
O AcáMúsica está de volta, nesta que é a segunda edição deste ciclo de concertos, que funde em parceria a edilidade e a Academia de Música de São João da Madeira. Com a matriz de ser um momento onde a música e o que se fala dela se juntam, procurando o seu enquadramento histórico, social e estético, de maneira a desmistificar a ideia de que a música dita erudita é apenas para determinados nichos sociais, estes concertos procuram proporcionar a toda a comunidade uma partilha de conhecimentos e emoções que só a Música, enquanto arte, proporciona a todos os que dela usufruem, de forma mensal, sempre às onze horas do primeiro domingo de cada mês, entre outubro e julho.
No passado domingo, 2 de outubro, o concerto esteve a cabo de um duo de violino e piano composto por Dhiego Lima e Ana Isabel Santos, respetivamente, e com os comentários a cargo de José Luís Postiga. Com a particularidade de se terem conhecido e iniciado o trabalho conjunto em São João da Madeira, Dhiego Lima e Ana Santos interpretaram obras de Mozart, Schumann e Brahms, repertório reconhecidamente dedicado a este tipo de instrumentação.
Tomando como ponto de partida a genialidade de Wolfgang Amadeus Mozart, o duo interpretou a Sonata para piano e violino nº27, reconhecida pelo facto de ter sido composta em apenas uma hora, e em cuja estreia, feita pelo compositor a 8 de abril de 1781, Mozart ter executado a parte de piano sem que estivesse escrito qualquer nota na partitura.
Em dois movimentos, a música fluiu diretamente da sua capacidade de composição no dia anterior, para os ouvidos de todos os convidados do Arcebispo de Salzburgo, ato repetido pelo duo para a bem composta plateia do Auditório Marília Rocha. Depois, o público foi ‘conduzido’ para o verdadeiro espírito romântico da música do século XIX, tendo-se destacado a relação entre Schumann e a literatura alemã da época, com as suas 3 Romance op. 94, dedicadas à sua querida esposa Clara Schumann, pouco antes do seu auto-internamento numa clínica psiquiátrica.
O lirísmo poético da melodia ‘cantada’ pelo violino, ao qual respondia o não menos dramático desenho melódico/harmónico do piano, tão bem conseguidos pelos intérpretes, facilmente transportaram a plateia para o momento seguinte: a 3ª sonata para violino e piano, op.108 de Johannes Brahms. Por esta altura, já Dhiego e Ana mostraram que a música de câmara se faz apenas pela ‘respiração’ do som, sem necessidade de contacto visual. Ao longo dos quatro andamentos, foi possível viver por entre as longas e sustentadas melodias brahmsianas, pela alternância de tipos de expressividade puramente musical, para concluir num rondó-sonata poderoso, em que se digladiam os acordes do violino e do piano numa explosão sonora verdadeiramente triunfal.
O ciclo de concertos segue já no próximo 6 de novembro, com novas abordagens sonoras.
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