Cultura e Lazer

Luís Tavares: “Não podemos querer ter validação, mas no fundo sabe bem”

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O jovem artista visual sanjoanense já trabalhou com cantoras como Selma Uamusse e Joana Alegre, tendo sido premiado este ano pela plataforma Gerador. A ‘O Regional’ conta como é o seu processo criativo.

Passou a maior parte da sua vida em S. João da Madeira, onde estudou, nas escolas Serafim Leite e João da Silva Correia. Estudou artes visuais e fotografia no Porto. Trabalhou como designer gráfico de têxtil e de marketing, também na região do Porto, contexto no qual diz ter sido “muito autodidata”.
Atualmente, está em Lisboa num “trabalho mais administrativo”, como coordenador de ensaios clínicos.
Isto porque, deste modo, a liberdade que tem no seu processo criativo “não é de produção em massa, quase fabril”.
Nos trabalhos que fiz a full time tinha de estar sempre a sair alguma coisa e chegava um ponto em que até o meu gosto pela área era afetado por isso”, explica a ‘O Regional’, indicando que percebeu então que não podia trabalhar a tempo inteiro como artista visual, mas ter isso “como um extra”.
Como não é algo que eu precise a nível económico, vou fazendo os meus trabalhos em arte; se chegar aos olhos de alguém, como foi o caso com a Selma [Uamusse], podem-me fazer a proposta”, completa. Fica assim com um “equilíbrio” em que a parte criativa não fica “esgotada”.

“Também coloco muito do meu cunho a nível conceptual”

Já trabalhou com Emmy Curl, Selma Uamusse e Joana Alegre. Experiências que carateriza como “incríveis” e “muito interessantes”. Passou ainda pela possibilidade de trabalhar com Cláudia Pascoal, o que não se materializou, pelo menos, como refere, para já.
Relativamente ao seu processo conta que as artistas explicam a ideia e “a vibe do álbum”. “Colocam-me a ouvir as músicas, as letras, mandam-me referências e eu faço uns sketches, desenho algo para perceberem e ver o que elas gostam”. Depois, fazem várias experiências em estúdio.
O grosso do meu trabalho é fotografia, edição, design, mas também coloco muito do meu cunho a nível conceptual”, diz, remetendo para as pétalas, na capa do álbum de Joana Alegre.
Às vezes, para obter uma só imagem são precisas várias fotografias, como também aconteceu nesse caso.
Há dois momentos de que o jovem gosta particularmente. O primeiro é quanto tem “a ideia na cabeça”, está a fotografar e a juntar as peças mentalmente daquilo em que pretende que resultem as imagens. O segundo momento é quando já leva avanços na edição e se começa a aperceber de “onde tudo começou e onde já está”.
Só a fotografia em si não me entusiasma”, refere igualmente.
Como não vive da arte e não tem de “procurar clientes”, acredita que isso lhe permite investir mais na criatividade e com relativa calma. “Não tenho pressa, acho que também chega a um ponto em que o trabalho fala por si”, sustenta.
Contudo, admite que o “equilíbrio” de que diz precisar, não trabalhando como artista visual a tempo inteiro, tem que ver, de alguma forma, com o quão “difícil” é “viver das artes em Portugal”.
“Freelancer é um trabalho, às vezes, um bocado ingrato, podes encontrar clientes com temperamento difícil ou que querem pagar com exposição, tens de estar sempre a penar para fazer o valor mensal, só de pensar nisso já fico aqui com uma ânsia...”, partilha.
No “equilíbrio” em que se encontra, é possível “não ter ansiedade e a própria criatividade não sofrer com isso”.

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