Corte de árvores na Praça leva sanjoanenses a lançar petição

Corte de árvores na Praça leva sanjoanenses a lançar petição

Com o arranque das obras de requalificação do centro da cidade, veio o corte de árvores na Praça Luís Ribeiro, que já motivou uma petição popular e que levou a Oposição a pedir justificações. O presidente do Município, Jorge Sequeira, explicou que as árvores estavam em condições inadequadas.

A petição que apela à suspensão do abate de árvores que se tem verificado na Praça Luís Ribeiro, em S. João da Madeira, na sequência da requalificação do centro da cidade, já conta mais de 130 subscritores. O texto da petição criado por munícipes sanjoanenses refere que se trata “de um património arbóreo insusbstituível na cidade e que é de todos” e acrescenta que as árvores não apresentam “a olho nu doença e/ou risco de queda que coloque em causa a segurança de pessoas e bens”. Isso mesmo motivou o vereador da Oposição, Paulo Cavaleiro, a questionar o presidente da Câmara, Jorge Sequeira, durante a última reunião do Executivo.
“Fomos todos surpreendidos com o corte das árvores que aconteceu na Praça Luís Ribeiro”, revelou o vereador social-democrata, que alertou que, no vídeo tornado público pela Autarquia sobre o projeto de intervenção na Praça, as árvores estavam presentes e recordou que o edil Jorge Sequeira sempre defendeu o património arbóreo. “E de um momento para o outro, as árvores são cortadas”, afirmou Cavaleiro, que questionou “o que estava verdadeiramente previsto no projeto” e se “há algum estudo que tenha obrigado a uma intervenção deste género”.
O vereador avisou ainda que não houve qualquer explicação sobre esta iniciativa. “Se estava previsto, devia ter-se informado a população. Se não, era de todo o interesse que se informasse as pessoas do que ia acontecer. Tinham mesmo que ser retiradas? Havia mesmo necessidade? Não podia ter sido feito de outra maneira?”, perguntou Cavaleiro, que sugeriu a transplantação das árvores.

Risco de queda
Em resposta, o autarca Jorge Sequeira esclareceu que “os plátanos estavam em condições fitossanitária não adequadas”. “Há cerca de 20 anos que estavam a ser alvo de podas inadequadas, que amputaram completamente o seu desenvolvimento natural. Estavam a desenvolver vários nódulos de podridão e os novos ramos que iam crescendo tinham que ser cortados por risco de queda”, afirmou.
Foi essa a razão que determinou a substituição das árvores e o edil garantiu que “não era possível a transplantação”.
Sequeira justificou ainda que “muitos comerciantes vinham há anos a solicitar a substituição daquelas árvores por outras mais convenientes para utilização das esplanadas pelos seus clientes”. “Consideramos as árvores um bem essencial à vida, mas quando causam perigo para a vida das pessoas, não hesitamos em tomar as medidas necessárias para acautelar isso”, rematou.
O autarca sustentou ainda que o projeto da nova Praça inclui o reforço arbóreo no centro da cidade. Recordou que isso já foi feito na Rua Oliveira Júnior, na Rua Castilho e na Rua João de Deus. E que estão ainda previstas novas plantações, nomeadamente, em frente ao Parque América e ao BPI, ou na Rua da Liberdade. “Vamos passar a ter mais árvores no centro cívico depois de concluído este projeto”.
Mas o vereador Paulo Cavaleiro ripostou acusando o autarca de “falta de coerência” e solicitou informação técnica a confirmar que não era possível transplantar as árvores. “Já percebemos que é uma decisão recente, mas não foi explicada às pessoas e poderia ter-se feito de outra forma”.

“Timing” errado
O momento do arranque da obra, que levará um ano a ficar concluída, também foi alvo de críticas por parte do PSD/CDS. Pela voz do vereador Paulo Cavaleiro, o “timing é muito complexo”. “Atrasámo-nos, esse é o problema. Sobretudo por culpa deste Executivo, que pelas opções que tomou atrasou a obra em cerca de dois anos. E, infelizmente, agora vem no pior momento possível dos últimos anos”, atirou o social-democrata, numa referência ao facto de o Executivo ter tomado a decisão de alterar o projeto aprovado em 2017, ainda antes de o PS tomar as rédeas da Autarquia.
Cavaleiro apontou que “a obra já tinha um projeto, já podia e devia estar feita” e exigiu um cronograma da empreitada, para perceber que zonas vai intervencionar e quando.
O presidente da Câmara respondeu dizendo que, sendo a empreitada “importante para a revitalização económica do centro cívico”, se afigura ainda mais relevante no contexto pandémico e de crise em que vivemos. “Se já era necessária antes da crise, torna-se ainda mais. Vamos melhorar o centro cívico e com isso permitir a revitalização comércio”, ripostou Sequeira, que avisou que vai apresentar um cronograma aos comerciantes da zona afetada.
O edil sublinhou que a Autarquia não esteve parada até agora e que as obras no centro têm vindo a acontecer, exemplificando com a intervenção na Rua João de Deus. “Esta obra começa no timing possível e adequado. É verdade que encontrámos um projeto já aprovado, mas sentimos necessidade de o modificar, porque o projeto como estava anunciado não tinha financiamento garantido na sua totalidade. Ainda não havia investimento aprovado pela CCDR, não havia contratação pública nem visto do Tribunal de Contas”, explicou.
A velha discussão sobre os diferentes projetos voltou à baila. E Cavaleiro alegou que o dinheiro já estava aprovado e que a candidatura era uma formalização. Disse saber que “o financiamento disponível [para concretizar o anterior projeto] não era suficiente, mas não ia ser tudo feito ao mesmo tempo”. Assegurou ainda que o Município podia financiar uma obra maior, justificando que a falta de financiamento nunca impediu o anterior Executivo “de fazer o Parque da Cidade, a Sanjotec e muitas outras obras”.

Catarina Silva

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