Educação

Primeiro dia de aulas com confiança e sem ansiedade

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O ano letivo arrancou na última sexta-feira sem incidentes nos diferentes agrupamentos de São João da Madeira, de acordo com as três diretoras. Entre os alunos que iniciaram o 1.º ano, muitos mostraram-se confiantes e sem ansiedade, apesar da novidade.
De mochila e material escolar novo, Clara Ribeiro, de seis anos, foi uma das muitas alunas que entrou para a escola este ano. À entrada do estabelecimento de ensino do Espadanal, não escondeu a ´O Regional´ o seu entusiasmo. “Não estou nada nervosa”, garantia, sob o olhar atento da mãe, que admitia alguma “ansiedade” perante esta nova etapa da filha. “Quero aprender e estudar muito, participar em várias atividades extracurriculares”, assumia.
No final do primeiro dia de aulas, Clara vinha cheia de histórias para contar. “Gostei muito da escola. Tem uma cantina muito grande, tinha muitas sopas, muitos meninos do primeiro ao quarto ano. Era muito diferente da escolinha das Travessas, onde eu andava”.
Do primeiro dia de aulas, Clara leva o sorriso da professora e de um dia “bem passado” com os novos amigos.
Apesar de já saber ler e escrever “alguma coisinha”, Clara diz que será nesta escola que vai aprender mais e ser feliz. “Já sei juntar as letras”, exemplificou, formando palavras. “Temos que saber ler para perceber o que responder quando nos fazem perguntas”, enfatiza a futura enfermeira, que sonha ajudar pessoas doentes.
Como em todos os inícios de setembro, as famílias sanjoanenses mobilizaram-se nas últimas semanas para garantir manuais e materiais escolares. Hoje, a lista inclui também tecnologia, cada vez mais presente nas salas de aula.
Segundo dados da Divisão de Educação da Câmara Municipal de São João da Madeira, as escolas da rede pública prepararam-se para o arranque do novo ano letivo.
Relativamente à educação pré-escolar, estão matriculadas 488 crianças. No ensino básico, o 1.º ciclo regista 1091 alunos, o 2.º ciclo conta com 661 e o 3.º ciclo com 1032. No ensino secundário, foram inscritos 1389 estudantes, enquanto na educação e formação de adultos estão registados 50 formandos. No total, até 5 de setembro, estavam matriculados 4711 alunos. Durante a abertura das Jornadas da Educação, foi ainda referido que cerca de 800 destes alunos são de outras nacionalidades, refletindo a diversidade cultural crescente no ambiente escolar do concelho.
À semelhança dos últimos anos, a atividade letiva de todas as turmas da educação pré-escolar, do ensino básico e do ensino secundário, nos três agrupamentos de São João da Madeira, estará organizada em dois grandes períodos ou semestres. Esta medida resulta de uma articulação entre os agrupamentos e a Câmara Municipal, contando com parecer favorável dos Conselhos Pedagógicos e dos Conselhos Gerais.

“Todos os anos letivos são desafiantes”

O ano letivo no Agrupamento de Escolas João da Silva Correia arrancou “sem sobressaltos”. A diretora, Ana Magda Jorge, garante que “não há nenhuma turma ou disciplina sem professor. Todas as necessidades estão asseguradas”.
O agrupamento integra sete estabelecimentos e cerca de 1780 alunos. Quanto às condições físicas, a responsável lembra que a intervenção nos edifícios cabe ao município, que prevê obras na EB1/JI do Parrinho. “Estamos também a aguardar pela reabilitação da Escola Básica e Secundária de S. João da Madeira”, acrescenta.
Apesar de um arranque tranquilo, a diretora considera que este “não deverá fugir à regra”. Entre as prioridades, destaca o reforço do trabalho colaborativo entre os docentes e a proximidade com as famílias, “construindo caminhos e soluções com vista ao bem-estar e ao sucesso educativo dos seus educandos”.
O uso da tecnologia é outro foco. “Queremos continuar a estimular o treino de competências digitais, incrementando metodologias ativas na sala de aula”, afirma.
Sobre as novas orientações do Ministério da Educação, Ana Magda Jorge lembra que a restrição ao uso de smartphones no 1.º e 2.º ciclos “já tinha sido enviada às escolas no ano passado” e que, no agrupamento, “as regras foram estabelecidas e a informação transmitida a alunos e encarregados de educação”.
Quanto à disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, considera que a reorganização permite “uma abordagem mais uniforme” a nível nacional, fortalecendo “atitudes cívicas, o relacionamento interpessoal e a participação social”. Para os docentes, traduz-se numa “oportunidade para desenvolver projetos interdisciplinares, reforçando o trabalho colaborativo”.

Arranque tranquilo no Agrupamento de Escolas Oliveira Júnior

“O início de cada ano letivo exige um intenso trabalho de preparação e articulação”, refere Paula Azevedo, responsável pelo Agrupamento Oliveira Júnior. Esse esforço, partilhado por direção, docentes e assistentes, garantiu “um arranque tranquilo e plenamente funcional”, refere a responsável.
Nestes primeiros dias, “não se registaram situações fora do previsto” e todos os professores estão colocados, “pelo que não se antecipa qualquer constrangimento”.
Entre as medidas do Ministério da Educação, destacam-se “a proibição do uso de telemóveis até ao segundo ciclo, a reformulação da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, a suspensão dos manuais digitais no 1.º ciclo e a anunciada reorganização de estruturas e serviços da tutela”.
A diretora sublinha que a proibição dos telemóveis “já estava implementada no ano letivo anterior”, com “feedback bastante positivo”. Sobre Cidadania, garante que a adaptação “já está a ser conduzida pela equipa responsável”. Quanto aos manuais digitais, “não têm impacto no agrupamento”.
O agrupamento recebe “cerca de 1700 alunos, oriundos de cerca de 20 nacionalidades, o que constitui um desafio permanente e profundamente enriquecedor”.

Horas extraordinárias facilitaram colocação de professores

O início do ano escolar no Agrupamento de Escolas Dr. Serafim Leite, decorreu “dentro da normalidade”, afirmou à nossa redação a diretora do agrupamento, Helena Resende.
“Nestes primeiros dias, o arranque do ano escolar correu sem imprevistos. Tudo funcionou dentro do esperado”, disse a responsável.
Quanto à falta de professores, Helena Resende esclareceu que se trata de uma situação “residual”, resultante de ausências temporárias por motivos de doença ou de redução da componente letiva determinada pela medicina do trabalho. “Contamos que, a partir de 17 de setembro (ontem), com a entrada em funções dos docentes colocados, estas situações fiquem resolvidas”, enfatizou.
Relativamente às medidas anunciadas pelo Ministério da Educação, a diretora destacou a atribuição de horas extraordinárias. “Foi a medida com maior impacto neste agrupamento, porque permitiu reduzir a necessidade de horários mais pequenos, que eram de difícil preenchimento”.
No plano das instalações, Helena Resende garantiu que as escolas “estão preparadas para receber os alunos” e destacou a intervenção feita no espaço de recreio da EB do Parque. Ainda assim, apontou carências persistentes “no pavilhão e na entrada da escola sede”.
Sobre os desafios para o novo ano letivo, a diretora assinalou a integração pedagógica dos novos equipamentos adquiridos no âmbito dos Centros de Tecnologia e Inovação. “Estes recursos representam uma mais-valia pela sua qualidade e caráter inovador, mas exigem um esforço concertado para garantir a sua utilização eficaz em diferentes contextos de aprendizagem. A sua correta implementação terá, estou certa, um impacto muito positivo no sucesso escolar dos alunos”, afirmou.
Helena Resende sublinhou ainda a importância da inclusão. “É fundamental assegurar que todos os alunos tenham acesso a oportunidades de aprendizagem significativas. Apostaremos nos novos equipamentos como ferramentas de apoio, em estratégias de ensino personalizadas e numa monitorização sistemática do progresso escolar, de modo a prevenir dificuldades e implementar soluções atempadas”, rematou.
Em Portugal, mais de um milhão de alunos iniciaram, na última quinta-feira, um ano letivo marcado por mudanças no sistema educativo.
Entre as principais medidas está a proibição do uso de telemóveis até ao 6.º ano, que pode ser estendida ao 9.º quando os ciclos partilham recinto escolar. Cabe às escolas definir as sanções.
A disciplina de Cidadania foi reformulada, passando de 17 para 8 áreas de aprendizagem, incluindo literacia financeira e voluntariado. A educação sexual e a identidade de género mantêm-se temas de debate.
Para os professores deslocados, foram criados apoios à mobilidade, com compensações até 165 euros mensais em escolas carenciadas.
O Ministério da Educação, Ciência e Inovação avança ainda com uma reestruturação interna, reduzindo cargos e serviços para ganhar eficiência.

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