Ginásios temem encerramentos em massa caso não haja apoios

Ginásios temem encerramentos em massa caso não haja apoios

Em S. João da Madeira, como no país, os ginásios continuam sem previsão para reabrirem. E temem um fecho massivo. Estão sem receitas nenhumas, apelam a medidas de incentivo ao Governo e a uma reabertura breve. Mesmo com isso, preveem que só em setembro os alunos começarão a regressar.

Os ginásios de S. João da Madeira, como no resto do país, continuam fechados, depois da resolução do Conselho de Ministros que declarou estado de calamidade incluir a manutenção do encerramento de ginásios e academias. Sem data de previsão de reabertura, sem apoios e prevendo já o receio de muitos clientes em ir treinar quando finalmente puderem abrir, os ginásios temem o fecho definitivo.
Apenas estão permitidas, neste momento, aulas ao ar livre com um máximo de cinco alunos, e sem a utilização de balneários, o que não resolve o drama que os ginásios, sem receitas, estão a viver. Em S. João da Madeira, há 11 negócios licenciados à espera do que aí vem. O FreeStyle fechou portas a 13 de março e cancelou as mensalidades a 1 de abril. Vera Valente, sócia do ginásio, diz sem pudor: “Está em risco a reabertura. As dificuldades são estarmos sem receitas nenhumas”. Critica o facto de não haver uma previsão para a reabertura, mas também sabe que mesmo voltando a abrir portas, a adesão será residual: “Se abrirmos em junho, estou a contar ter 40% de reinscrições. A afluência vai, naturalmente, baixar. A malta vai continuar a treinar online com o medo de vir. E facilmente se vai ao Youtube hoje e se encontram planos de treino em cada canto e esquina”.
A Associação dos Ginásios de Portugal (AGAP) já propôs um plano de medidas ao Governo em meados de abril. “A nossa esperança no meio disto tudo é que essas medidas sejam aceites e nos ajudem a recomeçar. Só é viável se houver incentivos”, diz Vera Valente. A AGAP propôs uma reabertura que cumpra as medidas de distanciamento, nomeadamente uma pessoa a treinar por cada quatro metros quadrados, reduzir para metade os equipamentos de cardio, espaçamentos entre as aulas de grupo para higienização, não utilização dos balneários. Também apelou a uma redução do IVA de 23% para 6%.
“Mesmo com estas medidas, será difícil. Por exemplo, à hora de almoço é para esquecer, porque as pessoas vinham com o tempo contado já a contar com banho”, explica Vera, que acredita que 60% dos utilizadores não vão voltar numa primeira fase. “Quando muito, começarão a regressar em setembro. Se não tivermos apoio até lá, fechamos. Nós e a maior parte dos ginásios”. Com as medidas propostas pela AGAP, conseguiria ter cerca de 50 pessoas dentro do ginásio ao mesmo tempo. “Não é mau, mas será sempre difícil gerir as horas mais preenchidas, as pessoas teriam que marcar previamente ou ficar à porta à espera. Mas sempre era melhor do que estarmos fechados”.

Setor apela ao Governo
José Carlos Reis, presidente da AGAP, alerta que os ginásios são um setor promotor da saúde. Em declarações à Sic Notícias, sublinhou que os clubes em Portugal têm cerca de “700 mil portugueses a treinar diariamente e 17 mil colaboradores”. “É um setor vital para a saúde e bem estar de todos os portugueses. Não percebemos não ter havido nenhuma referência ao nosso setor, por isso pedimos medidas específicas que nos ajudem a sobreviver nesta fase difícil”, afirmou.
António Azevedo, do Gimnofísico, em S. João da Madeira, diz que tudo atualmente é uma incógnita e apela a uma reabertura breve. “Estamos todos à espera que o Governo e a Direção Geral de Saúde digam quando e como poderemos reabrir. Não depende de nós”, diz quem garante que serão precisos “apoios para que os ginásios se possam aguentar”. Parou com a cobrança das mensalidades, porque o serviço não está a ser prestado, e está “sem fonte de receita”, mas tem esperança: “Espero que não haja encerramentos”.
Sendo a reabertura anunciada pelo Governo, António Azevedo também teme “o medo dos clientes em voltarem”. “Mesmo que os ginásios abram, se calhar não vai haver pessoas suficientes para aguentar a despesa. É tudo muito incerto”, afirma ele, que avisa que serão precisas regras claras por parte do Governo para assegurar a reabertura em segurança: “Não temos indicações nenhumas, é preciso pôr tudo no papel bem escrito, para vermos o que podemos fazer ou não. E passarmos a informação aos clientes”.

Catarina Silva

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