
Alguns moradores da Rua da Liberdade estão com os nervos à flor da pele com o ruído constante que, durante a madrugada, perturba o descanso naquela artéria. O local tornou-se ponto de encontro de grupos de jovens que consomem bebidas alcoólicas e substâncias ilícitas.
“É um arraial todas as noites” – afirmou um residente a 'O Regional'. “Já tentei falar com os jovens, mas não adianta. A polícia é chamada e fica até acalmarem os ânimos, mas depois volta tudo” – descreve, visivelmente cansado da situação.
Outra moradora mostrou à nossa reportagem gravações de vídeo feitas a partir da janela de casa para demonstrar o volume do ruído. “A PSP é chamada várias vezes. Sabem disto e permitem que a situação se arraste há meses. Ninguém dorme. Faz parte da lei o descanso e o silêncio” – apontou, acrescentando que o problema “se repete há meses e anos”, impedindo que as pessoas tenham “uma noite sossegada”.
A mesma residente sublinha que, além das bebidas, “é visível o consumo de substâncias ilícitas”. “Basta ouvir a conversa deles na rua” – garante.
Noutro ponto da artéria, um morador contou a 'O Regional' ter tentado intervir diretamente. “Mais do que uma vez desci e chamei à atenção de duas jovens”.
“Insultaram-me. Disseram que o problema era da casa não estar bem isolada e que, se não estivesse bem, comprasse tampões” – desabafou outra moradora.
Entre os residentes cresce o receio de que a tensão possa agravar-se. O “desgaste” acumulado leva alguns a temer que “um dia destes corre mal”, sobretudo porque “há pessoas de muita idade a viver nos prédios”.
Segundo apurou 'O Regional', o descontentamento não se estende a toda a rua. “É a meio e todos sabem a origem” – observou um morador, que afirma sentir-se “completamente sozinho nesta batalha”.
“Já falei com responsáveis municipais, que dizem que é responsabilidade da PSP. A PSP diz que é do Ministério Público. Chegam, falam com os jovens, viram costas e continua tudo igual” – vincou.
“Esta rua tornou-se um inferno. Ninguém dorme” – resumiu uma munícipe. Outro habitante, que pediu anonimato, lamentou o agravamento da situação desde setembro. “Ruído, droga, insegurança e medo. É assim que vivemos numa cidade onde a autarquia e a PSP dizem que é segura. Não temos paz nem sossego” – afirmou.
A Rua da Liberdade, que liga a Praça Luís Ribeiro à Casa da Criatividade, tornou-se, segundo os moradores, um ponto de perturbação constante. Apesar das queixas sucessivas, dizem que “nada muda”. Enquanto aguardam respostas, o ruído atravessa as madrugadas, deixando no ar uma sensação de abandono e impotência.
PSP confirma queixas e reforça patrulhamento
O comandante distrital da PSP de Aveiro, superintendente António José Dinis Nobre Monteiro, confirmou a ´O Regional´ as queixas dos moradores sobre a presença de indivíduos com comportamentos “inadequados” que comprometem o normal funcionamento daquele local – “designadamente da Loja de Vending”, situada na Rua da Liberdade – onde já foi detetada a presença de cidadãos a “pernoitar”.
O superintendente referiu que foram dadas instruções ao efetivo policial para realizar “patrulhamentos mais regulares”, com o objetivo de demover os indivíduos de permanecerem no local durante a noite. Sublinhou ainda que a PSP se desloca à rua “sempre que acionada ou por iniciativa própria”, procurando responder às solicitações da população e contribuir para a resolução das ocorrências.
A PSP confirma que já procedeu à identificação de “alguns cidadãos” e enviou o respetivo “expediente à entidade competente”. O comando distrital apela, por fim, aos moradores para que, sempre que verifiquem comportamentos “incivilizados, contactem de imediato a polícia”, de modo a facilitar a intervenção e a resolução das situações.
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