Cultura e Lazer

José Lima: “A maneira como comecei a comprar (quadros) era quase compulsiva…”

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No passado dia 17 de maio, pelas 18h30, o Centro de Arte Oliva (CAO) abriu portas para a exposição “Elevador da Glória”, sob a curadoria de Helena Mendes Pereira. Inspirada pela música dos Rádio Macau lançada em 1987, a exposição é uma homenagem e uma reflexão sobre a geração nascida após o 25 de Abril de 1974, com destaque para a década de 1980. Organizada em torno dos conceitos de “euforia, entropia, fragmento e hibridez, a exposição revela a complexidade e a riqueza cultural” desse período.
Reconhecidos colecionadores de arte contemporânea, Norlinda e José Lima contam com um acervo de mais de 1300 obras. José Lima partilhou perceções sobre a sua trajetória no colecionismo, revelando: “Não sei muito bem explicar porque é que comprei esta (obra) e não aquela porque eu não tenho conhecimentos técnicos para dizer que a obra é boa, se tecnicamente o artista é competente, se o indivíduo tem um currículo muito bom, eu olho para aquilo e os meus olhos vêem, sou um indivíduo com relativa sorte.” Uma coleção que começou a ganhar vida nos anos 80, numa época marcada pelo surgimento de muitos artistas emergentes.
A relação pessoal de José Lima com os artistas é um aspecto fundamental na aquisição de obras para a coleção que partilha com a sua mulher. “Gosto de conversar com os artistas, e principalmente, quando sou o primeiro comprador dos seus quadros. Chegamos a uma altura que somos colecionadores, mas quando pensei fazer a coleção já estava assim a arrancar, não é que quisesse ser colecionador, nunca pensei nisso”, descrevendo a sua jornada como quase compulsiva: “A maneira como comecei a comprar (quadros) era quase compulsiva e se tinha hipótese de comprar, comprava.”
Norlinda e José Lima têm vindo, eventualmente, a ser desafiados a expor a sua coleção, como reconhecimento da sua importância cultural.

“Não tenho nem competência, só tenho gosto e não é gosto, é o meu gosto! Só compro quadros de que gosto.”

A exposição “Elevador da Glória” demonstra, mais uma vez, a paixão e o compromisso de colecionadores como Norlinda e José Lima. Uma exposição que convida o público a refletir sobre a trajetória da geração pós-25 de Abril, através dos olhos e das obras dos artistas que viveram e expressaram essa realidade.

 

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