
Segundo reza a história, na noite de 24 para 25 de abril de 1974, a rádio divulgou duas senhas: a primeira era “e depois do adeus”, de Paulo de Carvalho, transmitida pelos Emissores Associados de Lisboa. A segunda seria a música de José Afonso, que a Rádio Renascença tocou. O primeiro sinal destinava-se a preparar as tropas para a saída, e o segundo o início das operações. E assim, se dava início a uma das páginas da história mais recente de Portugal.
Entretanto, ao longo da semana passada, foi lançado o repto, a nível nacional, para que às 15h00 do dia 25 de abril todos viessem à janela e cantassem um dos símbolos da liberdade, a música «Grândola Vila Morena» de José Afonso.
E foi isso que a Tuna d’Os Voluntários de S. João da Madeira fez. Cerca de dez elementos da instituição aceitaram o repto e entoaram os acordes do «Grândola Vila Morena», à hora prevista, juntando-se assim a uma onda nacional, e também local, até porque o município também aderiu à iniciativa e colocou duas viaturas a circular pela cidade com a música de Zeca Afonso.
O momento ficou registado, e os portugueses, e os sanjoanenses em particular, celebraram a data de forma original.
Para a presidente da direção da Tuna, Minda Araújo, que aderiu à iniciativa, referiu a ‘O Regional’ que “devemos sempre lembrar e reforçar os ideais do 25 de abril”, e foi por isso que “a Tuna, mais uma vez, quis marcar presença numa iniciativa que lembra a revolução dos cravos”.
Segundo a presidente da instituição sanjoanense, “participámos de uma forma segura, interpretando o tema com o necessário distanciamento social recomendado. Gostaríamos de ter podido alargar a mais tunantes mas, infelizmente, as contingências não o permitiram”.
Sobre o 25 de abril, deixou o desejo de “que os ventos da liberdade e da paz soprem sempre em todos os cantos deste país e no mundo. Que milhares de mãos se levantem com convicção e amor na defesa da liberdade e na paz no mundo. Viva o 25 de abril. Viva a liberdade”, concluiu.

Paulo Guimarães

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.