
A Poesia à Mesa voltou a reunir a comunidade em torno da palavra dita e sentida, desta vez com uma sessão particularmente simbólica: a “Tertúlia dos Poetas Sanjoanenses”, que decorreu no passado dia 18 de março, na Biblioteca Municipal
Conduzida por Cristina Marques, a sessão reuniu um conjunto diverso de vozes, desde nomes já publicados até autores emergentes. A entrada gratuita contribuiu para encher o espaço com um público atento e participativo, que respondeu com silêncio e aplausos sentidos às leituras apresentadas.
A abertura esteve a cargo de João Oliveira, que sublinhou o papel da poesia enquanto instrumento de expressão individual e transformação coletiva. “Eu queria que cada um de vós tivesse uma voz e ouvisse a voz dos outros, no sentido de perceber que a voz dos escritores e poetas vê o mundo e como todos juntos podemos contribuir para a sua transformação”, afirmou, incentivando à escuta ativa e à partilha equitativa entre os participantes.
Seguiu-se um alinhamento marcado pela diversidade de estilos e percursos. Entre os presentes estiveram nomes como Tiago Moita, Cátia Cardoso, Ângelo Oliveira, Helena Lestre, Rúben Lôpo, Eva Cruz, entre outros.
Num registo intimista e por vezes improvisado, os poetas foram convidados a ler um poema próprio, com possibilidade de uma segunda leitura ou de uma breve explicação sobre o processo criativo. A dinâmica, proposta pela moderadora, procurou equilibrar a participação e dar espaço à reflexão sobre a génese da escrita poética.
Um dos momentos de maior destaque surgiu com a intervenção de Ângelo Oliveira, que trouxe para a tertúlia um discurso entre a oralidade e a introspeção, que refletiu sobre o tempo, os sonhos e a construção da identidade sanjoanense, num registo fragmentado mas expressivo, que prendeu a atenção do público.
Também houve espaço para referências a percursos já consolidados, como o de Lisete, que recordou a publicação de uma obra apoiada pela Câmara Municipal no âmbito do festival, e para momentos de grande carga emocional, como o poema de António dedicado à mãe, que arrancou uma reação particularmente comovida da audiência.
A sessão ficou ainda assinalada pelo anúncio de um projeto editorial coletivo, que culminará numa brochura comemorativa dos 25 anos do festival, os poemas de diversos autores sanjoanenses, num compromisso da Câmara Municipal de São João da Madeira na promoção e valorização da criação literária local.
Mais do que uma simples leitura, a Tertúlia dos Poetas Sanjoanenses afirmou-se como um espaço de encontro intergeracional e de afirmação cultural. Entre vozes experientes e novas promessas, ficou evidente que a poesia continua a ser uma linguagem viva na cidade — um território onde as palavras não apenas se dizem, mas se partilham, se escutam e se transformam em comunidade.
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