Depressão

A depressão é uma doença que se carateriza por uma disfunção cerebral, que resulta de um desequilíbrio na produção de neurotransmissores (serotonina e noradrenalina). Pode ser desencadeada por uma perda ou outro acontecimento adverso, que despoleta uma reação desproporcional ao estímulo.
Em Portugal, a prevalência estimada é cerca de 8%, sendo as perturbações depressivas as doenças que mais contribuem para a incapacidade global do indivíduo. As mulheres têm o dobro do risco e verifica-se um risco superior no caso de existirem antecedentes familiares.
Em geral, os sintomas surgem de forma gradual, podendo a pessoa apresentar um comportamento apático e triste ou irritável e ansioso, verificar-se negligência do próprio e eventualmente de terceiros, surgirem esquecimentos/ desmotivação para atividades do quotidiano (higiene, alimentação) e queixas de doença física – dor, tonturas, palpitações, disfunção gastrointestinal, entre outros.
Para o diagnóstico desta entidade e segundo a classificação DSM V, é necessária a presença de 5 ou mais sintomas, por pelo menos um período de duas semanas e que representam mudanças no funcionamento prévio da pessoa. Pelo menos um dos sintomas terá de ser humor deprimido ou diminuição do prazer/interesse. Os demais sintomas associados são alteração do apetite e peso, alterações do sono (insónia tardia ou hipersónia), lentificação ou agitação psicomotora, cansaço, falta de concentração e ideias desadequadas como sentimentos de inferioridade.
O tratamento da depressão pode incluir psicoterapia, recurso a antidepressivos ou ambos. Os antidepressivos são seguros, sendo expetável numa fase inicial, a ocorrência de efeitos secundários à sua toma, que tendem a desaparecer com o uso contínuo. Verifica-se que a medicação demora cerca de 4 a 6 semanas até atingir o efeito antidepressivo desejado, requerendo toma diária. Preconiza-se ainda a necessidade de fazer a medicação por pelo menos 9 meses, uma vez que a interrupção precoce do fármaco, pode comprometer a sua eficácia e desencadear uma recidiva. Quando um antidepressivo não resulta, pode ser prescrito um novo antidepressivo de uma classe diferente ou proceder à combinação de antidepressivos.
Conselhos: planeie o seu dia; faça um diário – exteriorize sentimentos e medos; procure grupos de apoio – partilha de experiências; aprenda técnicas de meditação e relaxamento; mantenha uma boa higiene do sono; torne-se mais ativo, caminhando e exercitando-se regularmente; mantenha uma dieta diversificada e equilibrada.
A depressão é uma doença! Tem cura! É importante procurar ajuda! Procure o seu médico de família!

Dr.ª Andreia Pereira

Médico de Família

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