
Com curadoria da bailarina e coreógrafa sanjoanense São Castro, a Câmara Municipal de São João da Madeira promove a 7.ª edição deste evento de redescoberta do território através do corpo e do movimento.
Entre os dias 28 de abril e 3 de maio, São João da Madeira volta a afirmar-se como território de criação e encontro em torno da dança. Ao longo desses seis dias, o público será convidado a redescobrir a cidade através do corpo e do movimento, em palcos convencionais, mas também em fábricas, escolas, jardins e largos. Esse conjunto de espetáculos contará com a presença de artistas nacionais e internacionais, registando ainda o envolvimento da comunidade local.
A 7.ª edição de "A Cidade Dança", promovida pelo Município, em parceria com a associação cultural Play False, propõe uma programação diversificada centrada na dança contemporânea, com uma forte participação comunitária e a utilização de espaços do quotidiano. Essa caracterização que resulta da apresentação do festival, realizada na última quinta-feira, 2 de abril, na Casa da Criatividade, numa sessão em que intervieram o vice-presidente da Câmara, Tiago Correia, que tem a seu cargo a área da Cultura na autarquia, e a curadora do evento, a sanjoanense São Castro.
A bailarina e coreógrafa de São João da Madeira destacou que "a cidade tem uma pulsação muito criativa", seja pela atividade artística que é desenvolvida no território sanjoanense, seja pelas próprias infraestruturas culturais. Para São Castro, São João da Madeira "tem espaços muito propícios à criação artística", que têm potencial para ser "muito mais povoados pelos artistas a nível nacional". Também por isso, a curadora de "A Cidade Dança" considera que este evento é "um projeto que, pouco a pouco, vai conquistando espaço e vai chegando àquilo que se pretende".
São Castro está convicta de que esta 7.ª edição do evento representa "um passo no seu crescimento", pela "presença de artistas internacionais", pelo "envolvimento da comunidade, das escolas e dos parceiros locais", pela "ocupação de vários espaços" e pela "promoção da criação contemporânea na área da dança”. E acrescenta: "Pretende-se ativar a relação do público com as obras e as diferentes propostas que compõem o festival. Há também uma dimensão de descoberta que nos interessa, entre os artistas e o próprio território. Muitos artistas que já passaram pelo festival demonstram vontade em regressar” a São João da Madeira.
Promoção da dança e do talento local
"A cidade não pára", assinalou, por seu turno, o vice-presidente da Câmara, Tiago Correia, lembrando o "grande dinamismo" da comunidade sanjoanense, refletido na sua participação em diferentes iniciativas, como a Poesia à Mesa, que se realizou em março, ou o Festival de Teatro, que está a decorrer até 13 de abril. Essa será igualmente, como salientou, uma das marcas de "A Cidade Dança", que celebrará, entre finais do corrente mês e inícios de maio, o Dia Mundial da Dança. "Todos estes eventos têm uma importante característica em comum, que quero realçar: o envolvimento dos munícipes, das nossas instituições e das nossas associações", afirma o autarca.
"Este espírito colaborativo é um dos maiores ativos de São João da Madeira e um motivo de orgulho para todos nós", considera Tiago Correia, que destaca igualmente o papel de São Castro em "A Cidade Dança", sublinhando tratar-se de "uma sanjoanense que é uma referência na área da dança", com um percurso "inspirador para todos, em especial para os nossos jovens". Para o autarca, a curadoria da bailarina e coreógrafa sanjoanense "é essencial para a concretização deste evento, enquanto momento de promoção da dança e do talento local".
Referindo que "A Cidade Dança" já apresenta "uma dimensão considerável", o vice-presidente da Câmara Municipal de São João da Madeira entende que há margem para melhorar, perspetivando um crescimento, não tanto em quantidade, mas sim "em qualidade". O objetivo é criar condições para que cada vez mais público e artistas queiram estar presentes e participar no evento, por forma que, em cada edição, se possa dizer que houve progresso em relação à anterior. 
Dar corpo e movimento à história
Um dos momentos mais simbólicos da edição de 2026 será a estreia do projeto participativo “Gestos que atravessam o tempo”, com coreografia de Elisabete Magalhães. Inspirado no centenário da elevação de São João da Madeira a concelho, que se completa este ano, o espetáculo, que conta com audiodescrição, resulta de um processo de recolha de memórias e experiências de habitantes locais, transformadas em linguagem coreográfica. A apresentação acontece a 2 de maio, na Oliva Creative Factory, e assume "o corpo como um arquivo vivo da história coletiva".
A programação inclui ainda iniciativas já consolidadas, como a “Dança nas Fábricas”, que leva performances a espaços industriais, sublinhando a identidade produtiva do concelho, e “Dança pela Cidade”, que promove atuações ao ar livre com a participação de escolas e associações locais. Estas propostas reforçam a proximidade entre artistas e público, democratizando o acesso à criação artística.
Entre as novidades destaca-se “Dança nas Escolas”, um conjunto de oficinas dirigidas à comunidade escolar que cruza a dança com áreas como a filosofia e as ciências. A iniciativa pretende estimular o pensamento crítico e a experimentação, aproximando universos aparentemente distintos através da expressão corporal.
Participação de companhia de Espanha
No plano internacional, um dos destaques vai para a apresentação de “Halley”, da companhia espanhola Led Silhouette, que sobe ao palco da Casa da Criatividade no dia 30 de abril. O espetáculo propõe uma reflexão intensa sobre a condição humana, combinando energia física e questionamento existencial. A companhia orientará também uma masterclass, reforçando a dimensão formativa do festival.
A aposta na criação emergente mantém-se com o Programa Jovens Coreógrafos, que dá visibilidade a novos talentos, enquanto a ligação a outras disciplinas artísticas se concretiza numa sessão de vídeo-dança em parceria com o InShadow – Lisbon Screendance Festival. O público mais jovem não é esquecido, com a apresentação de “Sons Mentirosos Misteriosos”, um espetáculo para famílias que explora, de forma lúdica, a relação entre som, imagem e imaginação.
Com um orçamento de cerca de 25.000 euros e contando com o apoio da Direção-Geral das Artes, no âmbito da Rede de Teatros e Cine-Teatros Portugueses (RTCP), o festival "A Cidade Dança" é operacionalizado pela Divisão do Desporto do Município de S. João da Madeira e pela equipa da Casa da Criatividade. O programa completo desta 7.ª edição de A Cidade Dança pode ser consultado na internet, em www.casadacriatividade.com, onde estão disponíveis outras informações, designadamente quanto aos momentos que têm entrada paga e à aquisição dos respetivos bilhetes.
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