Sociedade

Mães juntam-se para (também) serem mulheres

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Ser mãe pode ser uma bênção. Mas também pode ser extenuante, sobretudo se à mãe couber toda a responsabilidade para com os filhos. Para dar às mães tempo de serem mulheres está a decorrer, desde setembro do ano passado, o projeto Lugares de Encontro

O projeto foi apresentando em junho e já chegou a 28 mães e cerca de 44 crianças. O objetivo final é envolver 100 participantes até setembro de 2023. Recorde-se que segundo divulgado em junho do ano passado, havia cerca de 100 famílias monoparentais na cidade, quase todas compostas pela mãe.
O grupo de mães é flutuante, como explica Maria João Leite dos Ecos Urbanos, até porque é possível integrar o projeto a qualquer momento. À terça-feira há teatro fórum e às quartas o Clube do Avental, com multidisciplinariedade de atividades. Os encontros decorrem ao final da tarde e, normalmente, cada sessão conta com cinco a 14 mães. Já o grupo das crianças pode ter entre seis a 25.
“Não temos também capacidade para mais, sendo que há atividades em particular em que reforçamos a participação”, aponta Maria João Leite, sublinhando que “os filhos estão sempre perto” enquanto as mães se juntam. Normalmente estão numa sala ao lado, na zona da Oliva Creative Factory, ou então vão ao Centro de Arte Oliva, parceiro no projeto.
“Há atividades com grande impacto, como as sessões de relaxamento ou bem-estar que fazemos uma vez por mês”, nota a responsável dos Ecos Urbanos, acrescentando que, por vezes, até “emocionalmente é observável que está a haver efeito” nas participantes.
Um dos problemas identificados na conceção do projeto foi a falta de tempo das mães para si enquanto mulheres, por dedicarem grande parte do seu tempo aos filhos. No entender de Maria João Leite, “há uma sobrecarga enorme nas mães”. “E sabemos que em muitas outras com quem contactamos há uma parte significativa que diz que não tem tempo disponível para o projeto. Tivemos também pessoas que já tinham ligação do projeto e estavam a gostar, mas arranjaram empregos por turnos ou formações e deixaram de poder vir”, acrescenta a responsável.
Os Ecos Urbanos trabalham com famílias de todos os géneros, mas dentro das que apoiam, há uma parte significativa de famílias monoparentais, sendo que perante “empregos muitas vezes precários”.
Lugares de Encontro permite “um momento de suspensão da rotina e de estimulação para que elas tenham tempo para ser mulheres”.
A ideia de que as mães têm mais responsabilidades sobre os filhos do que os pais também tem de ser desmontada, como aponta Maria João Leite, considerando que “a comunidade pode ajudar-se, muitas destas mulheres queixam-se de isolamento, ficaram sozinhas com este papel”.
“Sabemos que cada mulher mãe, sem recursos financeiros razoáveis e muitas vezes sem rede familiar em S. João da Madeira, é uma resistente”, admite Maria João Leite, completando que o “Lugares de Encontro serve para oferecer leveza, energia, bem-estar e diversos conhecimentos a cada uma dessas mulheres, para que possam usufruir de um momento de suspensão do ritmo exigente do quotidiano, com propostas que vão ao encontro dos seus interesses, que por vezes, pode ser simplesmente descansar”.
Um dos aspetos mais relevantes deste projeto é a avaliação do mesmo, já que a Universidade de Aveiro e a Associação Irenne (composta por investigadores) são parceiras da iniciativa.
Entre as atividades planeadas estão conversas sobre literacia financeira, sexualidade, autocuidado, racismo, nutrição, numa programação que dará continuidade à dança, meditação.

Ar­tigo dis­po­nível, em versão in­te­gral, na edição nº 3889 de O Re­gi­onal,
pu­bli­cada em 28 de abril de 2022

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