Cultura e Lazer

Peregrinação Poética percorreu a Oliva com Pedro Lamares e Lúcia Moniz

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A cidade de São João da Madeira voltou a reunir poesia, arte e comunidade no passado sábado, 7 de março, com a realização de mais uma edição da Peregrinação Poética, um dos momentos mais emblemáticos do XXIV Festival Literário Poesia à Mesa

O evento, de entrada gratuita, constituiu um dos maiores momentos de envolvimento coletivo do festival, reunindo diversos grupos culturais da cidade numa celebração performativa da poesia. Ao longo da tarde, os participantes foram conduzidos por diferentes espaços da Oliva Creative Factory, num percurso que transformou salas e corredores em palcos para a palavra dita, cantada e partilhada.
Logo no início da sessão, Pedro Lamares convidou o público a viver a experiência como um verdadeiro ato de comunhão poética, apelando ao silêncio e à atenção durante as deslocações entre os vários palcos. “Vocês vão ser conduzidos e conduzidas de uma forma que vão rapidamente perceber o que é que está a acontecer”, afirmou o diretor artístico, acrescentando ainda um pedido simbólico ao público: “Nas passagens peregrinadas entre palcos, vamos tentar fazer percursos de trabalho no silêncio, como uma verdadeira peregrinação ou procissão.”
A Peregrinação Poética contou com a participação ativa de vários grupos locais, entre eles A Bem Dizer, Associação Cultural Luís Lima, Associação de Jovens Ecos Urbanos / CLDS 5G São João da Madeira, APROJ, CERCI, Fugas Poéticas, Teatro Oliveira Júnior e Universidade Sénior, que apresentaram leituras e performances inspiradas em textos de autores portugueses e contemporâneos.
O percurso artístico dividiu-se por diferentes espaços e momentos. No primeiro palco, instalado no Museu do Calçado, o grupo Ecos Urbanos apresentou leituras de poemas de autores como Adília Lopes, António Gedeão, Florbela Espanca e José Tolentino de Mendonça, numa sessão acompanhada ao acordeão por Sónia Sobral. Já na Sala Oliva reuniram-se vários grupos da cidade, que deram voz a textos de poetas como António José Forte, Isabel Meyrelles, António Carlos Cortez ou Luísa Dacosta.
Inicialmente previsto para decorrer na Sala Vénus, o terceiro momento do percurso teve de sofrer um ajustamento logístico devido à grande afluência de público presente tanto na Torre da Oliva como no Museu do Calçado. Perante a elevada participação, as atuações previstas para o Palco 3 acabaram por realizar-se também no Palco 2, permitindo acomodar melhor os espectadores. Após essa adaptação, o público seguiu diretamente para o último momento do percurso, no Palco 4.
Esse último momento teve lugar na Sala Neptuno, onde a convidada especial Lúcia Moniz apresentou uma seleção de poemas escolhidos por si, criando um ambiente particularmente intimista entre a poesia e o público.

Durante a sua intervenção, Lúcia Moniz refletiu sobre o poder da poesia e sobre o modo como a literatura pode dar voz às inquietações individuais e coletivas. “Os livros também me dão voz, também subscrevem às vezes coisas que não são subjetivas e que respondem ou põem nas palavras certas aquilo que eu não consigo exprimir”, afirmou a artista, acrescentando que a poesia pode funcionar como um espaço de expressão e resistência.
A atriz sublinhou ainda a importância da literatura enquanto ferramenta de consciência social, referindo-se a um livro que decidiu partilhar durante a sessão. “Este livro é para mim um livro que faz soar um alarme, para fazer resistência, dar voz a mulheres, fazê-las sentir que não estão sós e que não estão excluídas.”
Num momento marcado pela emoção, Lúcia Moniz recordou também a ligação artística e pessoal que mantém com Pedro Lamares, reconhecendo o papel do diretor artístico na sua aproximação à poesia dita em palco. “Agradeço ao Pedro desde o momento em que me obrigou a dizer poesia pela primeira vez na vida até hoje. Dizer poesia dá-me voz e faz-me ter a certeza de que é isto que eu quero transmitir”, confessou, num comentário que descreveu, com humor, como “quase uma declaração de amor”.
O programa do dia prolongou-se pela noite com o regresso de uma tradição muito ligada à cidade, as tertúlias literárias. Pelas 21h30, o café “O Poeta”, no Parque Ferreira de Castro, recebeu uma vigília poética que reuniu Pedro Lamares e Lúcia Moniz numa conversa aberta com leituras de poesia e momentos de reflexão sobre a palavra e a criação artística.
A sessão dividiu-se em três momentos distintos, uma conversa inicial entre os dois convidados, leituras individuais de membros dos grupos participantes e, por fim, um microfone aberto que permitiu ao público partilhar poemas e textos pessoais.

 

 

 

 

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