Política

“Não é o meu estilo apontar pistolas”

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O encerramento da Biblioteca Municipal Renato Araújo e do Pavilhão das Travessas foi discutido, assim como uma declaração do presidente da Câmara Municipal numa conferência de imprensa a propósito do balanço dos primeiros100 dias do mandato

No período de antes da ordem do dia, a vereadora Paula Gaio interrogou o executivo sobre o encerramento provisório da Biblioteca Municipal Renato Araújo, que se verificou devido aos efeitos nefastos das depressões recentes que assolaram o país. Entre as quatro questões apresentadas, uma delas incidiu sobre “quanto tempo se prevê que a biblioteca continue encerrada”. “Instigamos o executivo a encontrar uma solução temporária de um espaço que possa permitir que os leitores sanjoanenses usufruam da sua biblioteca”, apelou Paula Gaio. “É a segunda vez que a biblioteca está encerrada desde o dia 10 de fevereiro. Saliento que há várias salas disponíveis para este efeito em equipamentos municipais”, afirmou, recordando que o executivo socialista deixou o projeto de arquitetura respeitante às obras de requalificação daquele equipamento municipal “pronto”. De igual forma, também o vereador José Fonseca quis saber o “ponto de situação” do Pavilhão das Travessas, desde o plano de intervenção previsto até à possibilidade de existir um “plano B” caso o equipamento continue encerrado. “As associações praticam desporto noutros pavilhões; muitos podem não ter as condições que o Pavilhão das Travessas oferece. Estamos perante uma situação que exige celeridade e deve ser dada prioridade máxima”, salientou José Fonseca, voltando a referir que o Partido Socialista (PS) está “disponível” para viabilizar “eventuais alterações orçamentais” para apoiar os clubes. Por último, o vereador José Nuno Vieira mencionou a conferência de imprensa com o jornal O Regional respeitante ao balanço dos primeiros 100 dias do mandato do atual executivo. “Foi proferida uma frase [pelo presidente da Câmara Municipal]: «Há coisas que, sinceramente, não esperava encontrar conforme estão”, citou. “O meu pedido é que concretize a frase para que não fiquem no ar qualquer tipo de interpretações”, pediu José Nuno Vieira.
Respondendo à generalidade das questões da oposição, o presidente da Câmara Municipal, João Oliveira, começou por explicar o que quis dizer com a sua declaração, citada pelo vereador José Nuno Vieira, uma vez que a mesma daria resposta às questões dos outros vereadores. “Nós todos sabemos que havia alguns problemas nos edifícios, mas, sinceramente, não sabia que a biblioteca estava naquele ponto. Com o que aconteceu nos últimos dias, a biblioteca está num estado terrível; não está digna que se entre lá dentro”, exemplificou. “Não é o meu estilo apontar pistolas. Eu sabia que a Loja do Cidadão tinha problemas, mas não sabia que a tinha de encerrar”, descreveu, em complemento. Em relação ao Pavilhão das Travessas, o edil informou que o executivo já se reuniu com empresas especializadas para tentar resolver o problema. “Tecnicamente, aconselham-nos em elevar a cota do terreno de jogo para os patamares das bancadas e dos balneários e colocar piso novo ao nível das laterais. Não vou dizer que é daqui a um mês ou dois [que a obra avance]”, referiu, enaltecendo que o Pavilhão das Travessas “é uma das muitas prioridades” do executivo, assim como a Biblioteca Municipal e a Loja do Cidadão, dado tratarem-se de equipamentos que estão, atualmente, encerrados. “Sinceramente, a situação da biblioteca chocou-me. Se calhar, no ano passado, não esteve assim, porque não choveu tanto”, comentou, reforçando que não estão “a apontar pistolas” ao trabalho do executivo anterior.
Após os esclarecimentos do autarca, o vereador José Nuno Vieira teceu algumas considerações sobre os assuntos abordados, começando pela situação do Pavilhão das Travessas, caso exposto pelo vereador José Fonseca. “Quero esclarecer que não está minimamente subjacente qualquer tipo de acusação sobre o executivo municipal. Todos compreendemos que se trata de um facto imprevisível e excecional que infelizmente ocorreu. Apenas reforçar que as associações devem ser apoiadas neste momento difícil”, declarou José Nuno Vieira, acrescentando também que os pedidos de previsão de prazos não têm o intuito de fazer “pressão” sobre a autarquia, embora considere importante o planeamento de uma “estimativa”. Com a nota de que “queria ser otimista sem ser pessimista”, João Oliveira admitiu que gostaria que a “próxima época desportiva começasse” no Pavilhão das Travessas.
No que diz respeito à biblioteca, o vereador José Nuno Vieira afirmou que as infiltrações naquele equipamento, verificadas nos últimos anos, “foram sendo resolvidas”, embora nunca tivesse ocorrido “um cenário de choque”, como referido pelo autarca. “Por prudência, encomendamos aos serviços técnicos um levantamento de patologias e a execução de um projeto de reabilitação. Esse levantamento técnico estava suportado de registos fotográficos; conseguem ver como a biblioteca estava”, acrescentou, afirmando que o papel intrínseco da autarquia passa precisamente por resolver os imprevistos registados atualmente. “Vocês fizeram o vosso melhor enquanto cá estiveram e nós temos de dar o nosso melhor também para resolver os problemas que vão surgindo”, assegurou o edil, João Oliveira. “Nunca vamos resolver tudo; quem vier a seguir, vai ter outros problemas para resolver”, constatou.
Após o debate autár­quico sobre o estado dos edifícios municipais, os pontos respeitantes ao período da ordem do dia foram aprovados por unanimidade, incluindo a nomeação do Conselho Municipal de Educação de São João da Madeira, a doação de vários bens ao Museu da Chapelaria, a incorporação de 50 pinturas do artista sanjoanense Armando Tavares ao acervo municipal e o apoio financeiro para a Associação Desportiva Sanjoanense (ADS) – Secção de Hóquei em Patins no âmbito da sua participação nas competições europeias organizadas pela WSE Cup.

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