
O sanjoanense Marcos Mateus lançou o seu primeiro livro divulgado por uma editora, que se afasta do formato convencional dos livros de poesia. “Por Ares e Mares” nasceu da colaboração com o grupo Narrativa, e tem ilustrações de Sofia Paulino.
Asseverando que não trilhou um percurso “deliberado como poeta”, e que talvez “nunca o venha a fazer”, Marcos Mateus revelou que o seu percurso como escritor iniciou “mesmo antes de aprender a escrever”, ao “ouvir as narrativas” do tempo do volfrâmio nas “Serras de Arouca”, contadas pelos seus avós maternos. E também dos “contratempos dos protestantes” durante os anos do Regime Fascista, no nosso País. Não obstante, o autor garante que “os poemas são singularidades que se formam sem uma decisão consciente”.
Enquanto investigador e professor no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, escrever “sempre desempenhou um papel central” na sua carreira, muito embora, tenha sido uma atividade muito voltada para “publicações de caráter técnico e científico”. Fora desse âmbito, a escrita tornou-se numa ocupação, originada “no compromisso” de “compartilhar” com os seus filhos “algumas das histórias e narrativas” que, garante, ter tido o “privilégio de ouvir ao longo da vida”.
Apesar de não ser a sua primeira incursão na escrita “Por Ares e Mares-Breves Epopeias Sentimentais”, é o seu primeiro livro a seu divulgado por uma editora, neste caso, o Grupo Narrativa, que contém diversas chancelas que publicam obras que abrangem vários géneros literários.
“De particular importância neste processo é o amor que dou e que recebo”
A incursão na escrita poética não foi premeditada, sobretudo por não ser um género que figure entre as preferências do autor.
A composição dos poemas começa muitas vezes como “resposta a estímulos visuais, musicais ou vinculados a narrativas literárias”, que lê ou ouve. De particular importância neste processo, tal como acrescentado pelo mesmo, é “o amor”, que dá e que recebe. “São destes estímulos que emanam as ideias, por vezes não mais do que uma frase, e que depois se expandem na forma de um poema. Neste processo criativo, há uma força inspiradora alimentada por uma fé que me faz acreditar numa realidade que se estende além dos limites da matéria e do tempo”, elucidou.
Por sempre ter tido “um profundo desinteresse pela poesia”, devido “à linguagem indecifrável de muitos poemas”, e para evitar replicar o mesmo “erro” optou por escrever poesia que considera “acessível” e “cativante”, muito embora algumas das “imagens evocadas exijam do leitor alguma experiência de vida para serem entendidas”.
No que toca à responsabilidade de quem escreve para com o público e com a comunidade, o autor afirmou que apesar de atualmente esta “responsabilidade” poder ser menos relevante do que em épocas passadas, dada a “profusão de textos diariamente publicados em diversas plataformas, especialmente digitais”, a verdade é que “permanece uma atividade que carrega consigo uma seriedade significativa”.
“As palavras continuam a reter o poder de transportar ideias e doutrinas, de espalhar verdades ou mentiras, de construir ou demolir, e de fomentar a ordem ou disseminar o caos, tanto no leitor quanto na sociedade”, reforçou.
Poderá ter acesso à versão integral deste artigo na edição impressa n.º 3964, de 30 de novembro ou no formato digital, subscrevendo a assinatura em https://oregional.pt/assinaturas/
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