Educação

Irene Guimarães deixa pelouro da Educação após oito anos: “Nada é eterno”

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´O Regional´ – Está prestes a concluir um ciclo de oito anos enquanto vereadora com o pelouro da Educação. O que a fez não continuar a assumir os destinos da educação na cidade e que balanço faz deste percurso?
Irene Guimarães – Nada é eterno. A alternância dos cargos políticos é um princípio da democracia e este traduz-se, muitas vezes, numa necessidade de renovação das equipas. O caminho que percorri ao longo destes (quase) oito anos foi pautado por muito trabalho, mas, também, muito entusiasmo. Considero que o grande desafio foi o de transformar, em equipa, boas ideias em políticas viáveis e com efetivo e positivo reflexo na melhoria da vida das pessoas, indo ao encontro das necessidades e expectativas dos sanjoanenses.
Foi, declaradamente, uma fase muito boa de crescimento pessoal e profissional. Provavelmente uma das melhores da minha vida e, estando grata por isso, mantenho a abertura, disponibilidade e recetividade para receber e abraçar outras que se seguirão.

Quais foram as principais prioridades políticas que procurou afirmar ao longo dos dois mandatos?
Cuidar do bem comum acima de qualquer outro interesse e trabalhar para melhorar a vida das pessoas foram os grandes princípios, sempre subjacentes à assunção dos pelouros que assumi. Acho que devem ser essas as prioridades de qualquer político, percebendo as necessidades e garantindo os seus direitos (das pessoas), com justiça e igualdade, compreendendo realidades e representando, de forma digna e justa, todos os grupos, sem privilegiar quaisquer tipos de interesses particulares ou de elites, desprestigiando políticas imediatistas ou populistas em detrimento daquelas sustentáveis, duradouras e de continuidade que tragam, efetivamente, benefícios para a sociedade.

Que transformações considera terem sido mais significativas na rede escolar do concelho durante o seu mandato?
A rede educativa de S. João da Madeira mantém-se estável e acolhe cerca de 5 000 alunos. Há um aumento muito relevante de alunos estrangeiros – 821, acolhidos nas nossas escolas e que representam indubitáveis desafios. Estes desafios são, também, acrescidos, pelo aumento do número de crianças identificadas com necessidades especiais. O Município é sensível a esta problemática e existe a consciência de que as ações e os programas implementados, nomeadamente a renovação da plataforma “EDUCA” e a criação do novo cartão escolar, o programa “SJM Educa+”, o reforço do rácio de assistentes operacionais, o programa “ATL para Todos”, a capacitação dos técnicos que trabalham diretamente com as nossas crianças e jovens, assim como as mais de 134 atividades (balanço de 2024) que integram o Projeto Educativo Municipal, nomeadamente o projeto do reforço da educação física nas escolas, são cruciais para dar as respostas que se exigem. É importante destacar a criação do Programa Escola Aberta, desde 2019, que permitiu que S. João da Madeira tivesse a oferta pública da valência de jardim-de-infância em agosto, medida tomada pela Câmara Municipal para dar resposta às famílias que, declarada e comprovadamente, necessitam deste serviço também neste mês de interrupção letiva, aproveitando recursos municipais.
Neste período, decorreu a transferência de diversas competências da Administração Central para o município, o que permitiu às escolas, nomeadamente, planear de forma mais eficiente o seu orçamento e recursos humanos não-docentes. Neste ponto da transferência de competências, foram retiradas da direção das escolas várias atribuições de índole administrativa, possibilitando a sua dedicação à componente pedagógica do trabalho escolar e educativo.
Considerando a rede escolar do edificado escolar, as transformações mais significativas ocorreram na Escola Secundária Dr. Serafim Leite, que passou a beneficiar de um novo edifício mais moderno e funcional. Este novo equipamento, que beneficiou de financiamento municipal e comunitário depois de uma candidatura que elaborámos, permite alojar centros tecnológicos especializados que serão decisivos para o sucesso dos cursos profissionais, tão importantes para a imprescindível ligação da Educação às Empresas.
Também na rede escolar, se deve destacar as obras de profunda requalificação da Escola Básica de Fundo de Vila – a mais degradada do concelho, e que passou a oferecer a docentes e discentes melhores condições de ensino e aprendizagem.

Em duas entrevistas a ´O Regional´, no início do ano letivo de 2023, anunciou o lançamento das obras de requalificação da escola do Parrinho. Contudo, quase no final de 2025, ainda se desconhece informação sobre o início das obras. A que se deve este atraso?
Note-se que já foi lançado o concurso para a realização da obra, tendo o mesmo ficado deserto, ou seja, nenhum empreiteiro se candidatou para fazer a sua realização, o que sucede, atualmente, em muitas situações semelhantes no país. Isto obrigou a um reforço de financiamento por parte da CM. O projeto da Escola Básica e Jardim de Infância do Parrinho está já concluído desde finais do ano de 2023. No entanto, sujeito a legal revisão de projeto, teve as necessárias adaptações. E está em causa uma requalificação muito ampla, que vai modernizar a escola.
Assim, como no primeiro concurso não houve empreiteiro, efetuou-se o reforço de financiamento e a Câmara já aprovou o lançamento da nova empreitada. Espera-se que, a curto prazo, tudo se resolva e que as obras se iniciem, deslocando-se toda a população escolar para instalações municipais.

Também a escola das Fontainhas foi anunciada como uma das que iria ser requalificada – isto já em 2024. Contudo, o projeto ainda não está concluído e não foi apresentado às escolas. Pode explicar esta demora?
O que anunciamos foi a feitura do projeto. E isso está em curso. Permita-me que esclareça quem nos lê que a elaboração de um projeto é algo complexo, que envolve arquitetos e engenheiros de várias especialidades, mobilizando recursos internos e externos da Câmara Municipal.

Um dos pontos sistematicamente criticados é a degradação de parques infantis em diversas escolas. Pelo que sabemos, apenas a escola do Parque terá um parque infantil novo neste arranque de setembro, faltando obras em Carquejido, Espadanal, Fundo de Vila e, entre outras, o Parrinho. O que tem levado a tantos atrasos nesta área?
Não será justo falar em atrasos. Colocamos recentemente novos parques infantis na Mamoinha, na Rua do Poder Local, na Rua 16 de Maio e, em breve, será colocado um parque nos prédios adjacentes à Praça Barbazieux. Já foi renovado o equipamento da Escola do Parque e do Espadanal e em Carquejido decorre a empreitada neste momento. Tem havido, por isso, muita atividade e investimento nesta área.

Em relação à requalificação da escola EB 2/3, eternamente adiada: há alguma novidade relativamente ao que adiantou na entrevista dada a ´O Regional` no ano passado?
O projeto está aprovado. É arrojado e inovador, com muita qualidade em termos de estrutura e de espaços tendo sido, inclusivamente, merecedor de atribuição de prémios. Será uma peça de arquitetura notável e uma escola ecoeficiente. Aguarda-se o financiamento que o Estado contratou com o Banco Europeu de Investimento e existe, neste momento, uma articulação estreita entre o governo e a CCDRN no sentido de possibilitar a concretização da obra que S. João da Madeira merece. Neste processo, a Câmara adiantou-se e fez o projeto de requalificação, ainda quando a escola não era da sua tutela. Investimos cerca de 300 mil euros no projeto. Já o financiamento da requalificação é da responsabilidade do Governo na sequência do procedimento de transferência de competências.

Em retrospetiva, reconhece alguma decisão menos conseguida, ou alguma área onde gostaria de ter ido mais longe?
Sou, por norma, insatisfeita. Aposto na continuidade do trabalho e luto pelo alcance de melhores resultados quando há o entendimento de que eles poderão acontecer. Sem querer particularizar, tenho perfeita consciência de que existem necessidades, projetos e programas que têm já bons alicerces, que estão em franco progresso ou em elevado estado de maturidade, e que poderão e deverão consolidar-se num futuro próximo. S. João da Madeira evoluiu desde 2017 em várias áreas, nomeadamente na da educação. Essa evolução pode e deve continuar a acontecer.

Considera que a comunidade educativa – professores, direções, encarregados de educação e alunos – teve voz ativa nas decisões municipais?
Sim. Existiu sempre abertura e diálogo nas relações estabelecidas com e entre a comunidade educativa. Isso manifesta-se muito para além do lugar formal – nomeadamente o Conselho Municipal da Educação. É uma articulação diária e constante. Tenho um profundo orgulho pelo alcance de um alto patamar de colaboração, de entendimento e de complementaridade, intensificado pela descentralização de competências na área da educação. Foi muito bom atingir tanta e tão boa proximidade com as responsáveis das direções dos agrupamentos escolares e, também, com diretores dos estabelecimentos de ensino privado. Sinto um elevado respeito pelo trabalho e empenho das associações de pais e encarregados de educação, assim como pelos docentes, discentes, técnicos, funcionários, porque reconheço que, do seu empenho e envolvimento, resulta o facto de S. João da Madeira, cidade educadora, constituir um exemplo.

Que recomendações deixaria a quem lhe vai suceder no cargo?
Não me sinto com legitimidade para deixar qualquer tipo de recomendação. Todos nós somos diferentes e os defeitos de umas pessoas poderão noutras ser qualidades.
Mas as palavras continuidade, transparência, consenso, escuta ativa, são muito importantes. Porque o exercício de qualquer cargo público é sempre um meio de servir a comunidade e esse é o valor maior.

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