Regresso às Aulas 2024_2025

Da indecisão à escolha: o contacto com o mundo empresarial

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O interesse pelos cursos profissionais é cada vez maior e as instituições escolares de S. João da Madeira têm inovado para proporcionar novas ofertas formativas à comunidade estudantil.

No caso do Agrupamento de Escolas Dr. Serafim Leite (AESL), os cursos mais pretendidos são os de Técnico de Gestão e Programação de Sistemas Informáticos e de Mecatrónica. “Neste ano letivo, o mais pretendido continuou a ser o de Técnico de Programação de Sistemas Informáticos de forma que, em vez de uma turma, iria funcionar uma turma e meia”, informou a diretora do agrupamento, Helena Resende. “Os cursos de Mecatrónica e Eletrónica, Automação e Comando são também procurados, mas por um número mais reduzido de alunos, apesar da taxa de empregabilidade ser de 100%”, adiantou, considerando que o fator que mais contribuiu para essa diminuição foi a intensificação da oferta nas EB 2/3 dos concelhos limítrofes em cursos da mesma área dos da Serafim Leite, além da concorrência do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) nessas mesmas áreas.
Em relação aos anos letivos anteriores, Helena Resende comentou que os alunos têm tido preferência pelo curso da área de Ciências Informáticas, curso esse com “uma taxa de empregabilidade na área muito elevada”, assim como os cursos de Design de Comunicação Gráfica, dadas “as características do tecido empresarial circundante”. Os dois cursos da área da Eletrónica e Automação, Mecatrónica e Eletrónica, Automação e Comando têm “uma taxa de empregabilidade de 100%” e “uma procura por parte do tecido empresarial muito superior ao número de alunos” da Serafim Leite. “A todos os estagiários é oferecida a oportunidade de continuarem nas empresas”, afirmou Helena Resende. “Alguns preferem prosseguir estudos e integrar o mercado de trabalho mais tarde”, acrescentou.
Pablo Fernandes é um desses alunos. Optou pelo curso de Eletrónica, Automação e Comando e a empresa onde estagiou é a mesma na qual trabalha atualmente. “A parte prática é muito importante nos dias de hoje para o mundo empresarial e os jovens desenvolvem-se mais rapidamente; o curso profissional demonstra o que se passa no mundo de trabalho”, contou. Admitiu que, no início do estágio, sentiu-se “perdido” porque “não estava habituado”, mas rapidamente se adaptou ao ambiente laboral, onde aplicou na prática o que tinha aprendido em contexto de sala de aula. “Aprendemos as bases na escola e, no estágio, colocamo-las em prática e desenvolvemo-las”, realçou o programador, afirmando que as competências adquiridas no curso profissional são aquelas que as empresas “estão à procura”. “No futuro, quero aprofundar os meus estudos ao ingressar no ensino superior”, admitiu.
Na perspetiva da diretora do agrupamento, os alunos estão “satisfeitos” com o facto de os cursos profissionais englobarem uma forte componente de prática de formação em contexto de trabalho e de permitirem “um contacto próximo” com o mercado de trabalho, preparando-os para o futuro. Em alguns casos, como o de Pablo Fernandes, Helena Resende enfatizou que estes podem também ajudar a “decidir” o que pretendem em termos de prosseguimentos de estudos. Apesar do interesse pelos cursos profissionais, a diretora apontou que se regista “uma maior procura” pelos cursos Científico-Humanísticos em comparação com anos anteriores. “No entanto, continuamos a considerar relevante a oferta dos cursos de Comunicação-Marketing, Relações Públicas e Publicidade e Design de Comunicação Gráfica, dado o tecido empresarial e comercial da nossa cidade”, enalteceu Helena Resende. “Estamos certos que os CTE [Centros Tecnológicos Especializados] recentemente aprovados, no valor de cerca de quatro milhões de euros em equipamento altamente inovador, contribua para um aumento da procura nestas áreas [profissionais]”, declarou, afirmando que os CTE foram “a maior conquista” do AESL nos últimos anos.
Neste momento, contam com três CTE – um de Informática e um Industrial na primeira fase de candidatura e outro de Energias Renováveis, este já na segunda fase. A título de exemplo, Helena Resende salientou equipamentos como sistemas de holograma, sistemas de realidade virtual, sistemas solares fotovoltaicos e térmicos e a renovação do parque informático, entre muitos outros. “Assim que os Centros estiverem em funcionamento, os nossos alunos terão acesso a equipamento inovador e moderno, o que representa uma oportunidade de aprender de forma mais dinâmica e eficaz e uma maior estimulação da criatividade e do pensamento crítico”, descreveu, sem esquecer que “a familiarização com tecnologias avançadas os prepara melhor para o mercado de trabalho” que exige, cada vez mais, “competências tecnológicas”.

“Os cursos profissionais constituem uma mais-valia”

Nos anos letivos anteriores, o curso profissional mais procurado no Agrupamento de Escolas João da Silva Correia tem sido o de Mecatrónica Automóvel, embora a opção pelo curso de Proteção Civil, desde que iniciou em 2021, também se tenha mantido “consistente”. “Após um ano da conclusão do curso, 85% dos alunos do curso de Mecatrónica e 80% dos alunos de Operações Turísticas entraram no mundo do trabalho ou em formação, registando-se assim uma percentagem global de 82,5%”, declarou a diretora do agrupamento, Ana Magda Jorge. Para a docente, as disciplinas da componente sociocultural e científica presente nos planos de formação dão aos alunos “uma qualificação generalista equiparada aos cursos de ensino regular”, facto corroborado “pela elevada inscrição” destes alunos em exames nacionais para prosseguimento de estudos.
“A qualidade do ensino prestada nas disciplinas da componente técnica dos cursos lecionados é atestada por avaliações muito favoráveis, comprovadas pelas entidades formadoras, onde os nossos alunos desenvolvem a sua formação em contexto de trabalho”, explicou Ana Magda Jorge. “O nosso agrupamento desenvolve vários protocolos de formação com o tecido empresarial local e regional e ainda com entidades públicas [edilidades] das diversas áreas profissionais, de forma a proporcionar aos formandos práticas profissionais de qualidade”, assegurou. A diretora destacou, ainda, o Erasmus-Vet implementado desde o ano transato, uma vez que este programa proporciona aos alunos a oportunidade de realizarem estágios profissionais no estrangeiro.

Poderá ter acesso à versão integral deste artigo na edição impressa n.º 4001, de 12 de setembro de 2024 ou no formato digital, subscrevendo a assinatura em https://oregional.pt/assinaturas/
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