Cultura e Lazer

“Comprei vários carros ao Alexandre em S. João da Madeira”

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A entrevista foi breve, e as respostas às nossas perguntas surgiram durante um almoço onde participava, na Covilhã. Aos 96 anos, o ator Ruy de Carvalho é o nome maior da peça “A Ratoeira”, que abre a 15.ª edição do Festival de Teatro

Jornal ‘ O Regional’ - A encenação de um dos policiais mais emocionantes de Agatha Christie “A Ratoeira” abre a 15.ª edição do Festival de Teatro de S. João da Madeira, no próximo domingo. Trata-se de uma peça que começou como teatro radiofónico e se estreou em 1952, em Londres, e que Ruy de Carvalho protagonizou nos anos 60 ao lado de Maria Dulce. Voltar a esta peça biográfica, “A Ratoeira”, com a encenação de Paulo Sousa Costa, tem um sabor especial?
Ruy de Carvalho – É bom voltar depois de 60 anos. Na altura, eu não fazia o papel de galã e agora sou o velho (risos). A representação é igual e está muito bem representada pelo Daniel Cerca Santos, Elsa Galvão, Filipe Crawford, pelo meu neto Henrique Carvalho, Luís Pacheco, Sara Cecília e Teresa Coelho. Do primeiro elenco já morreram quase todos. Só resto eu, e a Liili Neves que está atualmente na Casa do Artista. Já partiu o Paulo Renato, a Maria Dulce, o Villaret e o Armando Cortez entre muitos outros.

Trata-se de uma récita há muito esgotada de norte a sul dos país. Qual é o segredo desta peça de teatro com origem na história de “The Mousetrap”, que tem batido todos os recordes como a peça de teatro em cena há mais tempo?
Se há segredo, está nos textos da Agatha Christie. É uma dramaturga fantástica que escreve maravilhosamente e que as adaptações para teatro dão neste êxito.

Começou a dar os seus primeiros passos no teatro amador, mas a sua estreia profissional teve lugar em 1947, na comédia “Rapazes de hoje”, no Teatro Nacional D. Maria II. Que importância teve, e ainda tem, o teatro amador na sua vida, e de quem quer seguir uma carreira profissional?
Teve, e tem, sempre a maior importância. Eu tenho muito respeito por todas as pessoas que fazem teatro amador. Trabalham noutra área e procuram recriar o seu espirito na arte de representar, na escrita, na pintura ou mesmo noutra forma de estar na arte. Normalmente os amadores são aqueles que verdadeiramente amam a arte. Tenho um grande respeito por todos eles.

Pisou o palco, aos sete anos, para fazer o papel de mosquito “Na História da Carochinha”. Lembra-se o que sentiu nessa altura?
Acho que estava nervoso, mas, quando subi ao palco na Covilhã, já não estava. Hoje ainda é assim. Entro, e tudo passa. Senti sempre o peso da responsabilidade do que era pisar as tábuas de um palco.

Esse menino Ruy já sentia o peso da responsabilidade de pisar as tábuas do palco?
Não sei se nessa altura já sentia que queria ser ator. Eu tinha irmãos atores e, desde sempre, que me habituei a conviver com gente do teatro.

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