Cultura e Lazer

Exposição FOTOGRAFIAS EM NOVEMBRO

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– Médicos Fotógrafos
Torre da Oliva
(Por motivos pandémicos a exposição só agora está a decorrer)
Fotografia e Medicina
Tempos de Revolução Industrial, de invenções e descobertas, de investigar, reunir e ampliar conhecimentos, muitos já de tempos distantes, como a câmara escura de Aristóteles, chamada para outras observações e para fixar as imagens que haveriam de se chamar Fotografias.
Estima-se que as primeiras experiências médicas com recurso à fotografia, tiveram lugar em Paris, por Alfred Donné (1801-1878), bacteriologista, logo após a proclamação da Fotografia (Daguerreótipo), em Agosto de 1839.
Os processos de alquimia próprios da manipulação laboratorial fotográfica aproximavam-se, de certo modo, do ambiente laboratorial médico da época.
Nos EUA, em 1851, o fotógrafo Henry Snelling (1817-1897) edita o primeiro jornal fotográfico Photographic Art Journal.
Numa das edições relata, com excentricidade, que sofrendo há anos de uma crónica dor de dentes e tendo realizado todo o tipo de tratamentos e intervenções cirúrgicas sem sucesso, numa tarde, enquanto trabalhava no seu laboratório fotográfico, fora invadido por “um pequeno espírito bom e invisível, chamado Doctor Photo, que lhe indicara uma prescrição química contendo éter, iodeto e brometo de potássio, combinação usada nas fórmulas fotográficas”, que lhe curou esta e outras maleitas.
O fotógrafo, na época, funcionava como uma espécie de “medium”, com a ‘dádiva divina’ do poder e a magia de afastar os maus espíritos que provocavam as dores de dentes, o reumatismo, a neuralgia e outros males.
As investigações médicas, em vários campos, eram acompanhadas do uso fotográfico, como documento, mas sobretudo ferramenta de observação e registo de estudo e divulgação.
A microscopia registava e estudava as observações em fotografias. Usava-se a fotografia em especialidades como a psiquiatria, oftalmologia, otorrinolaringologia ou cirurgia.

Fotografia da primeira cirurgia efetuada sob anestesia com inalação de éter

Em 1846 realiza-se, em Massachusetts, a primeira cirurgia com recurso a anestesia, com inalação de éter, documentada fotograficamente através de daguerreotipo.
Considera-se que o primeiro livro sobre fotografia médica, foi publicado em 1893, “La Photographie Médical”, pelo francês Albert Londe (1858-1917).
Em 1895, o médico alemão Wilhelm Röntgen (1845-1923) descobre o raio-X, tendo realizado a primeira radiografia à mão da sua mulher.
A radiografia recorre ao mesmo processo de impressão e revelação fotográfica, traduzindo-se numa imagem em suporte transparente de nuances de prata pura enegrecida.
Recebeu o Prémio Nobel em 1901.
Entre nós, em 28 de Junho de 1927, Egas Moniz (1874-1955), médico neurocirurgião, Prémio Nobel da Medicina, realiza a primeira Angiografia (Arteriografia) Cerebral, usando processos de captação imagética de Raio-X, injetando contraste radiopaco, que permite registar o mapeamento dos vasos sanguíneos e detetar e observar diversas anomalias.

Fotografia de A. Lemos, exposição comemorativa dos 90 anos da 1ª angiografia, na Casa da Cultura de Estarreja.

As evoluções científicas e tecnológicas, sobretudo associando sistemas informáticos a diferentes tipos de radiações, permitiram evoluir para identificar e registar o interior do corpo humano, como meio complementar de diagnóstico das diversas patologias (ex.: Tomografia Computorizada-TAC e Ecografia).
Se a Fotografia Científica tem sido par do processo de evolução da Ciência Médica, também tem divergido para trazer para o campo artístico da criação fotográfica, a atmosfera envolta no referente da fisiologia humana e da natureza, carimbada por conceitos estéticos da filosofia, da antropologia, da história da arte e da fotografia.
É o caso da exposição a decorrer na Torre da Oliva, que conta com a participação de 13 médicos-fotógrafos.
A heterogeneidade dos conteúdos expostos mostra a diferenciação personalizada do ver individualizado, nuns casos bem conotado com a área de especialidade de cada um e noutros com interesses afins, mas sem a aparente neutralidade que poderão parecer evocar.
Convidam-se, por isso, os visitantes/espectadores a observar e a “lerem” as obras expostas, num exercício de aproximação aos conteúdos de cada médico presente.

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