
O Teatro de Montemuro abre a 18.ª edição do Festival de Teatro de São João da Madeira, dando início a quase um mês dedicado aos palcos da cidade, pelos quais vão passar duas dezenas de grupos locais e de localidades vizinhas.
O Festival de Teatro é “para manter, para reforçar, para emancipar”. A garantia é do presidente da Câmara Municipal de São João da Madeira e foi dada em resposta a O Regional na apresentação pública da 18.ª edição deste ano desse evento, que vai decorrer na cidade a partir de 27 de março. Nessa sessão realizada no início da semana, na Casa da Criatividade, João Oliveira destacou que, ao longo de quase duas décadas, esta iniciativa – promovida pelo projeto Espaço Aberto, do Agrupamento de Escolas Serafim Leite, em parceria com a autarquia – tem sabido captar público, muito por força de “todo um trabalho de retaguarda” que é feito pelas associações e estabelecimentos de ensino participantes e que, depois, se reflete em palco. “E todos os anos nos surpreendem com novas peças”, realça o edil.
Com o festival a atingir a sua “maioridade” neste ano do centenário da Emancipação Concelhia de São João da Madeira, o programa volta a apresentar duas dezenas de representações, distribuídas, na maior parte, entre a Casa da Criatividade e os Paços da Cultura, mas com momentos também noutros espaços da cidade. Estarão envolvidas centenas de pessoas dos diferentes grupos locais e de localidades vizinhas, além do Teatro de Montemuro, que traz a São João da Madeira a peça “Lá”, com a qual se inicia o festival, orçado em, aproximadamente, 23 mil euros. Um valor que, como sublinhou o presidente da Câmara, não é visto pelo Município como um custo, mas sim como “um investimento”.
Esperados cerca de 5 mil espectadores
Em termos de público, a estimativa da organização é a de que, globalmente, o Festival de Teatro de São João da Madeira registe cerca de 5 mil espectadores, continuando a contribuir para criar públicos, havendo ainda um potencial de crescimento a esse nível, como afirmou Cristina Reis, professora de projeto Espaço Aberto, da Escola Dr. Serafim Leite, revelando que têm sido recebidas solicitações, particularmente de grupos externos a São João da Madeira, que “gostariam de estar no festival”, mas que não podem participar pelo facto de o programa do evento estar já muito preenchido.
Esse poderá ser “um desafio para a maioridade do festival”, admite a docente, assegurando, porém, que o festival tem público, incluindo quem “já põe na sua agenda” o evento e “se organiza para estar cá”. E será que essas pessoas se sentem motivadas para ver teatro “noutros momentos e noutros lugares”? Cristina Reis acredita que também “isso vai sendo feito”. Um caminho que passa igualmente pela eventual passagem da plateia para um envolvimento mais ativo na atividade cultural, designadamente apoiando e integrando grupos.
Da comunidade para a comunidade
Este festival “da comunidade e para a comunidade” é apontado como “um dos dos maiores eventos culturais de São João da Madeira”, tendo um lema marcante desde a sua génese: “pelo teatro, acontece educação”. Estes aspetos foram referenciados por diversos dos participantes na apresentação do programa deste ano, que a organização está convicta de que será “um grande sucesso”, contribuindo, mais uma vez, para a democratização do acesso à cultura.
Para além do presidente da Câmara, João Oliveira, e de Cristina Reis intervieram nesta apresentação do 18.º Festival de Teatro de S. João da Madeira Helena Resende, diretora do Agrupamento de escolas Dr Serafim Leite, Elsa Paiva, do Espaço Aberto, e Gisela Borges, programadora da Casa da Criatividade. Presentes estiveram ainda o vice-presidente da autarquia, Tiago Correia, responsável pelo pelouro da Cultura, e o vereador da Educação, Pedro Gual, assim como técnicos municipais e elementos de grupos participantes e de entidades parceiras.
Como foi destacado nesta sessão, o evento envolve a comunidade sanjoanense, promovendo a cidade no panorama cultural da região. São cerca de duas dezenas de peças que, entre 27 de março e 23 de abril, vão subir aos palcos da Casa da Criatividade e dos Paços da Cultura de São João da Madeira, além de ocuparem, ainda, espaços não tradicionais. A organização pertence ao projeto Espaço Aberto do Agrupamento de Escolas Dr. Serafim Leite, que trabalha em parceria com o Município de São João da Madeira.
Maioria dos bilhetes a 4,5 euros
A peça “Lá”, pelo Teatro de Montemuro, abre esta 18.ª edição, na Casa da Criatividade. Conta a história de dois homens e uma rapariga que “querem mais da vida” e que viajam “do interior para a cidade, nos anos sessenta do século passado” e “da cidade para o interior, na atualidade”. Trata-se de “uma metáfora das migrações nas últimas décadas e, também, das desigualdades territoriais neste canto da Europa”.
Daí em diante, até 23 de abril, atuam os grupos GEDE, Cultura Viva, A Bem Dizer, Artes de Palco, Trilho (En)cena, Rostos e Máscaras, 3Actus, Anim’Arte, Música&Artes, Serafins, (Entre)Linhas, BLV de São João da Madeira, Lua Nova, TOJ, Troupe & Companhia, Palco Tagarela, AceiTe, Curso Básico Articulado de Teatro e Intermitências.
O programa completo do evento pode ser consultado no site da Casa da Criatividade (www.casadacriatividade.com). Quanto ao valor dos bilhetes das peças dirigidas ao público em geral, cada ingresso terá um valor fixo de 4,5 euros, com exceção do espetáculo de abertura, cujos preços variam entre os 5 e os 6,5 euros. Podem ser adquiridos na bilheteira online BOL e nos seguintes locais: Loja de Turismo de São João da Madeira (Torre da Oliva), Paços da Cultura, CTT, El Corte Inglês, FNAC e Worten.
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