Em Abril, partidos pedem apoio para trabalhadores e empresas

Em Abril, partidos pedem apoio para trabalhadores e empresas

A 25 de Abril, da esquerda à direita, as várias forças políticas pediram medidas de apoio para desempregados, trabalhadores e empresas para mitigar os efeitos da pandemia de Covid-19. O PSD criticou a estagnação da cidade e o autarca Sequeira reconheceu o tempo “difícil e complexo” que se vive.

A 25 de Abril, os discursos em S. João da Madeira fizeram-se através de um vídeo publicado nas redes sociais, mas os apelos das várias forças políticas quase se podiam ter feito em uníssono. Em dia de Liberdade, pediram-se medidas de apoio para desempregados, trabalhadores com quebras nos rendimentos e empresas para mitigar o impacto da pandemia. O PSD apelou mesmo a que a Covid-19 não seja desculpa para “continuar a estagnação na cidade”. Já o PS e a Autarquia sublinharam a esperança no futuro.
Os discursos começaram à esquerda, com o PCP-PEV a exigir medidas para travar os despedimentos em massa, mas também a pedir apoio para as micro, pequenas e médias empresas. “Faz 46 anos que caiu o regime fascista em Portugal. Durante quase 48 anos fomos governados por uma corja que prendeu mais de 30 mil portugueses, torturou e assassinou muitos cidadãos”, recordou o deputado Jorge Cortez, que sublinhou que o país vive hoje “uma situação excecional” que não pode ser ignorada e que “põe em risco a saúde coletiva”.
Apesar de considerar que a saúde é prioridade, Cortez avisou que “não é preocupação menor o aproveitamento que está a ser feito do Estado de Emergência, a servir de pretexto para despedimentos”. “Exigimos a defesa e salvaguarda dos trabalhadores, onde incluímos os recibos verdes e o apoio às micro, pequenas e médias empresas”, afirmou o deputado comunista, que garantiu que sempre fará dos valores de Abril “uma afirmação de esperança no futuro”.
O apelo do CDS não foi muito diferente, pela voz de Manuel Luís Almeida, que recordou a liberdade conquistada em 1974, para lamentar a decisão da Direção Geral de Saúde “de proibir a comunicação por parte das Autarquias de dados estatísticos”. “Nesta conjuntura, ninguém possui o direito de restringir ou manipular dados estatísticos”, alertou.
O representante do CDS apelou a “medidas de proteção aos mais vulneráveis”, incluindo idosos, jovens, crianças, desempregados, famílias, e mostrou-se preocupado com a situação socio-económica que virá. “Consideramos ser altura de programar medidas temporárias de diminuição de taxas e impostos municipais”, afirmou quem também exigiu apoios para o “relançamento do tecido empresarial”, antevendo já um “desastre económico de proporções inimagináveis”.

PSD critica “estagnação”
Em dia de festejos de liberdade e democracia, ainda que confinados em casa, o PSD não deixou de criticar, nas palavras de Susana Lamas, uma cidade parada no tempo, estagnada, suspensa.
A deputada social-democrata destacou que o seu partido apresentou propostas ao Executivo para mitigar os efeitos da pandemia. “É certo que será necessário encontrar respostas para os problemas que os sanjoanenses e as nossas empresas enfrentarão”, afirmou, para acrescentar que “a cidade e os sanjoanenses precisam de recuperar rapidamente o patamar socioeconómico a que se habituaram”.
O PSD exigiu a criação de “linhas que fomentem o retorno sustentado das atividades económicas da cidade”. E referiu que “urge dotar as famílias e as instituições de meios que lhes permitam vencer estes tempos difíceis”. Susana Lamas recordou que “S. João da Madeira é uma cidade de empreendedores”. “É imperativo retirar a cidade deste adormecimento. Não podemos continuar estagnados, parados no tempo. Não podemos permitir que a Covid-19 sirva de desculpa para continuar a estagnação. Não podemos permitir que este vírus impeça a mudança”, rematou.

“Tempo difícil e complexo”
O presidente da Câmara, Jorge Vultos Sequeira, sublinhou o “tempo especialmente difícil e complexo” que se vive e referiu que a forma de superar esta crise assenta na “solidariedade e cooperação”. O autarca aproveitou para agradecer a médicos, cientistas, bombeiros, polícias, proteção civil, militares, “e todos aqueles que asseguram a continução dos serviços essenciais para o funcionamento regular da cidade”.
O edil alertou que, nos tempos atuais, “a liberdade é fundamental”. “Sem a liberdade, por exemplo, o direito à informação, tão vital neste momento, não existiria, o que bloquearia o progresso científico e o conhecimento pelos cidadãos das características e da evolução da doença”, avisou. Sequeira lembrou que em S. João da Madeira também se lutou por Abril: “Saibamos hoje, em liberdade e cooperação, vencer a batalha contra esta pandemia. Animados de um desígnio fundamental: jamais deixar alguém para trás”.
Rodolfo Andrade, em nome do Partido Socialista, reconheceu que vivemos hoje “uma fase triste da democracia e da liberdade” e aproveitou para alertar, em dia de celebração da Revolução dos Cravos, para os “discursos xenófobos” e para o “radicalismo de ideias” que está a marcar a agenda atual. O socialista prevê “um clima de luta económica sem precedentes”. “Este será um ano atípico, que nos obrigará a questionar os modelos económicos. Um ano de expectativas forjadas”, observou, para logo dizer: “as nossas responsabilidades são maiores, os sanjoanenses precisam efetivamente de nós. Temos a obrigação de proporcionar uma vida digna e justa aos cidadãos”.
Rodolfo Andrade garantiu ainda que “podemos confiar neste Executivo, com a certeza de que todos estão a dar o seu máximo para garantir a segurança e a estabilidade social”.
Já a presidente da Assembleia Municipal preferiu um discurso de esperança, num momento em que estamos “livremente presos nas nossas residências, é tempo de agradecer e enaltecer o valor de outras prisões sofridas por aqueles que a elas se sujeitaram para nos oferecer a liberdade”. Clara Reis mostrou confiança de que “vamos ultrapassar esta fase” e agradeceu “a todos os sanjoanenses por respeitarem as orientações” com “responsabilidade e civismo”.

Catarina Silva

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