Cultura e Lazer

“Versos Livres: Desbloqueia a Tua Voz Interior” transformou-se num espaço de descoberta poética

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Com uma abordagem prática e experiencial, o workshop foi maioritariamente orientado para a poesia e estruturado a partir de vários exercícios progressivos, que procuraram acompanhar cada participante ao longo do seu próprio processo criativo.

O Museu da Chapelaria recebeu o workshop “Versos Livres: Desbloqueia a Tua Voz Interior”, no sábado, dia 21 de fevereiro, orientado pelo escritor e poeta Tiago Moita. A sessão reuniu participantes com diferentes percursos e níveis de contacto com a escrita, todos unidos pelo interesse em explorar a poesia enquanto linguagem sensível, ferramenta de autoconhecimento e forma de relação com o mundo.
O ponto de partida foi a leitura e análise de dois poemas previamente selecionados: um de Sophia de Mello Breyner Andresen e outro de Álvaro de Campos. Através destes textos, os participantes foram convidados a observar o ritmo dos poemas, a musicalidade das palavras, os sons dominantes, bem como as metáforas, analogias e escolhas lexicais utilizadas para evocar imagens, emoções e estados de espírito.
A partir desta análise, o workshop evoluiu para um exercício de revisitação da realidade, onde a literatura foi apresentada como prova de que “a vida não basta”. A poesia surgiu como um espaço onde o real pode ser reinterpretado, ampliado e ressignificado, permitindo olhar o quotidiano com maior profundidade e sensibilidade.
Um dos momentos de maior destaque da sessão centrou-se no despertar do olhar poético através do corpo e dos sentidos. Com vários objetos dispostos sobre a mesa, os participantes foram convidados a tocá-los de olhos fechados, procurando identificar texturas, pesos, temperaturas e as sensações despertadas por esse contacto. A partir dessa experiência sensorial, cada pessoa foi desafiada a reconhecer os símbolos, emoções e memórias evocadas, transformando-as depois em palavras e imagens mentais.
Seguiu-se um exercício de ampliação dessas imagens iniciais, no qual os participantes construíram uma imagem poética mais vasta, capaz de sustentar a escrita de um pequeno poema. Este processo reforçou a ideia de que “a poesia nasce muitas vezes de detalhes aparentemente simples”, quando estes são observados com atenção e disponibilidade interior.
Numa fase posterior, foram apresentados três títulos distintos, sendo pedido que cada participante escolhesse aquele que mais ressoava consigo. A partir dessa escolha, o desafio passou por interligar palavras, sensações, sentimentos e símbolos associados ao título, criando um novo poema a partir desse ponto de partida. Mais uma vez, o foco esteve na escuta interna e na coerência do texto, mais do que na correção formal.
Após a escrita, os poemas foram novamente observados do ponto de vista sonoro. Os participantes sublinharam consoantes, repetições e sons dominantes, procurando “compreender como o ritmo influencia a leitura e a intensidade do texto.” Este exercício “ajuda a tornar mais consciente a dimensão musical da poesia e a importância do som na construção do sentido”, segundo Tiago Moita.
A poesia foi apresentada como um género literário, mas também como um espaço de encontro consigo próprio, onde a palavra surge como tentativa, aproximação e descoberta.

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