Cultura e Lazer

Concerto de Reis abre programação de 2026 do AcáMúsica

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A programação de 2026 do AcáMúsica arrancou com um concerto dedicado à música de Reis, no Auditório Marília Rocha, protagonizado pelo trombonista André Melo e pela pianista Saori Tomidokoro, num programa que atravessou os séculos XVIII e XX.

O novo ano chegou à Academia de Música com uma manhã dedicada à música de Reis, marcada pelo encontro entre o trombone e o piano no Auditório Marília Rocha. O concerto abriu a programação de 2026 do AcáMúsica e reuniu em palco o trombonista André Melo e a pianista japonesa Saori Tomidokoro.
Natural de Oliveira de Azeméis e atualmente radicado em Berlim, André Melo é solista da Orquestra Komische Oper Berlim. Ao seu lado esteve Saori Tomidokoro, pianista especializada no acompanhamento das classes de trombone e de outros instrumentos de metal em três Universidades de Música da capital alemã. Durante cerca de 60 minutos, o duo apresentou um repertório que percorreu diferentes épocas da história da música, do século XVIII ao século XX.
O programa incluiu obras de Georg Philipp Telemann, do croata Sulek, do francês Henri Dutilleux e do compositor portuense Telmo Marques. A interpretação destacou-se pela coerência estética e pelo rigor técnico, assente numa comunicação permanente entre os dois músicos e num controlo preciso das dinâmicas e dos contrastes propostos pelas obras.
Ao piano, Saori Tomidokoro evidenciou um domínio sólido das diversas linguagens musicais, tanto nas passagens de grande fluidez técnica, marcadas por arpejos rápidos ao longo de toda a extensão do instrumento, como nos momentos de maior densidade sonora, construídos a partir de blocos de acordes intensos. Estas abordagens dialogaram de forma equilibrada com o lirismo e o virtuosismo técnico do trombone.
Em comunicado, a Academia de Música refere que André Melo revelou, por sua vez, uma ampla paleta sonora, desde a articulação exigente da obra barroca originalmente escrita para fagote, que coloca desafios particulares a um instrumento de sonoridade contínua, até ao controlo rigoroso das intensidades em todos os registos. O trombonista explorou ainda técnicas menos convencionais, como sons multifónicos, timbres metalizados mais rasgados e passagens deslizantes rápidas, especialmente presentes em Tropia, de Telmo Marques.
O concerto, marcado por sonoridades de carácter triunfal que evocam o imaginário associado à entrada dos Reis, terminou com um bis. O duo apresentou um arranjo de inspiração quase jazzística do Intermezzo e da Habanera da suite da ópera Carmen, de Bizet, merecendo o aplauso do público.
Ainda segundo a Academia, um momento vivido já próximo da Noite de Reis, que voltou a sublinhar a qualidade dos músicos portugueses integrados em algumas das mais prestigiadas formações internacionais e a consistência do cartaz que o AcáMúsica continua a levar, mensalmente e de forma gratuita, ao concelho de São João da Madeira.

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