Bancos de lápis promovem património industrial sanjoanense

Bancos de lápis promovem património industrial sanjoanense

Os bancos de jardim feitos de lápis de cor estão a colorir a cidade de S. João da Madeira. Projectados e construídos por funcionários municipais, numa iniciativa que envolveu a Viarco, estes bancos, que têm feito sucesso nas redes sociais, pretendem promover os “símbolos da nossa cidade e do nosso património industrial”. Depois do primeiro conjunto no Largo do Souto, um quarto banco de lápis foi instalado junto à Torre da Oliva, edifício que alberga a sede do Turismo Industrial. Para o início do ano estão a ser preparados dois novos modelos de bancos de lápis, estando também pensadas outras soluções ao nível do mobiliário urbano com outros símbolos da indústria sanjoanense.

 

 

José Nuno Vieira explicou que, já no programa eleitoral, o PS definia a intenção de marcar o “património industrial da cidade através do equipamento urbano”, pelo que a “primeira concretização desta ideia” surgiu através dos lápis de cor que dão forma a bancos de jardim, tendo a Viarco, empresa sanjoanense de referência, como parceira, que demonstrou abertura para colaborar neste projecto desde o primeiro momento.
“Ficou espectacular”, considera o vice-presidente, sublinhando que estes bancos são “o primeiro passo de marcar os símbolos da nossa cidade e do nosso património industrial, que são a maior riqueza que temos”, dando uma “identidade forte a S. João da Madeira”.
Tendo a iniciativa arrancado com os primeiros bancos inspirados nos lápis de cor, o autarca avança que estão “já pensados outros dois modelos de bancos que simbolizam os típicos lápis Viarco”, cuja produção irá arrancar no início de 2019 e que deverão ser colocados no jardim entre o Fórum Municipal e o Tribunal. Embora sem querer adiantar mais pormenores, José Nuno Vieira garante que existem “outras ideias, já fora dos lápis”, partindo dos chapéus e calçado.
Os bancos de jardim com madeiras moldadas em forma de lápis de cor foram “100 por cento desenvolvidos por funcionários municipais”. Carpinteiros e pintores testaram protótipos “para chegar a este produto”. “Estamos de parabéns”, disse José Nuno Vieira, ao considerar que este é “um bom trabalho que orgulha toda a gente” e destacando que “a cidade ganha em ter a Viarco”. Uma “referência que é quase património imaterial da cidade”, com a qual a Câmara tem “uma simbiose”.
A escolha da localização para o quarto banco de lápis colocado na cidade, depois do primeiro conjunto de três instalados no jardim do Largo do Souto, na Avenida Dr. Renato Araújo, prende-se com a “aposta do município no Turismo Industrial”, uma vez que a Torre da Oliva acolhe o Welcome Center deste projecto que abriu as portas das fábricas aos turistas.
Estes bancos coloridos têm a particularidade de terem sido projectados e produzidos por funcionários do município, com particular participação do carpinteiro Alberto Vieira e do pintor Manuel Monteiro Cunha, num trabalho coordenado pela arquitecta Marisel Pinho. Trabalhadores que acompanharam a instalação do banco junto à Torre da Oliva, na manhã do passado dia 21 de Dezembro, num momento que, além da presença do vice-presidente do município, contou também com José Vieira, administrador da Viarco.
“Quando temos um parceiro – neste caso o município – que vem com uma ideia e um projecto, que executa internamente, com os seus próprios recursos e obtém um grau de aprovação por parte da comunidade como esta, para nós é um motivo de grande contentamento, porque demonstra que a cidade se apropria e usa as suas marcas e aquilo que faz como forma de se afirmar enquanto entidade e território”, afiançou José Vieira, lamentando os “obstáculos” que muitas vezes se encontram nas relações entre as entidades públicas e as empresas privadas.
Neste sentido e partindo deste exemplo de parceira, o administrador da Viarco defendeu que “temos de encontrar maneiras de nos relacionarmos”.
Os bancos de lápis de cor vão “viajar para algumas feiras” de turismo, numa acção de promoção de S. João da Madeira como uma “cidade industrial com criatividade e inovação”.

Viarco em processo de classificação

O empresário José Vieira adiantou que, em 2019, irá arrancar com o processo de “classificação da fábrica enquanto património de interesse público”, o que pressupõe que o espaço seja antes classificada como “património de interesse municipal”.
“Estamos empenhados em transformar a Viarco num património que é de todos. O que nós esperamos é que, dentro daquilo que é a estratégia da empresa, o território efectivamente aproveite o potencial daquela empresa para se afirmar também aqui no nosso país”, explicou.
José Vieira tem uma visão integrada da cidade e do seu potencial: “nós somos pioneiros e referência no Turismo Industrial, temos uma Oliva Creative Factory que tem de viver dos processos criativos, um Núcleo de Arte impressionante que precisa também ele de ser um motor de dinamização, o que significa que estas coisas estão todas integradas umas com as outras e não aproveitá-las é uma estupidez”. Assim, defende que estas relações possam ser aprofundadas, “sem pudores de interesses privados e interesses públicos, porque estamos a trabalhar para o bem de todos”.
A centenária Viarco é muito mais do que uma fábrica de lápis, albergando e promovendo uma importante vertente artística com “ateliers permanentes” e residências artísticas, com pedidos internacionais de todo o mundo, que convivem com um património de arqueologia industrial único que “será alvo de estudo e classificação”.
S. João da Madeira tem dois edifícios classificados como património de interesse público: a Torre da Oliva e a Casa da Quinta do Morgado.

Joana Gomes Costa

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