Educação

Instituto já acolheu mais de 10 mil formandos

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Com mais de seis décadas de existência, o Instituto de Línguas Helena Nicolau é uma das escolas de línguas mais antigas em funcionamento no norte de Portugal. Ao longo deste percurso histórico, milhares de alunos passaram por esta escola de referência. “Muitas vezes, várias gerações da mesma família, o que constitui um dos maiores motivos de orgulho”, contou a diretora, Ana João Borges. O Instituto conta com certificações específicas da Universidade de Cambridge (através do British Council), do Ministério da Educação nacional Francês (através da Alliance Française) e do Goethe Institut.
Com o apoio da Câmara Municipal de S. João da Madeira e em parceria com o Institut Français e a Associação Luso-Britânica do Porto, o Instituto de Línguas Helena Nicolau abriu portas em 1964. Inicialmente instalado no antigo Palacete dos Condes, o Instituto passou, ao longo dos anos, por diferentes espaços emblemáticos da cidade, como o edifício onde funciona atualmente, a Casa das Associações ou o antigo ciclo preparatório.
O ano de 1995 marcou uma viragem importante com a integração do Instituto na Associação Cultural Alão de Morais, uma associação sem fins lucrativos que reúne também o Centro de Arte de S. João da Madeira e a Academia de Música. Pouco depois, em 1997, a atribuição de instalações próprias pelo município permitiu ao Instituto consolidar a sua autonomia, ganhar maior visibilidade e expandir, em pleno, as suas atividades. “Já em 2014, adotou oficialmente a designação de Instituto de Línguas Helena Nicolau, em homenagem à sua diretora durante mais de 30 anos, perpetuando a memória do seu trabalho e dedicação”, contextualizou a atual diretora, Ana João Borges, em entrevista ao jornal ‘O Regional’. “Desde a sua fundação, o Instituto democratizou o acesso ao ensino de línguas na região, oferecendo uma formação de excelência que até então estava apenas disponível em cidades como Porto ou Lisboa”, afirmou.
O apoio da autarquia sanjoanense, sobretudo até à década de 1990, permitiu manter mensalidades acessíveis e, dessa forma, garantir que ninguém ficasse excluído por razões financeiras. “Hoje, continuamos a honrar esse compromisso, atribuindo mensalidades reduzidas a alunos carenciados e desempregados, com o apoio da Câmara Municipal”, assegurou Ana João Borges. “O selo de qualidade e de exigência no ensino de línguas permanece a nossa imagem de marca, comprovado anualmente pelos excelentes resultados alcançados pelos nossos alunos nos exames de certificação internacional”, realçou, acrescentando que fatores como a tradição, a qualidade e a responsabilidade são a combinação que “melhor define a evolução” do Instituto ao longo dos seus 61 anos de história.

Interesse dos sanjoanenses nas línguas tem aumentado

O Inglês é a língua mais procurada pelos alunos do Instituto, representando cerca de 95% das inscrições todos os anos. Abrange todos os níveis, do pré-A1 até ao C2, e é frequentado por crianças, jovens, adultos e empresas. As turmas de Francês e Alemão têm um ou dois níveis a ocorrer por ano, funcionando com grupos mais reduzidos. “Entre meados dos anos 2000 e 2014, não tivemos procura para a língua alemã, mas, felizmente, nos últimos 10 anos, temos verificado um interesse constante, ainda que sempre em pequenos grupos”, referiu Ana João Borges. Quanto às aulas de Português para estrangeiros, estas decorrem geralmente em cursos limitados, ajustando-se à procura de cada ano. “Continua a ser um serviço relevante para quem se integra na nossa comunidade”, observou a diretora.
O objetivo em aprender uma nova língua varia consoante a faixa etária. Os alunos mais jovens, que iniciam normalmente a partir dos sete ou oito anos, são incentivados pelos pais a ingressarem no Instituto para aprenderem, desde cedo, o Inglês. “Seguindo o currículo de Cambridge em todas as turmas, estes alunos desenvolvem uma capacidade de comunicação e fluência desde cedo”, sublinhou Ana João Borges, considerando que, no caso dos adolescentes, a motivação centra-se, muitas vezes, na preparação para os exames internacionais. “Também mantemos parcerias com empresas, cujos colaboradores frequentam as nossas turmas para se prepararem para um mercado de trabalho cada vez mais global”, acrescentou.
No ano passado, a maior parte dos alunos do Instituto eram crianças e jovens, mas, atualmente, o paradigma de interessados tem mudado. “Atualmente, assistimos a um aumento significativo de adultos interessados, tanto portugueses como estrangeiros residentes em S. João da Madeira”, declarou Ana João Borges. “A comunidade imigrante da cidade tem vindo a crescer e isso reflete-se também nos nossos alunos, provenientes de países como Brasil, Angola, Guiné, Venezuela ou Afeganistão”, enumerou, dando como exemplo os cursos de Francês e Alemão, frequentemente procurados por quem planeia emigrar, nomeadamente pessoas que exercem funções na área da saúde e da engenharia. “O conhecimento de línguas é muitas vezes uma necessidade prática, profissional e pessoal”, apontou a diretora.

“Queremos que o Instituto continue a ser um ponto de encontro de gerações”

Com cerca de 160 a 180 alunos por ano, as inscrições para o novo ano letivo decorrem “a bom ritmo”. “Teremos a funcionar todos os níveis de língua inglesa, incluindo turmas exclusivas para adultos e turmas específicas de preparação para exames internacionais, assim como duas turmas de Francês e Alemão já confirmadas”, informou Ana João Borges. No dia 11 de outubro, o Instituto celebra também a entrega de diplomas, em que os certificados de Cambridge serão entregues aos mais de 40 alunos que realizaram exame no ano letivo 2024/2025. “Esperamos que o ano letivo de 2025/2026 seja marcado pelo mesmo empenho e sucesso, com alunos motivados, famílias envolvidas e muitas conquistas a celebrar”, afirmou a diretora.
Paralelamente à qualidade do ensino do Instituto, Ana João Borges confidenciou que há um projeto que anseiam concretizar: a renovação das instalações da escola. “Sabemos que o espaço influencia a aprendizagem – desde a luminosidade das salas à flexibilidade para integrar novas metodologias – e queremos que os nossos alunos sintam que o Instituto está preparado para os desafios do futuro”, explicou. “Acreditamos que esta renovação não beneficiará apenas os nossos alunos e professores, mas também a própria comunidade, que terá à sua disposição um espaço educativo mais dinâmico e atrativo”, complementou, apelando ao apoio da autarquia, dado que o edifício foi cedido pela mesma, para “tornar este projeto realidade”. “Queremos que o Instituto continue a ser um ponto de encontro de gerações, culturas e línguas, preparado para responder às exigências do presente e do futuro”, reforçou Ana João Borges.

 

Instituto de Línguas Helena Nicolau: da formação à responsabilidade social

Na ampla formação disponível no Instituto, os cursos mais procurados são os cursos anuais de cada língua, embora, durante o verão, os cursos intensivos também sejam procurados por pequenos grupos. Segundo a diretora, o serviço de tradução também “é cada vez mais procurado”, sendo que o Instituto dá apoio a várias instituições da cidade, nomeadamente aos museus do Calçado e da Chapelaria, traduzindo todos os conteúdos expositivos e catálogos das várias exposições patentes ao longo do ano. Além disso, todos os anos a escola oferece a oportunidade a todos os alunos interessados do 4.º ano das EB1 da cidade de frequentarem o Curso de Páscoa do Instituto, juntamente com os alunos dos níveis iniciais. “É um curso gratuito, que funciona nas férias da Páscoa, com o objetivo de preparar os alunos para o seu primeiro exame internacional de Cambridge, o exame Starters”, explicou Ana João Borges. “Depois do curso, os alunos interessados podem inscrever-se no exame, que o Instituto de Línguas Helena Nicolau financia quase em 50%”, adiantou.

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