Cultura e Lazer

AcáMúsica:Vasco Dantas Rocha encheu sala

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Ao longo de cerca de setenta e cinco minutos, o público pode assistir a um concerto que procurou tocar a língua germânica e a portuguesa

O ano de 2023 iniciou no Auditório Marília Rocha com uma sala completamente lotada, para ouvir Vasco Dantas Rocha, no âmbito do ciclo AcáMúsica. O pianista esteve no palco do auditório a apresentar um repertório do século XIX dedicado ao belcanto para piano, dando vida ao repertório registado no seu álbum de 2020 “Poetic Scenes”. Ao longo de cerca de setenta e cinco minutos, o público pode assistir a um concerto que procurou tocar a língua germânica e a portuguesa, dois países que fizeram parte do desenvolvimento técnico e interpretativo de Vasco Dantas Rocha, realizar a ponte entre o lied, canção de génese popular alemã, e o fado, a forma vocal de maior projeção internacional da identidade cultural portuguesa. O comentário ao concerto, realizado neste evento sob a forma de uma conversa aberta entre Vasco Dantas Rocha e José Luís Postiga, permitiu a partilha do contexto histórico e estético das obras interpretadas, mas também das opções de repertório realizadas pelo pianista. Numa primeira parte foi o romantismo de Schumann quem dominou o concerto, através da execução das Kinderszenen op.15, e da transcrição de Carl Reinecke de seis Lieder de Schumann, com a particularidade de ser de Vasco Dantas a única gravação mundial desta obra.
Depois, o som do piano dedicou-se a abraçar o público com a identidade nacional - fazendo uso de 4 fados ao piano de Alexandre Rey Colaço e um de Óscar da Silva, o lirismo romântico viu-se subitamente retratado pelas melodias do “Fado Serenata do Hylário”, de um fado Corrido, de dois fados menores, cuja maestria dos compositores e exímia interpretação do pianista transportaram do domínio da raiz popular para um mundo da erudição e virtuosismo técnico. Para o fim, a interpretação de um arranjo do próprio Vasco Dantas Rocha sobre o “Fado Gaivota”, de Amália Rodrigues, levantou o público para uma merecida e prolongada ovação que, em consequência, levou a um encore com mais um fado ao piano, desta feita de Eduardo Burnay.
Um excelente augúrio para um Ano Novo que se quer culturalmente pleno de sucessos e realizações.

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