Júlio Machado Vaz e Rogério Charraz levaram “Palavra Puxa Palavra” aos Paços da Cultura

Integrado no ciclo cultural Poesia à Mesa, o serão “Palavra Puxa Palavra” juntou música, literatura e reflexão num formato de conversa aberta com o público protagonizado pelo psiquiatra e comunicador Júlio Machado Vaz e pelo músico Rogério Charraz.
O espetáculo construiu-se precisamente a partir da ideia que lhe dá nome: uma palavra chama outra, uma memória conduz a uma história e essa história abre caminho a uma nova reflexão. Nesse jogo entre pensamento e improviso, Júlio Machado Vaz foi conduzindo o público por um percurso marcado por episódios pessoais, observações sobre o comportamento humano e comentários sobre o mundo contemporâneo, enquanto Rogério Charraz intercalava as reflexões com canções que prolongavam ou reinterpretavam as ideias partilhadas em palco.
A certa altura, refletindo sobre o ritmo acelerado da sociedade contemporânea, o orador sublinhou a importância de criar momentos de pausa. “Se conseguíssemos fazer uma pausa e pensar um pouco, talvez vivêssemos de uma maneira menos mecânica do que muitas vezes acontece hoje”, afirmou.
Outro dos temas que marcou a noite foi a amizade. Num momento particularmente próximo do público, o psiquiatra questionou a forma como hoje se fala de relações pessoais numa era dominada pelas redes sociais. “Quando perguntamos a alguém quantos amigos tem, muitas pessoas respondem: ‘Tenho muitos amigos’. Mas, se formos honestos, talvez tenhamos cinco ou seis amigos verdadeiros”, referiu. Para o psiquiatra, os verdadeiros amigos “são aqueles a quem podemos telefonar às três da manhã”.
No final da noite, ficou a sensação de que o espetáculo tinha cumprido a promessa implícita no seu título. Tal como numa conversa que se prolonga naturalmente entre amigos, “as palavras foram puxando outras palavras”, as histórias abriram espaço para novas memórias e as reflexões lançadas em palco encontraram eco na experiência de quem assistia.
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