Música

Ciclo de Concertos Comentados recebeu Fernando Cruz e Eunice D’Aguiar

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Em vésperas de uma nova edição da “Cidade no Jardim” – recorde-se de sete a onze de junho nas imediações do edifício da Câmara Municipal, a Academia de Música de S. João da Madeira e o seu belíssimo auditório Marília Rocha levaram a palco um momento de grande intimidade entre a Europa central nos séculos XIX e inícios do século XX e o futuro da cultura e música erudita. O Ciclo de Concertos Comentados recebeu com dose de virtuosismo e ternura (alternado com pujança e drama) Fernando Cruz e Eunice D’Aguiar ao final da manhã de domingo. Num certame que durou cerca de uma hora e quinze minutos, houve uma incursão pela França de Francis Poulenc, Duparc, pelo mundo melo-dramático de Johannes Brahms e pela alegria e sentimento da canção espanhola de Manuel de Falla. A viagem só podia ficar ainda mais rica, com o músico e professor da instituição desde 2019, José Luís Postiga, a apresentar as obras dos autores mencionados. Não se pense que houve só palmas do lado do público, participou também na adivinhação dos poetas que o próprio professor levou. O concerto teve também o clássico encore, onde se pôde escutar palavras em português de José Vianna da Mota, músico, compositor e professor falecido nos anos 40, ele que foi dos últimos pupilos de um dos maiores compositores do mundo, Lizst. Ao “O Regional” Fernando Cruz reconheceu a importância de iniciativas como a de domingo, bem como o cuidado em convidar para comentar sobre as obras do programa, músicos com provas dadas.
Já Eunice confidenciou-nos que “O Duo do qual faço parte, em colaboração com o pianista Fernando Cruz, creio que resultou muito bem. A música, a meu ver, vive muito da experiência humana, e, uma vez que somos duas pessoas com uma boa relação tanto interpessoal como musical, creio que isso transparece e enriquece a prestação musical. Eu sou uma pessoa mais ansiosa, o Fernando mais calmo, portanto há um belo jogo de cintura no que toca às emoções no conjunto. Sou suspeita, mas acho que o reportório escolhido é belíssimo, pelo que o concerto se adivinhava promissor. Nem tudo correu bem, evidentemente (inclusive o facto de eu estar com alguma rouquidão), mas no final o resultado pareceu-me ter sido interessante. E isto vai, certamente, fazer-nos crescer enquanto músicos. Estamos ambos em início de carreira, é sempre desafiante criarmos autonomamente todo um recital do zero.
No que toca à logística, houve sempre uma simpática receptividade e acolhimento maravilhoso. A Academia mostrou-se sempre receptiva, tendo cedido, inclusivamente, o auditório num dia letivo, para que pudéssemos experimentar o que viria a ser o cenário e a acústica do concerto. Foi, sem dúvida alguma, uma bonita experiência.”.
No final, os músicos e convidados protagonizaram um momento de convívio na biblioteca da academia, num porto de honra. Ficou demonstrado que está garantido o futuro da música erudita protagonizada pela nova geração, há sentimento em cada nota, há entrega como se pede numa paixão.

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