Do natural ao valor da experiência

Do natural ao valor da experiência

O facto de fazer alguma coisa não é por si só uma experiência. Podemos pensar livremente mas só podemos seguir um pensamento se tivermos um caminho; formam-se muitas ideias na nossa mente mas muito poucas são assertivas, muito poucas nos levam aonde quer que seja.
Os Cadetes nadadores da ADS/Fepsa, neste último fim-de-semana, foram a Castro Daire participar no Torregri. A competição em si, que, naturalmente avalia trabalho, serviu de feição para um outro tipo de avaliação: inspirou para a elaboração de uma serie de conjecturas à volta das noções de aprender, competir e treinar; e daqui, reforçar a intuitiva necessidade de nos orientarmos conscientemente. Que, em natação, será no sentido de materializar o aprendido e evoluir valorando continuamente a experiência. O que nos parece um caminho a seguir, pois queremos ver mais longe.
Julgamos estar perante uma geração (os mais novos) com défice de atenção geral. Porque nos parece isso? De seguida a colocar a questão, e percebermos que sim, que efectivamente é assim, enchemos a cabeça de paradigmas e procuramos por métodos de tratamento. Como primeira questão: as novas tecnologias que, supostamente nos ajudam a trabalhar, serão elas também, do outro lado da equação, mais uma “atraente” fonte de distracção de que já não nos podemos libertar? – Entendemos que esta componente, (des)favorece o conjunto, mas não é o busílis.
Daí, se trate de saber de que mais é feito o valor somado desta questão. As nossas crianças não dão atenção a certos valores vitais das tarefas que lhes propomos; muito embora se mostrem interessadas nas actividades propostas, estão interessadas como? Estão interessadas em quê? – Então, o que é que está escapando? O que esperamos delas reflecte, devidamente, a experiencia que lhes proporcionamos como significado do que pretendíamos ou o resultado não corresponde ao que pretendemos avaliar? De facto, não parece que eles estejam a ajudar a resolver os nossos problemas ou de alguma forma a sentir o que queremos. Eles dedicam-se, libertam energia, cansam-se. Mas é só corpo, onde estará a mente?
Para levarmos o corpo aos sonhos temos de projectar primeiro para lá a mente. As novas orientações pedagógicas indicam-nos o norte, pois, querendo levar-nos aquele ponto, não podiam fazê-lo por menos; querem tornar-nos mais competitivos (porque o mundo vai ser competitivo, alegam como afãs optimistas) e deslocam o nosso imaginário criativo para esse norte quimérico. Não teremos neste momento uma discrepância, de tempo e prioridades, entre o que se ensina á mente (espírito, inteligência) e o que se ensina ao corpo? – Suspeitamos, depois do alongar da conjectura, de que os nossos cadetes tenham a mente demasiado cheia para corpos que já não brincam, não correm, não sobem às árvores, não organizam aventuras. Porque nos parece que devemos pensar nisto? A mente está cheia do quê?
Juntemos, então, os três parágrafos seguintes:
– Assim, sentamos os nossos cadetes na escola, em salas de estudo, em casa, pedimos-lhes para estarem quietos, pois, qualquer pequeno movimento poderá perturbar a experiência da percepção intelectual. Devido a que, durante o dia, muito longo, em que o movimento do corpo não serve à concentração no livro, no quadro, no discurso da lição do professor; é apenas preciso um corpo presente aquietado e mole.
– Durante a actividade desportiva é preciso o corpo activo, em esforço, minimamente tenso, pronto para a luta, à defesa, ao ataque, rápido, debitando a energia acumulada, contudo, têm a mente, a imaginação e a inteligência fora de serviço.
– Então, talvez, quando pedimos o uso das mãos e das pernas, esquerda e direita, um salto, uma cambalhota ou uma pirueta, correr deitar levantar, ou damos a entender que é preciso mais qualquer coisa, uma pequena superação, não tenhamos a colaboração necessária da actividade perceptiva da mente, pois, por esta, estar demasiado alheia ao sentido subtil da acção.
Pelo que concluímos: mente activa corpo parado, corpo activo mente quieta!
De tudo isto para onde vamos? Como devemos caracterizar as nossas ideias de futuro e para futuro?
Os cadetes da ADS/Fepsa “protagonista” desta reflexão foram: Maria Rita Rosário, Nuno Matos, Pedro Bastos, Filipe Silva, Matheus Sinoti e Rodrigo Costa.
Como assim, a ADS/Fepsa intentará resgatar, para a experiência da Natação, a mente sã que lhe é devida;

somos Natação ADS/Fepsa

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