Opinião

Editorial - CEM ANOS – BEM BONITO ROL

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O tempo vem, o tempo vai, o tempo corre, o tempo voa, o tempo uiva – o tempo não sabe o que faz. Ou então é o Homem que desfia lentamente o fio de Ariadne ou não dispensa os contos das infindáveis Mil Noites de Xerazade.
Sonhadores apetitando o delá da esquina ou vontades esclarecidas na escolha do seu rumo, aí está o facto-ícone que no Primeiro dia do Ano de 2022 ``O Regional`` festeja os cem anos de vida. Como se sabe, este jornal nasceu para defender a independência da freguesia de S. João da Madeira, nessa altura dependente de um concelho vizinho.
Em boa hora o fizeram os sanjoanenses desse tempo, visto que depressa a freguesia se tornou vila, a vila se fez cidade, a cidade se fez concelho e o concelho se fez comarca. Parafraseando o que disse o presidente do Brasil Juscelino Oliveira, a nossa cidade nasceu para ser grande – se não fosse faltaria ao seu destino. Mas não faltou, pois subiu às galáxias com a criação de um empório Industrial e Comercial que elevou a cidade e toda a zona das terras hialinas de Santa Maria da Feira a um patamar que lhe deu o título de Cidade do Trabalho.
A história cívica e cultural de S. João da Madeira será decerto feita um dia. Assim o exigem as dezenas e dezenas de colaboradores que através do tempo deram a este jornal o ponto cimeiro do Jornalismo Regional. Como Manuel Tavares, o socialista de feição cristã que depois de quarenta anos de colaboração, no leito derradeiro ainda conseguiu reunir forças para ditar à sua filha a crónica final. Talvez um dia os que dedicaram a este jornal o melhor de si próprios, venham a ser lembrados como de absoluto merecem. E são tantos que lembrá-los é ajoelhar perante os valores da dádiva e do mérito.
Que nos seja perdoada qualquer falta de memória, mas o que nos faz levantar a voz é o bem-querer a todos e a cada um. Desde logo Josias Gil, o sanjoanense de corpo inteiro, tão depressa afastado por um destino traçado nas linhas da mão esquerda. José Manuel Bastos e o seu espírito de busca dos valores; Manuel Esmaelino e o seu coração de abundâncias; Arménio Adé o rei soldado da crónica jornalística por excelência, Belmiro Silva, que durante anos foi quem arcou com a colaboração do Jornal; Durbalino Duarte pela sua bondade como um mar chão, Duarte Gonçalves que foi premiado pela qualidade de uma escrita de passo largo e virada para a frente.
Tantos e de tal mérito que me põem perante a dúvida sobre se serei capaz de dizer tudo o que sinto. Espera… talvez a poesia ou a sua irmã gémea – o bem-querer.

Pergunto ao eito pelo doce alento
Da voz de mel que lhe entreguei outrora.
Responde o eito que a levou o vento,
,Só lembra a voz que lhe confio agora.

Pergunto ao dia claro. Ao desatino
Do livro das perguntas sem respostas.
À janela de rendas de menino,
A minha rezando, eu de mãos postas.

Pergunto à noite, A um cavalo cego.
Ao vau fervente onde me afirmo e nego
À galáxia distante que nem onde.

Pergunto a Deus se sabe que eu sou
Que essências há no barro que moldou
Mas Deus acena ao longe – e não responde.
FLD – Finito Laos Deo, Manuel Córrego.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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