Cultura e Lazer

Centro de Memória da Indústria sem data para início das obras

• Favoritos: 62


Em março de 2021, ‘O Regional’ sabia que a previsão para o início das obras no Palacete do Rei da Farinha era final desse ano ou início deste. Agora, a Câmara não garante qualquer data.

Questionado por ‘O Regional’, o munícipio informou que o projeto de execução “foi adjudicado a 7 de setembro de 2021 e o contrato assinado em 20 de setembro de 2021”. No entanto, não há data para o arranque das obras. “O anteprojeto ou projeto base foi entregue a 22 de dezembro último, encontrando-se neste momento em elaboração a fase correspondente ao projeto de execução, tendo como prazo contratual para a entrega o mês de abril de 2022”, afirmou a Câmara, completando que “esta peça é fundamental para o lançamento do procedimento de concurso público para a execução da empreitada” e justificando que, desse modo, “não existe ainda data prevista para o arranque das obras”.
Outra questão tem que ver com os fundos comunitários que o munícipio está a tentar obter para financiar o CMI, sendo que sobre isso a autarquia esclarece que “ainda não foram abertos os avisos para candidaturas aos fundos comunitários no período de programação financeira 2021-2027, o designado Portugal 20/30”.
‘O Regional’ contactou o Presidente da Câmara, Jorge Sequeira, no sentido de esclarecer o ponto de situação e perceber os motivos pelos quais não é possível apontar uma data para o arranque das obras, mas o autarca não respondeu até ao fecho desta edição.
Entretanto, esta semana, o projeto-base para a requalificação arquitetónica foi apresentado na cerimónia dos 10 anos do Turismo Industrial, pelo arquiteto Nuno Lacerda e o designer Paulo Marcelo (n.d.r. ver página 3).
O arquiteto Nuno Lacerda caraterizou o Palacete do Rei da Farinha como um “edifício muito bonito e com história”, que “precisava de intervenção”. “Nesse sentido houve grande empenho e dedicação para colocarmos as nossas ideias em termos de arquitetura e dar resposta ao que é pedido”, disse, acrescentando que o edifício tem também uma localização “privilegiada”, desconfiando que dali “até se pode ver o mar”.
Nuno Lacerda explicou ainda que há “patologias sérias” que têm de ser trabalhadas com “muito cuidado”, dando relevo a todos os pormenores, desde questões da terra e dos azulejos, como apontou.
Assim, o projeto de arquitetura pretendeu incorporar as novas necessidades, mantendo a essência. Um “aspeto muito importante” é o espaço verde que “também é património”, estando ligado à “ideia de casa brasileira”. “Identificamos todas as árvores, todos os elementos vegetais de modo a não interferir e não perturbar”, vincou o arquiteto.
A proposta procura “ver o edifício como um todo”, do interior ao exterior, referiu o arquiteto, informando que há novos elementos como a criação de um auditório e a uma “ponte que nos permite fazer o acesso ao primeiro piso, hoje em dia não é possível”. Assim, há uma parte nova e uma parte original “que será completamente reabilitada”.
Paulo Marcelo, responsável pelo design, referiu que está prevista uma “identidade visual extremamente simples”, que surge na sequência da investigação que tem desenvolvido e cujo “objetivo prioritário é transmitir a essência do projeto”, onde se incluem as memórias dos trabalhadores e das indústrias da cidade.
Referiu-se ainda à arquitetura dos edifícios, que via em S. João da Madeira desde pequeno, numa memória “transversal a todo o território nacional”. Todavia, há caraterísticas “dispersas pelo país, mas concentradas em S. João da Madeira”, sustentou, remetendo para a polivalência e a harmonia das formas que estão presentes quase todas nos antigos edifícios da Oliva, segundo explicou.

62 Recomendações
347 visualizações
bookmark icon

Farmácias abertas

tempo