Cultura e Lazer

Oliva acolhe exposição dedicada ao Vouguinha e à icónica linha do Vale do Vouga

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Até 12 de dezembro, estará aberta ao público, na Torre da Oliva, a exposição “O Vouguinha e a icónica Linha do Vale do Vouga”, promovida pela Associação de Municípios das Terras de Santa Maria e pelo Município de S. João da Madeira.

Toda a história da linha do Vale do Vouga, cujos troços foram abertos à exploração entre 1908-1914, está patente, desde ontem, dia 23, no edifício da Torre da Oliva, e ficará até ao dia 12 de dezembro, em formato de exposição, através de painéis informativos e objetos que fizeram parte do quotidiano das estações, utensílios de trabalho, ao longo dos anos, como a construção da linha, as suas estações, as profissões ferroviárias, os diferentes comboios que circularam nesta linha, a inovação no Vale do Vouga, e, ainda, o futuro da linha.
No dia em que a linha assinala 108 anos, desde o seu primeiro troço, entre Espinho e Oliveira de Azeméis, cuja inauguração aconteceu no dia 23 de novembro de 1908 pelo Rei D. Manuel II, tendo sido aberta à exploração no mês seguinte. S. João da Madeira, nesse âmbito, recebe a exposição “O Vouguinha e a Icónica Linha do Vale do Vouga”, uma iniciativa promovida pela Associação de Municípios das Terras de Santa Maria e autarquia sanjoanense.
A mostra, agora patente na Oliva, está há cerca de um ano a percorrer vários concelhos, e convida os visitantes a fazerem uma viagem pela história deste equipamento único no país, além de sensibilizar para a necessidade de salvaguarda da memória da linha do Vouga.
Para o presidente da Câmara Municipal de S. João da Madeira, esta exposição “assinala a importância que atribuímos à Linha do Vouga enquanto solução de descarbonização, de mobilidade coletiva, em detrimento do transporte individual e de promoção da ferrovia”. Jorge Vultos Sequeira adianta a ´O Regional’ que a “autarquia está a trabalhar com o Governo e os municípios de Oliveira de Azeméis, Santa Maria da Feira e Espinho para que a reabilitação seja uma realidade”.

Braço, Carvão e Aço, no palco da Casa da Criatividade

Também com enquadramento no projeto “À Volta do Vale das Voltas”, vai subir ao palco da Casa da Criatividade, em S. João da Madeira, domingo, dia 27 de novembro, o espetáculo de teatro “Braço, Carvão e Aço”, com duas sessões (15h30 e 19h00). O acesso é gratuito, mediante levantamento prévio de ingresso nas bilheteiras locais.
Com a presença de uma intérprete de língua gestual, essas apresentações resultam de uma criação da companhia “Teatro em Caixa”, para maiores de seis anos, com a participação de comunidade local, nomeadamente de atores de grupos de S. João da Madeira: Aceite, CERCI e Companhia de Teatro Leal. “Na preparação do espetáculo registou-se também à participação da indústria e comércio local, como sucedeu com empresas do setor da chapelaria – FEPSA, Ruas e Pinho, Lda. e Costa Larga, Lda. –, através do reaproveitamento de desperdícios para criação de figurinos e objetos de cenografia”, refere a autarquia.

“Linha do Vouga foi considerada o mais importante investimento na região”

Adicionalmente, conta com a participação das professoras e artistas Celeste Cerqueira e Sónia Catarino, e alunos dos cursos de Artes e de Multimédia, da Escola Serafim Leite, que, além de integrar a peça, também asseguram a produção de parte da cenografia e elementos vídeo.
Segundo a Infraestruturas de Portugal, à época da sua construção, a Linha do Vouga foi considerada “o mais importante investimento na região”, quer do ponto de vista social quer económico, interessando diretamente a 16 concelhos que, segundo o recenseamento de 1890, somavam 336.578 habitantes. Refere ainda que a obra enfrentou diversas dificuldades, relacionadas com as características geográficas da zona, o que obrigou à “construção de uma via com um perfil bastante acidentado e sinuoso, com curvas e contracurvas cujo raio, nalguns casos, não ultrapassa os 90 metros”, razão que conduziu à opção pela bitola métrica, e está na origem do nome pelo qual ficou também esta linha conhecida “Linha do Vale das Voltas”.
Dão ainda conta que a Linha do Vouga “é o único troço” de via estreita (bitola métrica) ainda em exploração, e desenvolve-se entre a estação de Espinho-Vouga e Aveiro, servindo 44 estações e apeadeiros numa extensão de 96 quilómetros que atravessam 36 obras de arte.
Atualmente, a circulação ferroviária de passageiros encontra-se suspensa entre as estações de Oliveira de Azeméis e Sernada do Vouga.

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