Cultura e Lazer

Martz Inura apresentou “TriCidades de Deus”

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O autor Martz Inura apresentou a sua mais recente obra literária, no passado sábado, na Biblioteca Municipal de S. João da Madeira.

A apresentação de “TriCidades de Deus” esteve a cargo de Samuel Oliveira.
A vereadora Irene Guimarães, presente na sessão, destacou o “muito contentamento” com que vê a apresentação da obra na biblioteca sanjoanense. O livro “conta-nos aquilo que é fundamental ouvir neste momento”, disse, confessando que ainda não o leu todo, mas já percebeu “o fio condutor” e os temas “fundamentais na nossa atualidade”, que a obra aborda.
Samuel Oliveira apresentou a obra “com satisfação”, frisando a “amizade” entre ambos os oliveirenses, “cordial e literária”. “Enquanto eu fiz uma carreira académica, ele fez a carreira militar, chegou ao posto de coronel e licenciou-se em sociologia”, informou Samuel Oliveira sobre o autor.
O romance, indicou Samuel Oliveira, situa-se no reinado de D. Fernando, “aquele rei que Camões disse que um fraco rei faz fraca a forte gente”, como lembrou, tecendo algumas considerações históricas, e estabelecendo linhas com a obra, da qual também leu um excerto, deixando uma questão sobre o que pode unir as classes, e antecipando o amor e a amizade como resposta.
Por sua vez, o autor indicou a muita investigação que está na origem da obra e a ajuda de muitas instituições.
Não é um livro fácil, retrata uma cidade da Idade Média” e com uma visão “muito diferente da atual”, reconheceu o autor, completando que “é preciso gostar de História para o ler”.
Martz Inura é o pseudónimo de Emídio Ferreira de Aguiar. Nascido em 1945, em Carregosa (Oliveira de Azeméis), o autor é também colaborador d’O Regional’ e “TriCidades de Deus” é um romance de ficção histórica. Segundo se pode ler na sinopse do livro, este “procura recriar a realidade do dia-a-dia da cidade de Lisboa nos inícios do século XV, quando esta era constituída por três comunidades: cristãos, mouros e judeus, que, dependentes de um mesmo soberano, se organizavam como autênticas Cidades-Estado”. Na mesma nota preliminar, o autor questiona se haverá uma fórmula para que as religiões todas se respeitem umas às outras, frisando que “têm sido ensaiados vários processos políticos durante a História” e que as religiões são “frequentemente usadas como cola destinada a cimentar a identidade de um povo, que, com a mente assim formada se recusa aceitar ideias divergentes e deus estrangeiros”.
Neste sentido, Martz Inura acredita que o seu livro, “equacionando o problema por volta de 1402, em Lisboa, onde estava a ser vivenciado há séculos, talvez dê sobre o assunto algumas indicações aos leitores”.
Recorde-se que a primeira publicação de Martz Inura foi “Sinfonias Incompletas” (poesia), em 2004. Além de outros livros em poesia e, depois, em prosa, também tem publicações de ensaios. Em 2008, recebeu o prémio João da Silva Correia, da Câmara de S. João da Madeira, com a obra “Viagem ao Fim do Império”, um romance ligado à guerra colonial. Nos últimos anos, publicou em 2013 “Uma História de Lisboa”, em 2015 “À Sombra de Herculano” e em 2020 “Uma Traição Portuguesa”.

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