Cultura e Lazer

200 mil pessoas passaram pela Casa da Criatividade

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Cerca de 213.500 pessoas, 645 espetáculos e 834 sessões são os números marcantes ao longo destes 11 anos da Casa da Criatividade, que estão a ser celebrados de maneira diferente, com o mês de junho em festa.

As festividades do 11.º aniversário da Casa da Criatividade arrancaram no passado dia 6 de junho, com Tainá a subir ao palco para uma atuação inserida no ciclo ‘Alternativa à 5inta’. Com particularidades únicas no país, esta casa, onde são apresentados diferentes espetáculos, permite a adoção de várias disposições nas áreas de palco e de plateia. Foi exatamente isso que aconteceu neste espetáculo de abertura das comemorações de aniversário. “O concerto aconteceu com um palco alongado e ao nível do público, com a criação de um ambiente tropical. Tivemos, pela primeira vez, um bar aberto dentro do auditório, onde foi permitido consumir e beber”, descreveu a diretora responsável pela programação da Casa da Criatividade, Gisela Borges, em entrevista ao jornal “O Regional”. O objetivo, “bem-sucedido”, foi criar uma atmosfera de proximidade com os artistas.
Para este ano, Gisela Borges explicou que ofereceram ao público sanjoanense um concerto não dentro de portas, mas fora delas. 12 de junho, data de aniversário da Casa da Criatividade, foi marcada com um concerto da dupla Fado Bicha. O espetáculo, com a temática da identidade de género, não foi escolhido ao acaso, até porque, antes do espetáculo em si, existiu também um momento de partilha com o público para falar sobre estas questões. “Este ano, faz parte da missão da Casa pôr o público em contacto com os artistas e pô-los a falar num sistema horizontal, para perceberem as dores, as causas e as angústias dos processos criativos, mas, também, em torno da responsabilidade social que está associada ao facto de serem artistas”, afirmou Gisela Borges.
Os 11 anos da Casa da Criatividade foram festejados, nesse dia específico, como símbolo de uma “causa” e de uma “inquietação” através de um tema atual. O evento ‘A Cidade Dança’, que costuma acontecer no final de abril, foi também integrado no aniversário da Casa da Criatividade. O programa conta com o espetáculo ‘Caem Calhaus do Céu’, do artista sanjoanense João Oliveira, que acontece esta noite às 21h30 nos Paços da Cultura.
No dia 14 de junho, o espetáculo ‘Os Três Irmãos’, de Victor Hugo Pontes, dá continuidade às festividades, à mesma hora, e, desta vez, na Casa da Criatividade. “É um dos nomes mais sonantes no que diz respeito à dança contemporânea em Portugal; já o queríamos trazer aqui há muito tempo”, admitiu Gisela Borges. Multiplicando os palcos, é neste sábado que o projeto ‘Quando a Dança Fala da Cidade’, de Aldara Bizarro, ganha vida na Oliva Creative Factory. “A coreógrafa está a trabalhar com os sanjoanenses as memórias da cidade, associadas ao corpo e ao movimento, não fosse este um festival de dança”, explicou Gisela Borges.
Ainda integrado no evento ‘A Cidade Dança’, os mais pequeninos não ficaram de fora das festividades, já que a 16 de junho o espetáculo infantil ‘Oceano’, de Ainhoa Vidal, tem como público-alvo as crianças e as suas famílias. “A nossa preocupação foi termos propostas para todas as camadas etárias e de diferentes naturezas”, contextualizou a responsável da programação da Casa da Criatividade. Nos dias 21 e 22 deste mês, os 11 anos culminam com a peça ‘Feliz Aniversário’, com João Baião. “A peça foi escolhida precisamente por se chamar assim. Tínhamos a música, a dança e faltava-nos o teatro; fez todo o sentido optar por esta grande produção”, afirmou Gisela Borges.

O balanço de 11 anos repletos de histórias

Sendo um equipamento de referência nas artes do espetáculo na Área Metropolitana do Porto, como é que a Casa da Criatividade opera para que, todas as semanas, chegue aos sanjoanenses, e não só, espetáculos de qualidade? “O município tem objetivos claros para a Casa da Criatividade; que esta seja uma casa de referência no que diz respeito à programação cultural nacional. A equipa que aqui trabalha defende uma narrativa por detrás das escolhas de programação”, contou Gisela Borges, garantindo que nada é feito ao acaso. “Há auditórios que programam apenas dança, outros, teatro… Aqui, temos um foco maior na música, mas apenas porque no caso da dança e do teatro estes concentram-se em festivais específicos ao longo do ano”, adiantou.
Com o propósito de contar uma história e de chegar a diferentes públicos, este ano o município sanjoanense foi escolhido pelo Teatro Nacional D. Maria II. “O ano também é pautado por querermos trazer artistas de referência. Temos sempre um feedback incrível e muito positivo destes no que diz respeito ao acolhimento por parte da nossa equipa técnica e de produção, mas também das próprias instalações”, referiu Gisela Borges, orgulhosa. “É claro que há material técnico que tem um nível elevado de desgaste e que, efetivamente, se moderniza muito rápido. Estamos a fazer 11 anos e não dois, por isso acaba por ser normal. O isolamento de som é fabuloso”, exemplificou.
Por semana, chegam centenas de e-mails à equipa da Casa da Criatividade com propostas artísticas. “Categorizamos todos os pedidos que chegam; estamos a falar de uma sala de espetáculos com uma equipa pequena, apesar de coesa, que se multiplica por diferentes tarefas”, observou Gisela Borges. À exceção de colaboradores que, mediante certos espetáculos, precisam de contratar eventualmente, a equipa técnica e de produção da Casa da Criatividade é constituída por seis profissionais que, segundo a própria responsável de programação, conseguem dar conta do recado. “Consoante as necessidades, há um conjunto de prestadores de serviços que apoiam no dia dos eventos e na preparação dos festivais. Por vezes, a Casa da Criatividade precisa de ter até 10 assistentes de sala”, explicou.
Gisela Borges admitiu que, como meta de futuro, gostaria que pudessem acompanhar a evolução tecnológica, ou seja, prosseguir com uma contínua manutenção da própria sala. “E não só. Queremos instigar a criatividade e ser um sítio que possa ser uma incubadora de trabalho artístico e de contacto direto com a comunidade”, considerou, confiante.

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