Cultura e Lazer

Poesia à Mesa abriu o “apetite pelo livro e pela leitura”

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O 21° Festival Literário Poesia à Mesa levou a obra de Eugénio de Andrade ao encontro do público através de ações em locais e contextos inusitados, para além dos equipamentos culturais da cidade.

Uma conferência-performance em estreia nacional encerrou o programa da 21.ª edição do Festival Literário Poesia à Mesa. Em cena na Casa da Criatividade esteve “Branco de Neve; Dicionário para Eugénio de Andrade - 100 Palavras”, com o escritor Gonçalo M. Tavares e o grupo “Os Espacialistas”.
Esse espetáculo subiu ao palco precisamente no Dia Mundial da Poesia, assinalado na última terça-feira, 21 de março, culminando um programa que se iniciou no primeiro dia do mês e que, na prática, ainda vai continuar, já que se manterá aberta ao público até abril a exposição que está patente na Biblioteca Municipal sobre a vida e obra de Eugénio de Andrade.
O poeta natural do Fundão foi o autor homenageado pela Câmara de S. João da Madeira nesta edição do festival. “Uma bela homenagem” a “um poeta extraordinário, no ano em que se assinala o centenário do seu nascimento”, o que levou o município de S. João da Madeira a “decidir, com os comissários do evento, dedicar-lhe este 21ª Festival Literário Poesia à Mesa”, disse o presidente da autarquia a “O Regional”.

“Cultura acessível a todas as pessoas”

Num balanço do evento, Jorge Vultos Sequeira destacou “as performances que aconteceram nos nossos espaços culturais, mas também nos restaurantes, nos autocarros, no Centro de Saúde, nas fábricas e em diferentes pontos da cidade”, assim como a exposição patente na Biblioteca Municipal, “com textos e objetos pessoais” de Eugénio de Andrade e que foi concebida pelo próprio poeta.
Para o autarca, “cumpriu-se, mais uma vez, o objetivo de colocar a cultura acessível a todas as pessoas, de todas as idades, levando-a a todo o território de S. João da Madeira, abrindo o apetite pelo livro e pela leitura”.
Lembrando a Tertúlia dos Poetas Sanjonaneses, “reveladora do impacto do evento na nossa comunidade ao longo dos anos” e “uma surpreendente e muito interativa Peregrinação Poética, coordenada por Paulo Condessa e com a participação especial do ator Marcantonio Del Carlo e dos excecionais grupos da nossa cidade”, Jorge Vultos Sequeira referiu-se também aos momentos que decorreram no último fim-de-semana, “que são já uma referência”.

Livro a caminho

Na passada sexta-feira, na Biblioteca Municipal, o “Poetizando” juntou, para “uma conversa interessantíssima”, o José Fanha e o poeta, diplomata e ex-ministro da cultura Luís Castro Mendes. No sábado, o Serão Poético trouxe à Casa da Criatividade “o grande músico João Gil”, antes do encerramento do festival, na terça-feira, Dia Mundial da Poesia, “com um espetáculo único, em estreia nacional, em torno da palavra de Eugénio de Andrade, levada ao palco pelo Gonçalo M. Tavares”.
Para o presidente da Câmara, esses “são momentos que, tal como vem acontecendo há duas décadas, merecem ficar registados para memória futura, daí que tenhamos decidido avançar com a edição de um livro, a lançar futuramente, que seja o registo desta viagem de várias edições pela poesia”.
Uma publicação na linha da que a autarquia já lançou sobre o Festival de Teatro, “outro evento de referência, que se inicia já no próximo fim de semana, em mais uma demonstração do grande dinamismo que S. João da Madeira, tal como se verifica noutros sectores, revela ao nível cultural”, conclui Jorge Vultos Sequeira.

Ao encontro das pessoas 

Para além da Biblioteca Municipal, da Casa da Criatividade, dos Paços da Cultura e, excepcionalmente, do Centro de Arte Oliva (acolheu a Peregrinação Poética, devido às condições atmosféricas que se fizeram sentir na altura), muitos outros locais do concelho foram palco de atividades do Festival Literário Poesia à Mesa, entre 1 e 21 de março, levando as palavras de Eugénio de Andrade ao encontro das pessoas.
Assim, a poesia percorreu as ruas da cidade, passou por restaurantes, fábricas e escolas, “viajou” de autocarro TUS e ecoou no Mercado Municipal, tendo também marcado presença no Centro de Saúde, onde se distribuíram receitas poéticas aos utentes, “porque a poesia também ajuda a curar a alma”.
A poesia andou também impressa em diversos materiais, desde aventais e toalhetes de mesa, passando também por receituários e lápis.
Foi também realizada a exposição “A Raiz das Palavras”, que pode continuar a ser visitada na  Biblioteca Municipal.

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