
Com 78 artistas e 108 obras, “Sem Terra à Vista” inaugura a 18 de abril no Centro de Arte Oliva e propõe uma leitura das incertezas contemporâneas a partir da Coleção Norlinda e José Lima.
A abertura inclui uma performance do pianista Javier Neira e da bailarina e coreógrafa Nuria Sotelo. A curadoria é de Paula Cabaleiro, que assume como premissa “tornar o espaço do museu um lugar de encontro e reflexão, sem evitar o conflito”.
Segundo o Centro de Arte Oliva, a exposição parte do livro No Land in Sight: Poems (2022), de Charles Simic, para abordar as incertezas contemporâneas. A ideia de uma navegação sem horizonte serve de metáfora para uma sociedade marcada por instabilidade política, fragilidade democrática, crise climática e desigualdades estruturais.
A proposta curatorial cruza artistas de diferentes gerações, geografias e linguagens, convocando temas como conflitos geopolíticos, desinformação, violência estrutural e transformação social. A mesma nota refere ainda processos de desumanização que atravessam corpos, comunidades e territórios, num contexto de agravamento das desigualdades e de erosão do pensamento crítico, a par de uma crise ambiental associada à exploração intensiva de recursos naturais.
Entre as obras apresentadas estão Ash Mirror, de Bernardí Roig, Enséñame la Isla, de KCHO, Sala de Espera – Os Móveis a Afirmarem a sua Inutilidade, de Ana Vieira, 100 Rádios Mortos, de Rui Toscano, e 3, 2, 1, 0 A A and Away, de Carlos Noronha Feio. Integram também a exposição trabalhos de Vanessa Beecroft, Edgar Martins, Miguel Januário e Susanne S. D. Themlitz.
A exposição reúne escultura, instalação, fotografia e práticas conceptuais, propondo uma leitura crítica do presente. Para Paula Cabaleiro, trata-se de um dos maiores desafios do seu percurso curatorial e do trabalho com uma das mais relevantes coleções privadas do país, cruzando artistas portugueses com nomes internacionais, sobretudo europeus, mas também dos Estados Unidos e do hemisfério sul.
Ao longo da exposição, o Centro de Arte Oliva promove um programa paralelo com visitas orientadas para público espontâneo, sessões “PAUSA” — momentos informais de aproximação a uma obra e a um artista —, conversas com colecionadores e convidados e visitas comentadas com as curadoras.
Está ainda prevista uma conversa com Miguel Januário, Bernardí Roig, Maria Vlachou e Encarna Lago, moderada por Lara Soares e Paula Cabaleiro.
A programação inclui também performances de Veronica Ruth Frias, Ana Gesto e Rebecca Moradalizadeh.
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