A greve que desconhece valores humanos

Quando se programa uma greve de forma a tornar inoperacionais os bancos de cirurgia dos maiores hospitais do país têm-se objetivos que, entre eles, não está a penalizar o patrão, pretende-se provocar prejuízos considerados de morte. O objetivo é que morra gente para que as notícias se virem contra um governo, que, quer se queira ou não, foi eleito pelo povo, forçando-o a ceder.
Sem olhar a meios, a causa comum do dever humano é sobreposta por interesses que ultrapassam éticas e deontologias de uma profissão subjacente na vida humana. Não admira, por isso, que os jornalistas já tenham perguntado ao bastonário da Ordem dos Médicos se considerava que já havia gente a morrer em consequência da greve.
Não é a primeira vez que tais procedimentos revelam o cunho de setores da nossa extrema-direita que não conseguem esconder o desejo de ver mortos para os trocar por votos. Personagens do anterior governo não resistem à tentação de comprar falsos mortos por suicídio em Pedrógão, tentando desta forma ressuscitar politicamente. As lágrimas de crocodilo de alguns políticos revelam politicamente o saudosismo de cargos rentáveis quando perderem “tachos” que se revelavam impróprios de um país que reclama uma democracia plena, repudiando a democracia de alguns privilegiados.
Não admira que toda a direita seja mais solidária com a greve dos enfermeiros do que o PCP costuma ser com as greves da CP, há um claro envolvimento de setores de direita nesta greve, a começar por uma personagem com grandes responsabilidades, como é a bastonária da classe, que, aliás, anda muito escondida não vá alguém achar que no seu partido, principalmente os setores mais à direita, estejam envolvidos em tal descalabro por renuncia às próprias obrigações deontológicas que lhe compete gerir.
Esta greve revela outra originalidade financeira, como nunca vista, pelo envolvimento de personagens anónimas pelo “peditório” que muito pouco tempo conseguiu a proeza de alcançar mais de 300 mil euros. Quem os deu? O cidadão anónimo, os enfermeiros não envolvidos na greve ou as empresas privadas de saúde que estão ganhando com os cidadãos que fogem de um SNS que está sendo destruído pelos enfermeiros?
É muito, muito estranho, que ninguém exija que sejam tornados públicos os generosos doadores.

Manuel Martins

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