Cultura e Lazer

“O Pedro Albuquerque é prosa poética”

• Favoritos: 28


O escritor Pedro Albuquerque, distinguido no âmbito do festival Poesia à Mesa, regressou à cidade para apresentar o seu livro de poesia “exTRATOS DRAMÁTICOS”, uma obra que revela “maturidade literária” e “espírito criativo”.

A apresentação do livro ficou a cargo de Cristina Marques, que confessou ter ficado “de olho” no trabalho de Pedro Albuquerque quando lhe entregou o prémio do concurso Poesia na Corda, que decorreu no âmbito da edição deste ano do Poesia à Mesa.
Para a crítica literária, há na obra uma “maturidade literária” e um “espírito criativo”, sendo que “as metáforas, as aliterações, as anástrofes e a hipérbatos são os recursos expressivos que, proliferando, constroem a poesia deste autor”.
No entender da professora sanjoanense, a poesia de Pedro Albuquerque distingue-se ao permitir ao leitor ser co-construtor do texto poético, mas também pela sua musicalidade e pelo seu ritmo. Afirma que “o Pedro Albuquerque é prosa poética” e desconfia mesmo que “ele a pedir um café faz um pequeno texto em prosa poética”. Além disso, destaca que o autor “traz a voz do povo” para a sua obra.
O livro conta com um poema dedicado a Caetano Veloso, que teve o aval do próprio músico brasileiro. Além disso, divide-se em duas partes, uma que foi escrita quando o autor “caminhava” ao lado de Sophia de Mello Breyner, que diz ser a sua “escola na poesia”, e uma segunda parte que surgiu ao som do álbum FMI de José Mário Branco, com uma poesia mais política e interventiva. “O que haverá de mais filosófico ou motivador de análise da sociedade em que vivemos?”, questiona Cristina Marques a propósito da segunda parte da obra, na qual “o sentido da ironização e do humor acendem a leitura”.
A propósito, “exTRATOS DRAMÁTICOS” conta com prefácio do músico Pedro Branco, filho de José Mário Branco. Cristina Marques destacou ainda o grafismo do título do livro e o desdobramento da “aceção semântica da palavra ‘extrato’”.
“Ao ler alguns textos, dois ou três textos, senti, em fundo remoto, melodias que fazem parte da nossa identidade nacional: a voz de Carlos do Carmo e Paulo de Carvalho, para além de José Mário Branco… e gostei desta evocação de memórias”, afirmou ainda a professora sanjoanense.
Confessando admiração pelos artistas mencionados por Cristina Marques, o autor aveirense Pedro Albuquerque realçou também que tem trilhado com S. João da Madeira uma “bonita relação”.

Nova obra no início do verão

Partilhou ainda que o poema dedicado especificamente a Sophia de Mello Breyner foi escrito no jardim botânico do Porto, quando visitou pela primeira vez a casa da escritora. Já o poema dedicado a José Mário Branco terá surgido mesmo de ideias que teve enquanto tomava banho.
A apresentação foi abrilhantada pela música de Paco Nabarro e leituras poéticas feitas por Cristina Marques e Cátia Cardoso.

Evento contou com a declamação de vários poemas por parte de
Cristina Marques e Cátia Cardoso

Para o autor, a apresentação em S. João da Madeira foi um momento “realmente bonito. Depois da inesperada afluência, ter a sorte de contar com a música do brilhante Paco Nabarro e com a interpretação e declamação de vários poemas por parte da professora Cristina Marques e da poeta Cátia Cardoso, foi fabuloso”.
Pedro Albuquerque tem 31 anos, mas, começou a escrever ainda antes de escrever. O autor contou que “com três, quatro anos, pedia à família para escrever o que ditava”. Alguém escrevia o ditado e, depois, o autor assinava e fazia as ilustrações, sendo que essas folhas ainda hoje são guardadas.
O livro, que é a estreia literária de Pedro Albuquerque, está disponível em lojas online como a da Wook e Bertrand.
Entretanto, o autor revelou que já se encontra a trabalhar na próxima obra, agora na modalidade de contos e “que sairá no início do verão”, estando também “a dar continuidade à digressão de apresentação do exTRATOS DRAMÁTICOS, que encerrará na biblioteca da Maia a 24 de fevereiro”.

28 Recomendações
119 visualizações
bookmark icon