Educação

Agrupamentos encaram telemóvel “como aliado na aprendizagem”

• Favoritos: 58


Há cada vez mais escolas a proibir o uso de telemóveis no recinto escolar para evitar que os alunos vivam “prisioneiros dos ecrãs”. Na cidade, os agrupamentos não equacionam, a curto prazo, adotar a medida.

A proibição ou restrição do uso de telemóveis em recinto escolar tem dado que falar nos últimos tempos. A poucos quilómetros de S. João da Madeira, na EB 2,3 António Alves Amorim, em Lourosa, a medida é uma realidade desde 2017. Ao implementá-la, o principal objetivo do agrupamento passava por fomentar a socialização dos alunos sem recurso ao telemóvel. Sete anos volvidos, o resultado está à vista. As gargalhadas e brincadeiras enchem o recreio, a bola rola no relvado sintético, há alunos a conversar em grupos, a jogar às cartas, a comunicar e a interagir.
A presidente da Comissão Administrativa Provisória (CAP) do Agrupamento de Escolas António Alves Amorim, Mónica Almeida, sublinha que só vê “vantagens” desde que a medida foi implementada e que hoje os alunos “estão realmente felizes”. Numa entrevista à Rádio Sintonia, a responsável recorda o início do processo, onde sentiu que era ainda “uma gota no oceano”, para destacar a atual expectativa: que este modelo possa inspirar outras escolas.
E isso tem acontecido. Este ano letivo, outros estabelecimentos de ensino seguiram as mesmas pisadas, como a Escola Básica João Gonçalves Zarco, em Oeiras, ou a Escola Básica Integrada de Fragoso. Este último estabelecimento de ensino, em Barcelos, proibiu os alunos - do 1º ao 9º de escolaridade - de utilizarem o telemóvel dentro do recinto escolar. Os resultados, afirma o Jornal O Minho, são reveladores: há verdadeiro convívio entre os alunos.
Inspirada no exemplo da escola em Lourosa, há também uma petição a circular. Intitula-se “Viver o recreio escolar sem ecrãs de smartphones” e até ao momento reúne mais de 21 mil e 500 assinaturas. A proposta defende que, a partir do 2º ciclo, crianças e jovens sejam impedidos de usar telemóveis em ambiente escolar, argumentando que isso permitirá desenvolver competências de socialização e comunicação oral, diminuindo, por consequência, o “bullying online”.

Telemóvel visto como “ferramenta de trabalho”

E em S. João da Madeira? O jornal “O Regional” questionou os agrupamentos da cidade sobre a sua posição quanto à proibição de telemóveis no recinto escolar e se equacionam, no futuro, implementar esta medida.
Helena Resende, diretora do Agrupamento de Escolas Serafim Leite, admite conhecer a realidade da EB 2,3 António Alves Amorim, estabelecimento de ensino que visitou já após a criação desta medida. Quanto a uma posição sobre a proibição do uso de telemóvel em recinto escolar, a diretora responde a título próprio. “Até ao momento não senti necessidade de implementar essa medida por duas razões: Por um lado, o telemóvel constitui uma ferramenta de trabalho com vista à aprendizagem quando usado conscientemente. Aqui também se trabalham formas de o telemóvel se tornar um aliado na aprendizagem até porque colabora na diferenciação didática e pedagógica. Por outro lado, permite-se que durante os intervalos e a hora do almoço os alunos levem a cabo atividades que os desliguem do uso do telemóvel, como por exemplo, jogar à bola”, afirma.
Nos casos em que o telemóvel constitui um obstáculo à aprendizagem ou se “torna um fator de distração”, explica Helena Resende, “o professor e a escola têm estratégias para procurar resolver a situação”. No futuro, haverá espaço para este tipo de medidas no Agrupamento Serafim Leite? A diretora admite que sim, se houver instruções por parte da tutela (ver caixa) ou se os órgãos de decisão do agrupamento “acharem que a vantagem de proibir o uso de telemóvel no recinto escolar é maior do que o acesso a esse dispositivo”.
O Agrupamento de Escolas Oliveira Júnior não equaciona, a curto prazo, implementar a medida. Em declarações ao jornal “O Regional”, a subdiretora Paula Azevedo refere que a utilização do telemóvel em recinto escolar depende “das necessidades e objetivos educacionais de cada escola”. “É importante que as regras de conduta para o uso de telemóveis sejam comunicadas claramente a toda a comunidade escolar e que sejam aplicadas de forma consistente para garantir um ambiente de aprendizagem eficaz e seguro”, sublinha.
No entender da diretora, o telemóvel, sendo também parte do quotidiano da sociedade, é uma ferramenta educacional e permitir o seu uso na escola “pode ajudar a preparar os alunos para o mundo digital em que vivem”. Mas há também o reverso da medalha, reconhece. O uso do aparelho “compromete substancialmente a socialização, não permitindo desenvolver competências sociais e o desenvolvimento da empatia, dificultando a interação entre os pares”.

Poderá ter acesso à versão integral deste artigo na edição impressa n.º 3957, de 12 de outubro ou no formato digital, subscrevendo a assinatura em https://oregional.pt/assinaturas/
58 Recomendações
189 visualizações
bookmark icon