Educação

Aumenta o número de alunos estrangeiros nas escolas da cidade

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A Escola de Fundo de Vila, por exemplo, tem uma turma maioritariamente composta por estudantes de outras nacionalidades, com apenas seis portugueses.

O concelho de S. João da Madeira tem, neste ano letivo de 2023/2024, 570 estudantes de nacionalidade estrangeira, de 24 países diferentes, a frequentar o ensino pré-escolar, o ensino básico e o secundário. Estes alunos de outros países representam 12,25% do total de matriculados na rede pública concelhia, uma percentagem que está a crescer, em comparação com anos anteriores. 53% desses 570 estudantes estrangeiros estão matriculados no 1.º ciclo do ensino básico. Os dados do Agrupamento de Escolas indicam também que as nacionalidades predominantes são a brasileira (representando 74% do total de estudantes estrangeiros) e a angolana (com 9,3% dos alunos estrangeiros).
A Escola de Fundo de Vila é paradigmática desta realidade. Na turma da professora Isabel Pinho são mais os alunos estrangeiros que portugueses. “No ano passado apenas tinha quatro portugueses, os restantes 13 eram de outras nacionalidades. Este ano, tenho cinco portugueses e continuo com 13 estrangeiros, sendo a turma constituída por 18 alunos. Ao todo, são sete nacionalidades: portuguesa, brasileira, angolana, russa, ucraniana, sudanesa e venezuelana”, refere a docente Isabel Lima Pinho.
No ano passado, “todos falavam mais ou menos português”, exceto uma aluna ucraniana, que não dizia uma única palavra. Valeu a esta docente a sorte de ter na turma, um aluno “russo”, cuja família se prontificou para ajudar na tradução. Quer com a criança, quer com a família, pois às vezes ainda é mais difícil lidar com as famílias.
Para todos os efeitos, Isabel Pinho tem como objetivo “dar as diferentes matérias” que me são exigidas pelo programa. No entanto, investiga e procura saber a cultura e tradições dos países destes alunos. “As palavras para o mesmo objeto, por vezes são diferentes, mesmo em brasileiro ou angolano. Também uso constantemente imagens para mostrarem os objetos ou situações, recorrendo muitas vezes à internet”, revela.
As aulas nesta turma de Fundo de Vila são trabalhadas através da partilha de conhecimentos. “Eu ensino e eles também me ensinam e ensinam os colegas. Depois há sempre a parte académica, que tem que ser transmitida, e cabe-me estar à altura de cada aluno. Aliás, é o que cada professor faz, independentemente de ter alunos estrangeiros ou não”.
A docente lembra que as informações do Ministério da Educação são apenas de “sinalizar os alunos de Língua não Materna, onde nos obrigam a preencher, para cada aluno, uma série de documentos para encaixar o respetivo aluno num nível”. Depois disso, cabe aos professores titulares de turma indicar os alunos para apoio de Língua não Materna. “Na minha turma, só a menina ucraniana tem esse apoio, duas vezes por semana, 30 minutos de cada vez, dado pela professora de Inglês da escola”. Todo o outro apoio que necessita é dado por Isabel Pinho durante as aulas.
Nesta turma destaca-se a solidariedade e amizade entre os jovens alunos. “Dentro da sala e fora dela são todos amigos, não fazem diferenciação. Penso que a este nível é mais fácil com estas idades a integração”, reforça.
Liderar uma turma com tantos alunos de várias nacionalidades parece ser tudo menos fácil. “Hoje os professores trabalham muito e os do 1.º ciclo sentem ainda mais este trabalho, porque lidam com crianças que ainda não são autónomas e pelo excesso de horário. Os alunos chegam às escolas, mas depois são os titulares das turmas que se têm de desenrascar da melhor maneira que sabem e que podem”, rematou.

Poderá ter acesso à versão integral deste artigo na edição impressa n.º 3970, de 11 de janeiro de 2024 ou no formato digital, subscrevendo a assinatura em https://oregional.pt/assinaturas/
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