
O arquiteto Mário Pessegueiro expôs, pela primeira vez, no concelho onde se estabeleceu. Em parceria com o empresário responsável pelo restaurante ‘A Tal da Pizza’, Tiago Campos a iniciativa pretende trazer à mesa a contemplação da arte.
Mário Pessegueiro concretizou exposições individuais no extinto Clube Literário do Porto e na Livraria Lello e, agora, em S. João da Madeira. Paralelamente à sua atividade permanente de arquiteto, Mário Pessegueiro sempre teve interesse pelo registo dos mais diversos espaços urbanos e até rurais. Através do desenho e da aguarela, vai reinterpretando conjuntos de edifícios, conferindo-lhes a sua personalidade.
Na sua exposição patente n‘A Tal da Pizza’, seis trabalhos revelam paisagens urbanas do Porto, de Aveiro e de Veneza. A ideia surgiu de uma conversa informal entre o arquiteto e o gerente do restaurante, cujo objetivo é captar a atenção dos sanjoanenses para a arte, assim como promover iniciativas nesse âmbito. “Julgo que, para S. João da Madeira, isto é muito importante. Uma das coisas que friso sempre é que a cultura tem que abranger toda a gente e, aqui, consigo isso”, sublinhou Tiago Campos, em entrevista ao jornal ‘O Regional’. “Já que, infelizmente, nem todas as pessoas vão aos museus ou ver arte em espaços urbanos, quando vão a um restaurante podem, pelo menos, apreciar arte”, explicou, acrescentando que “a arte está em todo o lado”, mas nem sempre é percebida. “Se calhar, aqui [no restaurante], numa parede, as pessoas param mais, desfrutam da comida e apreciam a arte”, considerou o empresário. “O meu propósito é que as pessoas questionem mais; a arte também provoca isso, debates saudáveis”, concluiu.
Para o arquiteto, a arte não tem a atenção que deveria no concelho sanjoanense. “A arte está ligeiramente posta de lado. É o momento de tentar criar eventos em que as pessoas se desnorteiem propositadamente; isto não se aplica apenas a S. João da Madeira”, afirmou Mário Pessegueiro, em declarações ao jornal. “A arte faz refletir, conta histórias e obriga as pessoas a pensar”, observou, lamentando o facto de a cidade não ter galerias privadas. “Só há espaços ligados à Câmara que fecham cedo; assim, é difícil levar a arte às pessoas. Não sendo a sua função, o Tiago [Campos] consegue promover mais a arte junto das pessoas que passam no restaurante do que um estabelecimento que fecha às cinco e meia e que ao fim de semana está fechado”, exemplificou. Dado que a sua exposição é focada em obras do espaço urbano, na perspetiva de Mário Pessegueiro seria interessante que a autarquia sanjoanense investisse mais no edificado municipal. “A preservação do nosso património edificado é importantíssima”, enfatizou o arquiteto.
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